terça-feira, 28 de outubro de 2014

PLANO ALTO: UMA SÉRIE AUDACIOSA SOBRE A VIDA POLÍTICA BRASILEIRA

Minha filha Nadia Bambirra participou da equipe de direção de uma audaz série da televisão Record que tenta captar o ambiente político brasileiro, sob o sugestivo título de Plano Alto. São 12 capítulos que você pode ter acesso a partir do seguinte link:

http://www.youtube.com/watch?v=phnYGx8-k4U&sns=em

Vale a pena assistir.

Theotonio Dos Santos









segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O QUE ESTÁ EM JOGO ?

THEOTONIO DOS SANTOS*

*PREMIO MUNDIAL DE ECONOMISTA MARXIANO (2013) DA WORLD ASSOTIATION FOR POLITICAL ECONOMY(WAPE).

Há uma forte tensão internacional em torno da eleição no Brasil. Inclusive uma publicação conservadora e portanto moderada na sua linguagem política - como o The Economist - perdeu o controle e destinou um artigo de capa a favor do candidato do PSDB Aécio Neves. É impressionante notar que uma publicação que apoia grande parte de suas análises em dados muitas vezes inéditos tenha publicado um artigo que parece copiado da imprensa de oposição do Brasil. Seus argumentos não acrescentam nada a uma sucessão de afirmações capciosas manejadas pelos meios de comunicação da grande imprensa brasileira. Contudo o The Economist não deixa de assinalar para seus leitores, em geral conservadores, a essência da disputa eleitoral.
 
Vejamos alguns deles:

1 - Segundo o The Economist o primeiro lugar alcançado por Dilma Rousseff se explica pelo fato de que a maioria dos brasileiros não sentiu ainda na sua vida diária "a desgraça econômica que está por vir proximamente". Isto porque o candidato do PSDB tem lutado para persuardir os brasileiros mais pobres de que "as reformas que ele defende e que o país urgentemente necessita os beneficiará mais em vez de prejudicá-los". O leitor deve convir que o The Economist não tem a capacidade de previsão que ele invoca, seguindo a tradição arrogante dos conservadores. Nisto coincide com a linguagem do candidato do PSDB. Ele apresenta seus colegas de governo como um grupo de pensadores, intelectuais e técnicos absolutamente superiores e únicos capazes de salvar o Brasil da barbárie representada pela influência desses pobres na decisão democrática da luta presidencial. É natural pois: Aécio Neves é filho de um Deputado Federal do ARENA e posteriormente do PDS e parente de vários outros membros da oligarquia mineira entre os quais se ressalta a figura de Tancredo Neves, seu avô e seu maestro político. Lembremo-nos que todos os estudos indicam que 200 famílias mantém o controle de Minas por mais de 200 anos. É interessante notar que depois dos pretensamente "exitosos" governos do último filho mimado desta oligarquia tenha perdido as eleições para um candidato do PT. Algo está passando.

2 – Segundo o The Economist Dilma Rousseff tem um patrimônio político que leva a uma gratidão popular como: "o pleno emprego, salários mais elevados e uma sucessão de programas sociais, não só as transferências do Bolsa Família, mas também habitações a custo barato, bolsas para os estudantes, eletricidade rural e programas de água para os estados pobres do Nordeste. Essas são conquistas reais". Teria que haver um “mas”. Ei-lo: “mas ao lado deles existe um maior, mas menos paupável fracasso tanto na economia quanto na política”. Para o The Economist os problemas da economia mundial e o fim do grande boom de commodities (preços de matérias-primas) prejudicaram o Brasil, mas ele teve um resultado inferior aos seus vizinhos latino-americanos. Para sustentar essa tese o The Economist se apoia num artigo de um grupo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas que pretende provar que o Brasil teve um desempenho bastante bom, mas poderia ter sido muito mais alto se compararmos com os demais países dos BRICS e dos chamados emergentes. Por sorte, os pobres brasileiros não acompanham estas aventuras acadêmicas que não conseguem ocultar o seu sentido ideológico e político. 

3 - Mas por que o Brasil não teria tido esses resultados tão positivos na mesma proporção de outros países ? Ora, seguramente temos ai um argumento novo e importante: este fracasso se explica, segundo a revista, pelo caráter corporativo do seu Estado que favorece certos setores com empréstimos subsidiados através dos Bancos Estatais. Até a Petrobras teria sido danificada e consignam também o abandono da indústria do Etanol. Ao The Economist não lhes ocorre de nenhuma forma o que é realmente negativo: o pagamento dos juros mais altos do Mundo por um Estado que tem superavit fiscal há décadas. A consequência é o corte de gastos públicos que poderiam atender importantes necessidades do povo brasileiro para favorecer menos de 1% da população e a desastrosas práticas de especulação subsidiada pelo setor público. 

4 - Contudo o Ministro da Economia, Guido Mantega, acaba de iniciar uma autocrítica sobre o desastroso aumento da taxa de juros nos últimos dois anos. O país vinha numa alta taxa de crescimento de 6.9% e a Presidenta Dilma ganhava um apoio de mais de 60% quando os “técnicos” do Banco Central descobriram que isso provocava uma terrível ameaça inflacionária que obrigava a aumentar a taxa de juros levando à redução do crescimento sem provocar a queda da inflação. Tivemos dois anos desse remédio com a queda do crescimento econômico, a queda do prestígio da presidência, a emergência de Movimentos Sociais, a perda de energia social que vinha se acumulando no período anterior.

Eis ai uma questão substancial: a “Teoria” Econômica que pretende que toda inflação é resultado de um excesso de demanda não tem nenhum fundamento científico. Somos muitos os que provamos essa tese em várias oportunidades. Inclusive, com a crise de 2008, contamos com a compania que vários prêmios nobel e até o ex-presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan. Que o povo brasileiro pague com seu trabalho essa transferência brutal de rendas para o setor financeiro é, na verdade, o ponto fraco da política macro econômica do governo.

Mas eles os opositores não pretendem corrigir este equívoco que serve somente a uma minoria de menos de 1% da população que não cumpre nenhum papel positivo para o povo brasileiro. Mas que dispõe de um poderoso controle dos meios de comunicação e da política do país. Eles contam ainda com um gigantesco apoio internacional organizado pelos grandes grupos econômicos que ainda controlam a economia mundial.

5 - Já vimos em artigos anteriores como existe pronunciamentos favoráveis ao deficit fiscal dos países amigos dos donos da economia mundial. Citei por exemplo o recente apoio do FMI ao deficit fiscal do México como compensação à privatização do petróleo. Hoje, Segunda-feira, dia 20/10, foi publicada uma entrevista no Jornal O Globo do Secretário-Geral da OCDE. Citemos suas palavras: “o Brasil fez uma mudança muito importante na composição em termos de renda. Incorporou milhões de brasileiros à classe média e criou uma sociedade mais justa. O país ainda é uma das sociedades de Indice de Gini elevado, isto é, o nível de desigualdade é alto até para a América Latina. Não é um problema novo. Há uma tendência secular de desigualdade e uma aceleração disto por conta da crise. Há recuperação em alguns países. O Brasil ainda não está em recuperação. A primeira coisa da fase de recuperação não é a criação de emprego. Primeiro há crescimento sem emprego, no caso de não ter havido reformas suficientes, quando reformas são feitas há recompensas”.

