sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NUNCA SE ROUBOU TÃO POUCO

"Não sendo petista, e sim tucano, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país" 

Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. 

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula. 

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos "cochons des dix pour cent", os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas. 

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários? 

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse? 

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido. 

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país. 

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo. 

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas. 

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito. 

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas. 

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras. 

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país. 

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento. 

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre. 

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor? 

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido. 

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar. 

RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) 

Texto publicado originalmente no site da Folha e pode ser acessado através desse link: 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/196552-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml

GOLPE DO CHILE: ASILADO EM MINHA PRÓPRIA CASA

TRANSCREVO UMA BREVE VISÃO DA HISTÓRIA DA MINHA CASA NO CHILE QUE EMPRESTEI À EMBAIXADA DO PANAMÁ PARA ABRIGAR MAIS DE 300 ASILADOS. NELA FICAMOS NOVE "DIFERIDOS" QUE O GOVERNO CHILENO SE NEGAVA A PEMITIR A SAÍDA. DEPOIS DE 5 MESES FOI OBTIDO O DIREITO DE SAIR DO PAÍS. EM SEGUIDA A CASA FOI CONFISCADA PELA DITADURA DE PINOCHET E CONVERTIDA NUM DOS VÁRIOS CENTROS DE TORTURA INSTAURADOS PELA DITADURA.

ATUALMENTE, A "CASA DE THEOTONIO", COMO FICOU CONHECIDA, SE TRANSFORMOU NUM PATRIMÔNIO HISTÓRICO. ESTA HISTÓRIA FOI RESUMIDA NUMA PUBLICAÇÃO SOBRE O BAIRRO NUÑOA QUE ME ENVIOU GENTILMENTE CHRISTIAN SEPULVEDA.


Casa de la Memoria José Domingo Cañas Nº 1367

La casa ubicada en José Domingo Cañas Nº 1367, entre República de Israel y Capitán Fuentes, fue utilizada como cuartel de la DINA y como centro de tortura entre julio y noviembre de 1974, durante la dictadura militar de Augusto Pinochet.1

 Fachada del “Cuartel Ollagüe”, José Domingo Cañas 1367 (demolido), s/f. Fuente: http://www.flickr.com


Antes de 1973 esta casa era utilizada como vivienda particular, siendo su último dueño el sociólogo brasileño Theotonio Dos Santos. Luego del golpe de estado, Theotonio cede su casa a la Embajada de Panamá para utilizarla como centro de refugiados políticos chilenos que buscaban asilo en ese país, pero cuando la situación se vuelve insostenible, debido al número de personas viviendo en la misma casa y al clima político del país, la casa es abandonada en el verano de 1974.2 La DINA comienza a utilizarla como centro de detención y tortura a fines de julio de 1974 y pasa a ser conocida como “Cuartel Ollagüe”. Esta situación fue un cambio a la rutina tranquila de este barrio netamente residencial, no acostumbrado a la presencia de militares armados en las calles, y muy pronto los vecinos comenzaron a notar que sucedían cosas extrañas en esa casa.3 Por este lugar pasaron numerosas personas, sobre todo militantes del MIR