O Brasil está com 5% de desemprego, é uma das taxas mais baixas do mundo capitalista atual. O Secretário-Geral Angel Gurria, um dos melhores economistas keynesianos, não crê que este baixo desemprego é um antecedente favorável para o Brasil ? Ele sugere que as eleições enturvam o debate: “as incertezas relacionadas à mudança de governo ou período eleitoral existe por todo lado. O Brasil não é exceção. Isto acontece ainda mais quando há muitas diferenças entre os candidatos em termos de filosofia (de governo)”. (...) “no caso do Brasil há duas plataformas econômicas bem diferentes. As pessoas estão esperando para ver o que acontece quando a eleição acabar e o novo governo, seja lá qual for, der os sinais do que vai fazer, a economia vai voltar a crescer logo. Não entrem em pânico. Cabeças frias devem prevalecer na política e na guerra, mas também na economia. Isto permitirá focar nas posições certas".

Talvez por sua origem latino americana Gurria coloca as coisas no seu lugar, não há fracasso econômico. Há erros que podem e devem ser corrigidos. Resta saber qual é a filosofia de governo das duas grandes correntes políticas que se enfrentam no Brasil.

Num segundo artigo dessa edição do The Economist seus redatores parecem dar-nos a solução. Este artigo começa com uma entrevista com a senhora Da Silva no interior do Nordeste brasileiro. Depois de ouvir seu total apoio à Dilma pelas mudanças que realizou na sua pequena cidade do interior, o The Economist tenta outra vez desestruturar este apoio e nos coloca diante do seguinte dilema: para eles “se o Brasil quer prosperar e atender as espectativas crescentes de seu povo o próximo governo vai ter que assumir muitas tarefas que o atual não realizou. Em Serrinha uma agradecida senhora, Da Silva, pensa que a senhora Rousseff é a pessoa certa para esse trabalho: se eu pudesse votar por Dilma mil vezes eu o faria, disse ela. Milhões de outros compatriotas acreditam que o senhor Neves oferecerá um melhor prospecto de mudanças que o Brasil necessita e acreditam que ela não poderá fazê-lo”.

Trata-se portanto das forças políticas que comandarão o destino do Brasil com importantes consequências internacionais, se não o The Economist não estaria tão interessado nesta eleição. Decida, meu caro leitor, de que lado do povo brasileiro você está: da senhora Da Silva e seus companheiros atendidos pela primeira vez na vida ou do lado do filho do Deputado e neto do Presidente que nunca nem soube das suas necessidades.

MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Importante mestrado em administração do PPGAd/UFF num pais onde os neoliberais destruiram a administração pública e também a privada, convertida numa técnica de servidão ao grande capital internacional, apesar de todos os fracassos da administração privada nos últimos anos, responsáveis pela quebra generalizada das empresas transnacionais,  particularmente do sector financeiro, que vêm sendo salvas pela intervenção estatal com generosas subvenções dos estados.

-Edital de Seleção do Mestrado em Administração do PPGAd/UFF - RETIFICADO para o ano de 2015.


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Site do PPGAd UFF: www.adm.uff.br

México: Teoria, Metodologia, Globalização e Civilização

Durante o 19º Congresso Internacional realizado no México em outubro deste ano tivemos uma participação bastante importante.

No primeiro dia do Congresso realizou-se um painel sobre "Aportaciones teóricas y metodológicas de Theotonio dos Santos" com uma excelente participação acadêmica. Nesta oportunidade que o leitor pode acessar em meu canal do Youtube neste link https://www.youtube.com/channel/UCkGXaDF3fX9P99Zmk6hzckw discutiu-se com detalhe e muito interesse grande parte da minha obra.

Neste evento se deu a conhecer as características gerais da edição das obras reunidas de Theotonio dos Santos compilada por María del Carmen del Valle Rivera e Sergio Javier Jasso Villazul e publicada pelo Instituto de Investigação Econômica da Universidade Nacional Autônoma do México - UNAM.

Essa edição em forma de E-Book se divide em 4 Tomos: I. Desarrollo, democracia y socialismo; II. Economía política de la ciencia y la tecnología; III. Crisis, dependencia y dubdesarrollo; IV. Sistema mundial, imperialismo y capitalismo contemporáneo.

A Diretora do Instituto de Investigação Econômica da UNAM Verônica Villarepe fez a apresentação geral da Obra e os compiladores não somente apresentaram mais em detalhe os vídeos como colocaram questões importantes sobre a atualidade da Teoria da Dependência.

Os vários Tomos foram apresentados com uma introdução geral de Theotonio dos Santos e da Diretora do Instituto de Investigação Econômica da UNAM.

Em seguida Maria del Carmen, Leonel Corona e Javier Jasso discutiram aspectos da obra do autor. Leonel Corona dirigiu durante mais de 40 anos o Seminário sobre Economia da Ciência e Tecnologia iniciada em conjunto com Theotonio dos Santos nos anos de 1970 na Divisão de Estudos Superiores de Economia da UNAM.

As Obra Reunidas de Theotonio dos Santos se divide em 4 pontos:

A primeira parte "Desarrollo, democracia y socialismo" está apresentada por Ennrique Dussel, o grande filósofo da libertação recém assumido como Reitor da Universidade da Cidade do México, cuja grave crise ele resolveu.  

Em segundo o Tomo II, Economía política de la ciencia y la tecnología, está apresentado pelos compiladores Maria del Carmem e Sergio Javier.

O terceiro, Crisis, dependencia y subdesarrollo, cujo o autor da apresentação está em negociação. 

E o IV Tomo com apresentação de Orlando Caputto, um dos maiores estudiosos da Economia Mundial desde a década de 60 como participante da equipe de pesquisa sobre a Dependência que Theotonio dos Santos coordenou no Centro de Estudos Socioeconômicos - CESO, da Universidade do Chile. 

Completando essas atividades no México o Professor Theotonio dos Santos realizou uma conferência no Doutorado em Economia Política do Desenvolvimento da Benemérita Universidade Autônoma de Puebla - BUAP com o título "Dos crisis: del sistema y del pensamiento económico dominante".

Estas atividades dão prosseguimento ao acordo entre a BUAP e a Rede e Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas para Economia Global e Desenvolvimento Sustentável.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Para frente ou para trás

A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação.

Theotonio dos Santos (*)

Daqui do México, tenho a impressão de que o mundo está muito preocupado com o que passa no Brasil. Em contato com muitos amigos de vários países em um Congresso Internacional em que participo e no hotel que comparto com os membros de uma reunião da OEA tenho a oportunidade de sentir a preocupação generalizada com o processo eleitoral brasileiro. A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação e dependência, particularmente os latino-americanos.

 
Para eles, o Brasil parece ter-se alinhado entre os protagonistas da política internacional representando os interesses da região. Contudo, está muito claro que os setores mais poderosos que controlam a imprensa e os meios de comunicação não veem com bons olhos este novo quadro internacional. Eles não querem mais poderes autônomos no mundo que ate agora controlavam. Por isto se pode observar um súbito alento para estes senhores com a perspectiva de volta ao governo do PSDB no Brasil. Podemos contar com todo tipo de acoes para garantir esta alternativa.

México é um lugar privilegiado para observar este fenômeno. Neste momento, as forcas hegemônicas do sistema mundial veem no México uma alternativa para disputar – pelo menos na America Latina - este protagonismo do Brasil. É impressionante constatar a diferença de tratamento para com o governo mexicano enquanto movem uma guerra psicológica no Brasil há mais de um ano na busca da derrota do PT. Vejam os leitores algumas pérolas deste tratamento:

México mantem uma das mais baixas taxas de crescimento nos últimos 12 anos (1,5%) mas melhorou para 2,4% em 2014, segundo previsões que se entusiasmam com a possibilidade de um 3,5% em 2015. Todos conhecemos o fracasso das previsões do FMI, mas no Brasil se fala de um “fracasso” do governo do PT com taxas de crescimento muito superiores durante o mesmo período.

Quanto ás previsões, não são muito diferentes para os próximos anos. Mas, segundo o FMI, o México tem a vantagem de estar em “livre” associação com os Estados Unidos que estaria se recuperando da brutal crise que jogou para baixo a economia mexicana de 2008 até o ano passado pelo menos. Querem que o México assuma a liderança de uma tal de Alianca do Pacífico e aprofunde a subordinação que vem tendo com os Estados Unidos (com baixo crescimento, moeda em desvalorização, endividamento igual ao seu PIB, déficit fiscal e comercial permanente sem saída estrutural á vista).

México tem déficit fiscal há muito tempo, enquanto o Brasil tem superávit fiscal por pressão destas mesmas forcas políticas. Incrível, os reis dos “superávits” fiscais que nos impedem de investir e atender as necessidades de nossos povos, revelam uma disposição impressionantemente positiva com o novo governo do México. O departamento fiscal do FMI nos surpreende com as seguintes ponderações: “É legítimo que México utilize o déficit fiscal quando se tem momentos de baixo crescimento e, sobretudo, quando se usa para facilitar a acomodação orçamentária de reformas estruturais como as que se concretaram”

Em palavras mais simples para o leitor entender de que se trata com estas afirmações que aparentemente se colocam contra toda a teoria que manejam estes órgãos neoliberais: o México acaba de PRIVATIZAR O PETRÓLEO, havendo sido o primeiro pais da região a criar o monopólio estatal do petróleo no início da década de 1940, logo, tem direito a tudo. Para os amigos dos decadentes donos privados do petróleo mundial tudo vale. O FMI está pronto para voltar a meter-se no Brasil e ajudar a completar a obra privatizadora dos dois governos do PSDB. No fundo, este duplo tratamento que notamos aqui são partes da mesma política.

Querido leitor, seja qual seja sua origem social, étnica e de gênero: No Brasil estão jogando suas cartas duas correntes mundiais:

Uma que se coloca do lado de uma tentativa de “ELIMINACAO” da pobreza, de uma democracia participativa, apoiada na sociedade civil organizada, da soberania de todos os povos para defender suas riquezas naturais e só explorá-las de acordo com as melhores condições de vida dos povos afetados pela sua exploração, do planejamento do desenvolvimento humano e sustentado de todos os povos, da verdadeira liberdade de opinião e de informação, da associação cooperativa de todos setores sociais e de todos os povos, sobretudo dos povos latino-americanos e caribenhos organizados na CELAC, na UNASUL, na ALBA, na Comunidade Andina e particularmente no MERCOSUL que transformou profundamente o comércio brasileiro e a dinâmica da relação brasileira com o mundo americano. Este enfoque se entronca com a crescente unidade dos BRICS ( Brasil, Russia, India, China e África do Sul ) que abre caminho para uma nova economia mundial. Este é o novo BRASIL que a aliança de forcas comandadas pelo Partido dos Trabalhadores está tentando avançar no nosso país com um forte apoio de forcas sociais mundiais que estão em plena ofensiva no mundo.

Do outro lado, estão as forcas que respondem aos interesses do grande capital internacional e dos Estados Nacionais, partidos e grupos sociais que os apoiam e seguem. Eles são terrivelmente poderosos, mas como seus interesses entram em contradição com a grande maioria da humanidade não podem exercer este poder impunemente. Claro que lhes interessa sobretudo controlar a opinião pública mundial com o domínio monopólico dos meios de comunicação para impor a versão adoçada das vantagens do seu mundo. Eles utilizam como instrumento privilegiado desse controle as “guerras psicológicas” que visam criar o ódio contra as forcas do avanço da humanidade e o progresso.
 
Eles comandam a maioria dos órgãos de poder mundial para sustentar a economia mundial desigual e combinada que impõem sobre o conjunto do mundo. Mesmo assim não podem impor totalmente suas idéias e seus interesses. Exemplo disto é a decadência do Grupo dos 7 que pretendeu comandar a economia mundial a serviço da Trilateral, organização criada pelos grandes grupos econômicos internacionais dos Estados Unidos, Europa e Japao. Atualmente eles estão em plena decadência enquanto os povos que eles pretenderam deter estão em ascenso . Estados Unidos assiste sem entender, a China passar o seu Produto Interno

Bruto em 2014. Alemanha e Japao - que disputavam o segundo lugar entre os maiores PIBs do Mundo - lutam para não cair mais diante do avanço do PIB da India. Franca, Italia e Inglaterra lutam para manter os próximos lugares diante do crescimento do Brasil, da Turquia, da Russia e outras potencias emergentes. Eles estão em plena decadência e querem levar consigo os povos sobre os quais exercem uma influencia decisiva baseado nos seus colaboradores e agentes no interior de quase todos os países do mundo. Mas não se enganem. Eles não tem quase nada a oferecer aos povos, principalmente os mais pobres. O grupo que quer voltar ao poder são os mesmos que privatizaram a preco de banana as principais empresas estatais do pais para consumir entre eles mesmos as sobras desta operação de corrupção generalizada.

Agora querem fingir que estão do lado da Petrobrás que não puderam privatizar totalmente mas não se iludam: estão lutando violentamente para controlar o petróleo do Brasil que surpreendeu o mundo com o pré-sal, resultado do esforço tecnológico da universidade brasileira. Eles necessitam de um governo que os ajude a dominar toda esta riqueza. O PSDB já mostrou de que lado está. Voce vai permitir isto?

(*) PREMIO MUNDIAL DE ECONOMISTA MARXIANO (2013) DA WORLD ASSOTIATION FOR POLITICAL ECONOMY(WAPE).

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Denúncia do Golpe Eleitoral contra a reeleição de Dilma Rousseff no Brasil

Intelectuais e dirigentes de organizações populares fazem denúncia acerca de uma grave ingerência do imperialismo para manipular as eleições em nosso país. Some sua assinatura clicando no link ao final da nota.


Trabalhadores e trabalhadoras brasileiros,


Estamos diante da mais grave ameaça à nossa jovem democracia, desde o final da ditadura civil-militar na década de 80. Como no período que antecedeu ao Golpe de 1964, podemos observar grandes articulações que, neste momento, confluem para uma manipulação eleitoral antipopular que busca, com a candidatura de Aécio Neves, colocar novamente nosso país sob a administração direta do capitalismo financeiro, mais especificamente do imperialismo norte-americano.

Os trabalhadores e trabalhadoras de nosso país que, como Tiradentes, acreditam no direito que temos de decidir os rumos de nossas vidas livres de ingerências e intervenções estrangeiras, devem estar alertas e prontos para rechaçar o golpe eleitoral que a direita colocou em execução.

Que ninguém tenha dúvida, não se trata apenas de enfrentar as oligarquias mais atrasadas e reacionárias, que dominam nosso país desde 1500, mas de resistir às ações do imperialismo que efetivamente dirige diretamente as ações de desestabilização no Brasil.

As eleições presidenciais de 2014 se converteram em um campo de batalha no qual se uniram para aplicar um Golpe Eleitoral os grandes empresários, os banqueiros, a grande imprensa e outros setores, nos quais as agências de espionagem e desestabilização dos Estados Unidos, como a CIA e a NSA, infiltram-se fortemente nos últimos anos.

As ações de espionagem contra o Brasil e mais especificamente contra a presidenta Dilma e contra a Petrobras, reveladas no vazamento de documentos da NSA, não eram apenas por concorrência econômica, como muitos afirmam. Essas ações tinham o objetivo de preparar o terreno para impedir a manutenção, em nível federal, de um governo de tendências antineoliberais.

Fez parte dessas ações a ascensão de Marina Silva à candidata presidencial, visando impedir uma vitória de Dilma já no primeiro turno. O respeitado professor e especialista em relações internacionais, Moniz Bandeira, testemunha direta e viva de diversas manobras da direita, como o Golpe de 1964, em carta aberta ao presidente do PSB, Roberto Amaral, relata ter inclusive enviado um alerta a Eduardo Campos, que deveria se prevenir. Sua experiência lhe dizia que uma ação desse tipo já era esperada e que Marina Silva não aceitaria ser apenas vice de Eduardo.

Conforme denunciado pelo professor Theotonio dos Santos, Marina Silva, que substituiu Campos como candidata do PSB, objetivamente cumpre o papel de instrumento do imperialismo, articulada, junto a Fernando Henrique Cardoso, no Diálogo Interamericano, instituição fundada em 1982 e que, segundo texto em seu site, reúne “100 ilustres de todo o continente americano, incluindo políticos, empresários, acadêmicos, jornalistas e outros líderes não-governamentais.”  Essa organização existe para atacar as democracias latino-americanas e foi uma das articuladoras dos recentes Golpes de Estado em Honduras e no Paraguai.

Devido ao rechaço popular às ditaduras que os Estados Unidos instauraram e mantiveram em toda a América Latina, na segunda metade do século 20, as classes dominantes não encontram apoio suficiente, nem na sociedade, nem nas Forças Armadas, para um novo Golpe Militar. Por isso, o imperialismo busca realizar um Golpe Eleitoral através de três frentes: guerra econômica, guerra midiática e  intervenções a partir de suas infiltrações na Policial Federal e em setores do judiciário.

Guerra Econômica


No final do ano passado, a presidenta Dilma, em sua mensagem de encerramento de ano disse:

“Se alguns setores, seja porque motivo for, instilarem desconfiança, especialmente desconfiança injustificada, isso é muito ruim. A guerra psicológica pode inibir investimentos e retardar iniciativas.”

A guerra psicológica é apenas uma parte de um movimento maior de guerra econômica que deve ser denunciada. Os economistas Passos, Cardoso e Brandes do DIEESE em um texto intitulado “A queda dos investimentos privados na economia brasileira nesse início de 2014”demonstram que uma taxa negativa de investimento de 2,1% no primeiro trimestre de 2014 significa que os grandes capitalistas, principalmente os de São Paulo, abstiveram-se de reinvestir o capital acumulado no ciclo anterior.

Sem qualquer compromisso com o país, eles transferiram seus investimentos para os títulos da dívida pública dos Estados Unidos na esperança de que um baixo crescimento do PIB rendesse manchetes ruins ao governo e o forçasse a tomar medidas antipopulares em pleno ano eleitoral.

Não podemos nos esquecer também do efeito da falta d'água em São Paulo, estado governado pelo PSDB de Aécio e Alckmin, que praticamente desacelerou a construção de novos empreendimentos nos últimos meses.

Outra faceta da aplicação desta Guerra Econômica nestas eleições é a manipulação do mercado através das bolsas de valores, ao sabor da conjuntura eleitoral. As repentinas e acentuadas quedas e recuperações, às vezes em um mesmo dia, de ações de grandes empresas, inclusive estatais, buscam criar fatos políticos que favorecem o candidato do imperialismo, além de operarem uma transferência de recursos das mãos dos pequenos e médios investidores para os grandes especuladores.

Um dos responsáveis por esses crimes é o megaespeculador George Soros, patrão de Armínio Fraga, indicado por Aécio Neves para assumir o Ministério da Fazenda. George Soros é conhecido por financiar ações de desestabilização em todo o mundo. Recentemente admitiu, sem o menor pudor, sua responsabilidade nos eventos que explodiram na Guerra Civil da Ucrânia, que já vitimou milhares de pessoas, principalmente civis. Soros afirmou em entrevista recente: "Criei uma fundação na Ucrânia antes de que se independizasse da Rússia. E a fundação tem operado desde então e jogou um papel importante nos acontecimentos atuais".

Os interesses dos Estados Unidos estão tão bem representados em Armínio Fraga, indicado por Aécio, que o ex-secretário do Tesouro americano Timothy Geithner chegou a indicar seu nome ao presidente Barack Obama para dirigir o FED (Banco Central dos Estados Unidos).

Recentemente, Armínio Fraga criticou a política de aumento de salário mínimo, que saltou de 86,21 dólares, em 2002, quando Lula assumiu seu primeiro mandato, para 305 dólares em 2014 (valores convertidos do real). Para ele, os salários devem ser arrochados e o orçamento público e os gastos sociais, reduzidos.

Todos se lembram do que representou o governo de FHC, no qual Armínio Fraga era presidente do Banco Central, para os níveis de salários, emprego e de escolaridade de novo povo.

Guerra Midiática


A grande imprensa burguesa, mais destacadamente seu maior representante, as Organizações Globo, repetem sua atuação das vésperas do Golpe de 1964. Martelam o dia inteiro manchetes sobre corrupção e inflação, seguindo exatamente o mesmo script utilizado para derrubar o Presidente João Goulart. Dilma é atacada como Jango foi pelas mesmas 9 famílias que detêm os monopólios de comunicação em nosso país.

Essa imprensa reacionária demonstrou seu poder ao intervir diretamente, com coberturas descaradas, sobre os eventos de junho do ano passado, convertendo os protestos contra o aumento do preço das passagens em uma nova “Marcha com Deus pela Família e Propriedade”, organizada pelas senhoras ricas contra o governo de Jango 64. Com a constante cobertura e exposição, eles criaram agora o fenômeno dos Black Block, tentando criar um clima de desestabilização, além de introduzirem bandeiras conservadoras entre as pessoas que estavam nas ruas.

Contudo, esses meios privados foram desmoralizados após o fracasso de sua campanha contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, na qual previam um clima de caos total. A organização e a realização da Copa superou outras edições realizadas na Europa. De maneira cínica, esses meios passaram a tentar associar o governo com a derrota no gramado contra a Alemanha.

A ilustrativa pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública, formado por pesquisadores da UERJ, divulgada no site Manchetômetro, demonstra claramente o bombardeio contra Dilma, por conta da desproporcionalidade em matérias negativas.

Essas ações midiáticas, de eficiência limitada entre a classe trabalhadora, busca deixar a classe média histérica e acaba promovendo uma onda de ódio racial e social. Fernando Henrique Cardoso, líder maior do PSDB, claramente  atiça esse clima ao dizer que os eleitores de Dilma são ignorantes por ela ter vencido no Nordeste.

As infiltrações no Judiciário e na Polícia Federal

A terceira grande articulação da tentativa de Golpe Eleitoral em curso envolve setores do Poder Judiciário que, ao aplicarem uma política de “dois pesos e duas medidas”, buscam mudar a correlação de forças entre o PT e o PSDB em nosso país.

O maior escândalo da história recente desse país, não apenas de corrupção, mas de entreguismo, de traição nacional, foram as privatizações das grandes empresas brasileiras como a Vale do Rio Doce e a Telebras, episódio conhecido como Privataria Tucana.

Durante o governo Fernando Henrique, todos que exerceram a presidência do Banco Central foram envolvidos em escândalos, alguns foram condenados, mas ninguém foi preso. Gustavo Franco foi responsável pelo PROER, que destinou bilhões para bancos quebrados. Seu sucessor Francisco Lopes ficou famoso por suas íntimas relações com Cacciolla do Banco Makra, que levaram os cofres públicos a um prejuízo bilionário   durante a mega desvalorização do real após a reeleição de FHC. Nomeado em seguida, Armínio Fraga elevou a taxa de juros do país para 45%, transferindo imediatamente bilhões para os banqueiros.

Enquanto os principais quadros do PT paulista foram presos e tiveram seus direitos políticos caçados, não podendo concorrer às eleições, o Mensalão do PSDB, o original, criado em Minas Gerais, durante o governo de Eduardo Azeredo não foi sequer julgado. Esta foi a origem do valerioduto tucano, esquema de financiamento irregular de campanhas, criado por Marcos Valério, ligado aos tucanos.

A anulação, por parte de Gilmar Mendes, juiz carnalmente vinculado ao PSDB, da decisão unânime do TSE, por 7 a 0, de conceder direito de resposta ao PT na Revista Veja é apenas  uma demonstração a mais do compromisso de setores do judiciário com o retorno das velhas oligarquias ao poder.

Com relação às recentes manchetes contra a Petrobras, pautadas a partir de seleções do depoimento de dois bandidos que chegaram à empresa pelas mãos do PSDB, o Conselheiro Nacional do Ministério Público, professor Luiz Moreira, realizou uma grave denúncia contra a“tentativa de interferência na disputa eleitoral (…) Há uma engenharia responsável pelo vazamento que seleciona criteriosamente que partes devem ser divulgadas e o momento adequado para que o vazamento chame mais atenção e cause mais impacto nos eleitores (…) Cria-se a sensação de que estamos num vale-tudo e que o sistema de justiça além de imiscuir-se na disputa eleitoral também não tem compromisso com a ordem jurídica.”

Sem meias palavras, trata-se de uma tentativa de Golpe Eleitoral que se utiliza de uma cobertura de pseudolegalidade similar à utilizada no Golpe que removeu Fernando Lugo da presidência do Paraguai.

As intervenções do imperialismo têm como objetivo impedir o surgimento de um mundo multipolar


Mas, a mais contundente prova das ações de desestabilização que estão em curso, que não pode deixar nem os mais incautos tranquilos é a própria ação do imperialismo pelo mundo. Estamos indo às urnas em meio a diversas guerras que sangram todos os cantos do planeta.

Quem conhece história e acompanha a intensificação dos conflitos em todo o mundo, não pode deixar de relacionar essas eleições com a conjuntura internacional.

A Crise do Capital e seus desdobramentos, após sua contundente manifestação em outubro de 2008, voltou a colocar em xeque o mundo unipolar que surgiu após a Guerra Fria. A perda de influência dos Estados Unidos se acentuou em todo o mundo e propiciou o surgimento de diversos blocos contra-hegemônicos, como a CELAC e os BRICS, que apontam para uma nova geopolítica e para um mundo multipolar.

Quando Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os BRICS, reuniram-se em Fortaleza com os 33 países latino-americanos e caribenhos que formam a CELAC, logo após a Copa do Mundo, e adotaram medidas concretas contra a hegemonia norte-americana, como a criação de um banco internacional, os Estados Unidos decidiram intensificar suas ações para minar essa aliança.

A lista de ações desse tipo do Imperialismo é gigantesca. Somente nos últimos anos, durante o governo Obama, podemos destacar, longe de citar todos os casos:

Afeganistão: ocupação militar e desestabilização; América Latina: Criação da Aliança para o Pacífico para confrontar o Mercosul;Argentina: ação dos fundos abutres e pressão do Clarin; Bahrein: repressão contra os xiitas; Bielorrússia: manifestações contra Lukashenko; Bolívia: Bloqueio do avião de Evo Morales; Brasil: ações fascistas durante junho de 2013; China: estímulo ao separatismo;Coreia do Norte: constantes provocações e ameaças militares; Costa do Marfim: golpe de Estado contra o presidente Laurent Gbagbo;Cuba: bloqueio, desestabilização e criação da rede social Zunzuneo; Egito: "Primavera Árabe", condução ao poder e depois derrubada da Irmandade Muçulmana; Equador: tentativa de golpe contra Correa; El Salvador: introdução de armas ilegais que caem nas mãos dos grupos de extermínio causadores da violência no país; Rússia: grupos terroristas do Cáucaso; Haiti: indicação do presidente Martelly anos após golpe de Estado; Honduras: Golpe de Estado contra Zelaya; Hong Kong: Occupy central para atingir a China; Iêmen: constantes ataques de drones; Irã: desestabilização, assassinato de cientistas e bloqueio; Iraque: ocupação militar e criação do Estado Islâmico; Líbia: bombardeios, financiamento de mercenário e assassinato de Gadaffi; Mali: guerra civil após desestabilização da Líbia; Palestina: financiamento e armamento do estado racista de Israel; Paquistão: desestabilização e constantes ataques de drones; Paraguai: Golpe de estado contra o presidente Lugo; Quirguistão: Insuflação de conflitos étnicos e divisão do país para manter a Base Aérea de Manas; Síria: criação do Estado Islâmico e guerra civil no país; Somália: desestabilização através de radicais mercenários; Sudão: separatismo e criação Sudão do Sul para repartir petróleo; Tunísia: "Primavera Árabe"; Ucrânia: Golpe e chegada ao poder de grupos nazistas; Uganda e Quênia: caso "Kony" e militarização da região; Tailândia: Golpe de Estado; União Europeia: desestabilização do euro; Venezuela: tentativa de golpes com o não reconhecimento das eleições e sabatogens econômicas.

Resistir à direita, é, nesta conjuntura eleitoral, ser revolucionário


Neste momento um retrocesso tático (processo eleitoral brasileiro) pode significar um retrocesso estratégico em todo o continente latino-americano, ao aumentar a pressão do imperialismo que busca destruir os processos de mudanças e as conquistas obtidas pelos povos das regiões. O sonho do imperialismo é  utilizar nosso país como plataforma de agressão contra os nossos vizinhos.

Não existe porque hesitar em defender a candidatura de Dilma Roussef à reeleição como presidenta do Brasil. Isolar os setores mais reacionário das oligarquias, impedindo-os de chegarem ao governo é a batalha dos próximos dias.

Além da postura altiva em defesa da soberania nacional frente às agressões imperialistas, o governo Dilma manteve no plano interno, mesmo com limitações visíveis, a defesa do emprego, a valorização do salário mínimo e a elevação dos investimentos em educação (o acesso ao ensino superior dobrou em 12 anos) e saúde (Mais Médicos), entre outras medidas. Sabe-se que, por mais importantes que sejam, essas medidas não resolveram problemas estruturais, mas contra isso se insuflam as oligarquias reacionárias, como em 1964. Ontem, como hoje,  não aceitam nenhuma reforma que altere sua lógica de acumulação.

Chamar o voto nulo dizendo não haver  diferenças entre os projetos em disputa, é, ao mesmo tempo, uma leitura reducionista e anti dialética da nossa realidade e a perda do bom senso contrariando a visão de todos os dirigentes dos países latino-americanos que passaram por processos revolucionários, e que torcem pela reeleição de Dilma. É uma demonstração da falta de acuidade de análise geopolítica daqueles que  nunca entenderam porque sofremos a derrota do Golpe de 1964.

Como disse Simón Bolívar, Libertador da América Latina, “Os Estados Unidos parecem destinados pela providência a infestar a América com misérias em nome da Liberdade”. Caberá ao povo brasileiro, junto às suas lideranças consequentes, frustrar os planos daqueles que querem destruir o Brasil, pátria mãe de nossos filhos e filhas.

Reeleger Dilma é defender o Brasil e a América Latina da intervenção direta do imperialismo norte-americano!

Aluisio Pampolha Bevilaqua, editor chefe do Jornal Inverta

Ana Alice Pereira, diretora do CEPPES

Andre Laino, Professor da UENF

Antonio Cícero Cassiano Sousa, diretor do CEPPES

Gaudêncio Frigotto, professor da UERJ

Georgina de Queiroz dos Santos, professora da UNISUAM

Gilberto Palmares, deputado estadual PT/RJ

Hildemar Luiz Rech, professor da FACED-UFC

Lincoln de Abreu Penna, presidente do MODECON e professor da UFRJ

Marly de Almeida Gomes Vianna, UNIVERSO, RJ

Nicolino Trompieri Filho, professor da UFC

Paulo Ramos, deputado estadual pelo PSOL/RJ

Sandra Regina Pinto Santos, diretora geral do ISERJ

Sérgio Sant’Anna, professor da UCM

Theotonio dos Santos, professor da UERJ, presidente do CEPPES e da REGGEN

Zacarias Gama, professor da UERJ


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

MARINA SILVA: É POSSÍVEL SERVIR A DOIS SENHORES?

Theotonio Dos Santos

Professor Visitante da UERJ, Professor Emérito da UFF, Premio Mundial de Economista

Marxiano 2013 (WAPE), Presidente da Cátedra e Rede da UNESCO sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (REGGEN).


É lamentável ser obrigado a colocar em evidência o que já deveria ser sabido há muito tempo mas que é sempre ocultado pelos meios de comunicação mais importantes. Em geral se desconhece no Brasil os mecanismos pelos quais o governo dos Estados Unidos e os grupos de interesse organizados a partir daquele pais interveem ativamente na vida política do nosso pais.


Isto é normal,  pois a função de centro hegemônico do sistema mundial que  este país ostenta o leva a desenvolver mecanismos de intervenção diversificados que atuam sobre vários setores da vida econômica, politica, social e cultural. Veja-se o bombardeio sobre os povos do Oriente Médio neste momento.


Entre estes mecanismos é pouco conhecida a criação de instituições voltadas para a formação e filiação de quadros políticos que se subordinam aos objetivos estratégicos colocados por estas entidades. Trata-se claramente do estabelecimento de um time de ponta a serviço dos poderosos interesses dos capitais nacionais e transnacionais que buscam operar cada vez mais com princípios e objetivos comuns.


Uma destas instituições extremamente influente nas Américas é o Diálogo Interamericano, fundado em 1982. Segundo  seu site, ele é “ o principal centro dos EUA de análise politica, intercâmbio e comunicação sobre assuntos do Hemisfério Ocidental”


Quem compôem este diálogo?  Responde o website: “Os seletos membros do Diálogo são 100 (destaque meu) cidadãos  ilustres de todo o continente americano, incluindo politicos, empresários, acadêmicos, jornalistas e outros líderes não-governamentais. Dos (100!!!, outra nota minha) membros do Diálogo dezesseis (16) serviram como presidentes de seus países e mais de três dezenas (30) serviram ao nível ministerial.”


Há bastante clareza de que estes membros seletos estão articulados com outras redes e atividades que são financiadas por “indivíduos, empresas, governos e fundações que ajudam a apoiar seus programas  e fornecer  receita operacional essencial”.


Gostaria de assinalar que estas empresas são um grupo de 108 corporações trans-nacionais  que estão na lista das 500 maiores empresas do mundo. Também encontramos uma lista de 21 organizações governamentais e não governamentais e 11 fundações. Os leitores interessados nestes “detalhes” dispõem desta lista no site do Diálogo Interamericano. Estes poderosos senhores são membros do 1% de cidadãos do mundo que são proprietários de 47% da riqueza mundial, segundo o Banco Suisso, num excelente estudo recente sobre o tema.


Pois bem, quem são os proeminentes 100 cidadãos do mundo que formam esta “bem intencionada” rede que atrai os recursos destas pontas da “elite” econômica e política mundial. Não nos cabe apresentar em detalhe esta rede aqui, mas podemos perguntar-nos: como farão para compatibilizar eticamente sua militância em organizações politicas nos seus países e sua fidelidade a uma organização com uma clara ambição de exercer um poder mundial a serviço de seus membros financiadores.


Dada nossa preocupação com o processo eleitoral presente no  Brasil neste momento, reservamos a apresentar a  lista dos membros brasileiros da Aliança Inter americana, segundo a lista oferecida pelo seu website:


Membros Brasileiros:


Fernando Henrique Cardoso (Conselho de Administração - Presidente Emérito). Ex-presidente do Brasil.


Luiz Fernando Furlan. Presidente do Conselho da Fundação Amazônia Sustentável e ex-presidente do Conselho de Administração da Sadia – SA.


Marcos Jank (Conselho de Administração). Diretor Executivo Global de Assuntos Corporativos (responsável pelas áreas de relações governamentais, relações públicas, sustentabilidade e pelo Instituto BRF; responsável também pelos investimentos sociais da empresa) da BRF.


Ellen Gracie Northfleet. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil.


Jacqueline Pitanguy. Coordenadora Executiva – CEPIA; Presidente do Conselho Diretor do Fundo Global para Mulher; Membro do Conselho Curador do Fundo Brasil de Direitos Humanos.


Marina Silva. Ex-senadora e Ministra do Meio Ambiente do Brasil.


Roberto Teixeira da Costa. ex-Membro da Diretoria da BNDESPAR.


Jorge Viana. Senator, Partido dos Trabalhadores.


Henrique Campos Meirelles (em licença). Presidente do Banco Lazard Americas.

A presença da candidata a Presidente Marina Silva nesta lista tão seleta pode parecer um arranjo de última hora para influenciar as eleições. Não. A senhora Marina Silva é fundadora desta organização  que conta com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso como presidente emérito. Ele foi presidente desta organização em representação da América Latina enquanto Sol Linowitz (Importante assessor da família Rockfeller) representava os EUA. Nenhuma desta coisas e muitas outras foram divulgadas na imprensa brasileira que noticia tão amplamente as atividades dos cidadãos aqui citados. Isto se deve ao caráter secreto ou reservado destas ações?


Creio que os cidadãos brasileiros têm o direito de ter acesso a este tipo de informação. Creio que deve saber que ninguém chega à disputa do poder político principal de um país como o Brasil sendo um simples “coitado (a)” e que tem atrás dele poderosos interesses políticos, sociais e – sobretudo – econômicos.  E está claro que estes interesses são exclusivos da classe dominante do mundo contemporâneo   e se algum trabalhador quer votar nestas pessoas ele precisa saber que está traindo os interesses e as necessidades de sua classe de origem.


Mas talvez o leitor prefira escutar a voz do porta voz da Aliança Inter–Americana recém publicado no Latin Post de 18 de Setembro, citando um telegrama da Associated Press::


”If she wins, Silva will be the country’s first black (sic) president, AP reports.
“If elected, she has such a remarkable personal story that she’d come to the presidency with a lot of legitimacy, tremendous excitement and high expectations,  Michael Shifter, president of the Washington-based Inter-American Dialogue, said.”
“Se ela ganha, Silva (Marina) será o primeiro negro (sic sobre a origem étnica de Marina) presidente, disse o informe da Associated Press. Se ela for eleita , ela tem uma história pessoal tão marcante que ela levará para a presidência uma grande quantidade de legitimação, uma excitação tremenda e altas expectativas, disse o presidente do Diálogo Inter americano.”  O atual presidente da Aliança Interamericana e as centenas de grupos econômicos que a financia, não conseguem ocultar seu entusiasmo.


É POSSÍVEL SERVIR A DOIS SENHORES?
 É possível servir  a dois senhores? A resposta de Jesus Cristo ao provocador foi muito hábil mas definitiva:   “ A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.”  O cristianismo foi a religião dos escravos e dos explorados pelo Império Romano. O Império Romano esclareceu a opção do Império Romano com a condenação e a execução de Jesus Cristo...  No final daquela Era,  os cristãos derrotaram o Império Romano e instituir o Império Bizantino.


Esta senhora  já tem seu lado. Você vai ajudar seus amigos da elite colocá-la no governo para disporem deste poder a mais no mundo atual. Você vai ajudar  a botá-los do poder?


APẼNDICE:
“Latin Post
Sep 18, 2014 12:36 PM EDT


Marina Silva to Push Cuba Toward Democracy, Work on Relationship With US if She Wins 2014 Brazil Presidential Race
By Scharon Harding
marina-silva-brazil-2014
A month ago, Marina Silva entered the race to become the president of Brazil, after the candidate from her Socialist Party was killed in a plane crash. Now the candidate, who is in a head-to-head race against the incumbent, has given her first foreign interview since joining the race.
Silva is in a “dead-heat” race with Dilma Rousseff, the incumbent, The Associated Press reports. The incumbent is the candidate for the Workers Party, which Silva helped found.
In her interview, Silva explained how she plans to assuage concerns of Brazilians who lament an ineffective and corrupt political system.
“It’s neither the parties nor the political leaders who will bring about change,” she said. “It’s the movements who are changing us.”
Silva has gained popularity thanks to her past work as an activist for the Amazon rainforest and as an environment minister. During her time as environment minister, she helped her country deter deforestation of its jungles.
“Brazil has a great opportunity to become a global leader by leading by example,” Silva said in reference to environmental and human rights issues. “Our values cannot be modified because of ideological or political reasons, or because of pure economic interest.”
Because of her dedication to human rights, Brazil’s approach toward countries like Cuba, China, Iran and Venezuela may see a different focus if Silva becomes president.
“The best way to help the Cuban people is by understanding that they can make a transition from the current regime to democracy, and that we don’t need to cut any type of relations,” Silva explained. “It’s enough that we help through the diplomatic process, so that these [human rights] values are pursued.”
If elected, Silva also plans to fix the relationship between the U.S. and Brazil. The countries’ relationship has been strained ever since the National Security Agency was found to have targeted Brazilian officials like Rousseff via espionage programs more than a year ago.
“Both nations need to improve this situation, to repair the ties of cooperation,” Silva said. “The Brazilian government has the absolute right to not accept any such interference, but we also cannot simply remain frozen with this problem.”
Brazilians will cast their vote for president on Oct. 5, but the vote is expected to go into a second-round ballot three weeks later.
If she wins, Silva will be the country’s first black president, AP reports.
“If elected, she has such a remarkable personal story that she’d come to the presidency with a lot of legitimacy, tremendous excitement and high expectations,” Michael Shifter, president of the Washington-based Inter-American Dialogue, said.

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

EL PRINCIPAL PERIÓDICO COLOMBIANO CONTINÚA LA COBERTURA DE LA CONFERENCIA DE MONICA BRUCKMANN EN EL ENCUENTRO SOBRE EL ÁGUA.

El 'fracking' puede ser una aventura técnica con impactos negativos

Investigadora de Unesco dice que esa tecnología sí puede afectar recursos como el agua


Utilizar el 'fracking' para la obtención de recursos como el gas licuado es arriesgarse a "una aventura tecnológica cuyo impacto ambiental está advirtiéndose que puede ser negativo", dijo hoy la investigadora de la cátedra sobre economía global de la Unesco Mónica Bruckmann.

Esta catedrática y también asesora de Unasur agregó que uno de esos impactos adversos es la contaminación futura de las fuentes de agua."Hay una colección de evidencias en Estados Unidos, que  la contaminación de fuentes de agua en regiones muy lejanas, se debe al 'fracking', porque se han contaminado a partir de las capas muy profundas de la tierra fracturadas, geológicamente hablando". 

Bruckmann hizo este planteamiento en el marco del Foro Nacional del Agua que se inició este jueves en Bogotá, en su séptima edición,  en el que participan conferencistas y expertos nacionales internacionales.

"Hay evidencias fuertes con el uso del 'fracking', porque se están impactando las capas freáticas, se están afectando geológicamente las capas tectónicas, lo que puede llevar a resquebrajamientos internos a grandes profundidades y llevar a desbalances geológicos, con impactos aún impredecibles", manifestó la investigadora.

Al intervenir en el foro organizado por la Universidad Central, con el tema de la 'Geopolítica del agua', Bruckmann dijo igualmente que, de acuerdo con un estudio de la Comisión Económica para América Latina (Cepal), los conflictos sociales en los últimos 5 años en la región ha tenido que ver la explotación minera que afecta directamente el recurso hídrico. Un 35 por ciento de esos conflictos se relaciona con la extracción del oro que requiere el agua y demolición de rocas. "Por cada gramo de oro que se quiere obtener hay que demoler 2 toneladas de roca".

América Latina guarda hoy el 30 por ciento de las reservas hídricas en el mundo. De igual forma, Colombia es actualmente es el segundo país más biodiverso de la región.

Comentó, además,  que las investigaciones realizadas indican que América Latina  puede ser en el futuro un centro de la disputa o el conflicto de grandes potencias para  obtener, por razones de su seguridad nacional, recursos hídricos que se les están agotando a países como Estados Unidos o China.

El foro fue instalado por el rector de la Universidad Central, Rafael Santos, quien señaló que la pobreza del agua que hay en Colombia, no se refiere solamente a la escasez del recursos, sino también a las dificultades que tiene la población para acceder al líquido potable, y a la "deficitaria gestión que se ejerce sobre ella".

En el encuentro participó igualmente el embajador de México en Colombia, Arnulfo Valdivia, quien expresó que su país es uno de los que mayores retos enfrenta en materia hídrica. "No es raro que en un mismo día tengamos una ciudad inundada gravemente en el sur y una sequía que asfixia en el norte".
Comentó que con el Programa Nacional de Infraestructura 2014-2018 que ha diseñado el Gobierno Nacional de México se invertirán 31.900 millones de dólares en obras hidráulicas para fortalecer el abastecimiento de agua, el riego agrícola y elevar la protección de las ciudades contra las inundaciones.

BOGOTÁ

Foto da Conferência da Professora Mônica Bruckman no Fórum Nacional da Água de Bogotá.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ENTREVISTA DE MONICA BRUCKMANN AO JORNAL EL TIEMPO DE BOGOTÁ SOBRE A LUTA GEOPOLÍTICA MUNDIAL SOBRE A ÁGUA.

A CIENTISTA POLÍTICA MONICA BRUCKMANN REALIZA A CONFERENCIA INAUGURAL DO SEMINÁRIO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO.



'La guerra por agua es una amenaza real': experta de Unesco

La región tiene el 30 % de reservas hídricas del planeta. Autoridades y ciudadanos, a cuidarlas.




Foto: ARCHIVO EL TIEMPO
La Amazonia tiene el 30 % de las reservas hídricas del planeta, y crecieron con el hallazg

Los silencios, pero esos prolongados que Mónica Bruckmann vivió a la edad de 8 años, en la selva amazónica del Perú, donde residió con sus padres en un aserradero durante un año, fueron los que marcaron lo que es ella hoy: una socióloga investigadora de los recursos naturales, del agua, de la Cátedra y Red Unesco, la universidad de las Naciones Unidas sobre Economía Global y Sostenible.

Bruckmann, que estará este jueves en el Foro Nacional del Agua organizado por la Universidad Central en Bogotá, señaló que hay un escenario futuro muy crítico en las reservas de agua para países como Estados Unidos, China e India, mientras que América del Sur tiene el 30 por ciento de esos recursos en el planeta. “Hay recursos naturales estratégicos que pueden colocar a nuestra región como centro de disputa en una lógica geopolítica”, dijo a EL TIEMPO. (Lea también: Recuperarán 350 millones de hectáreas degradadas en el mundo).

¿Qué tan grave es la escasez de agua en el mundo?

Hay regiones que tienen escasez evidente y un escenario futuro más crítico, como es el caso de África, que durante 20 años tuvo una sobreexplotación de recursos hídricos, para atender, sobre todo, el mercado europeo, para el consumo de agua embotellada. En Asia, los principales acuíferos tienen una presión muy grande por el alto consumo de China; y otro país crítico es India, que tiene uno de los problemas más graves de abastecimiento de agua para la población. En Estados Unidos avanza un proceso de desertificación y las mediciones muestran que las reservas se estarían consumiendo a un ritmo de un metro lineal por año, que en 10 o 12 años creará una situación grave. En cambio, América del Sur tiene el 30 por ciento de las reservas hídricas del planeta, a las que se suma el gran descubrimiento hecho con el acuífero Alter do Chao, en Brasil, que es un ‘mar de agua dulce’.

En su concepto, ¿cuál es la mayor amenaza que tiene hoy el agua?

Geopolíticamente, tenemos como amenaza la guerra para el acceso y la gestión de recursos naturales estratégicos, y el agua es uno de ellos. Si se hace un balance de las guerras desde la Segunda Guerra Mundial, de alguna manera la mayoría tiene que ver con el acceso y la gestión del recurso natural estratégico, como el petróleo y el gas. He dedicado mucho tiempo a analizar el pensamiento estratégico detrás de esa lógica y las políticas. Por ejemplo, queda claro que en los documentos de política científica, tecnológicos y militares de países que son centrales en la economía mundial, se establece que el acceso al recurso natural estratégico es cuestión de seguridad nacional.

¿Se exagera cuando se dice que en el futuro los conflictos mundiales serán originados por el acceso al agua?

Es un escenario posible futuro, es una amenaza real. Varios analistas vienen levantando esa hipótesis hace varios años. Recordemos que en el continente hay importantes reservas de petróleo. Somos la región en la que de los 10 países más megadiversos del mundo, 5 son suramericanos. Y la biodiversidad no es simplemente un elemento del medioambiente, sino también base material para producir avances científicos que desarrolla la humanidad, por ejemplo, en biotecnología y en el genoma humano. América del Sur tiene reservas importantísimas, el agua es una de ellas, y como fuente abastecedora de otros recursos como los minerales, de los que dependen EE. UU. y China, podrían poner al continente como centro de disputa en esa lógica de que los recursos tienen que ver con la seguridad nacional.

¿Qué piensa sobre Bogotá, que estableció el derecho al agua con un mínimo vital que beneficia a más de 700.000 personas de bajos recursos?

En general, puedo decir que en América el Sur hay una reorientación, al más alto nivel del Estado, que amplía un conjunto de derechos considerados fundamentales, y uno de ellos es el del agua. En la región hay un movimiento que busca que el Estado garantice a la población derechos de gestión, pero también el usufructo de recurso vitales y estratégicos.

‘A hacer adecuada gestión y buen uso del recurso’

¿Cuál es su mensaje a la población sobre el uso del recurso?

Que el tema del agua es un asunto extremadamente serio. Debe trascender la academia y el ámbito de las organizaciones sociales y los gestores públicos. La situación actual en el mundo, en América Latina y en Colombia merece una evaluación, un compromiso de todos.

Creo también que se requiere la concientización sobre el buen uso del recurso doméstico en los sectores urbanos y evitar los procesos de contaminación de las fuentes hídricas para lograr la sostenibilidad de las reservas hídricas. Aquí también debe haber un compromiso de las altas autoridades, que deben crear marcos legales para la adecuada gestión y buen uso de ese recurso. Aunque lo tengamos, debemos cuidarlo.

La crisis de abastecimiento, en el Foro Nacional del Agua

La pobreza del agua, desde los puntos de vista de la crisis de la gobernanza de este recurso, los problemas de abastecimiento y los conflictos por el dominio y uso de las fuentes, son algunos de los temas que se tratarán en la séptima edición del Foro Nacional del Agua, que se iniciará hoy en Bogotá.

El evento, promovido por la Universidad Central, comienza hoy en el Teatro México, con la participación de la investigadora de la Unesco Mónica Bruckmann, quien hablará sobre la geopolítica del agua.

El foro será instalado por el rector de la Universidad Central, Rafael Santos, y al debate sobre geopolítica del agua que se hará en la mañana asistirán como panelistas la directora de Asuntos Marinos y Costeros del Ministerio de Ambiente, Elizabeth Taylor; el secretario ejecutivo de la Comisión Colombiana del Océano, contralmirante Juan Manuel Soltau; el profesor de la Universidad de Buenos Aires Antonio Elio Brailovsky y el profesor del Departamento de Ingeniería Ambiental de la Universidad Central Gelber Gutiérrez, entre otros.

La gobernanza del agua está en la agenda de la tarde, en la que será conferencista principal el investigador del Instituto Mexicano de Tecnología del Agua Sergio Vargas.

Al debate de este eje temático acudirán Ramón Leal, director ejecutivo de la Asociación de Corporaciones Autónomas Regionales de Desarrollo Sostenible (Asocars) y Hernando Márquez, consultor experto en agua potable y saneamiento básico.

Para el viernes está prevista la discusión sobre el abastecimiento del agua, que tendrá como conferencista a Ricardo José Lozano, CEO de People & Earth de Colombia. Estarán también como panelistas Pierre Urriago, director de las Cámaras de Acueducto, Alcantarillado y Aseo (Andesco); Cristian Díaz Álvarez, director del Departamento de Ingeniería Ambiental de la Universidad Central, y Dagoberto Bonilla, director de la Federación de Usuarios (Federriego).

LUCEVÍN GÓMEZ E.
Redactora de EL TIEMPO
lucgom@eltiempo.com

 

 

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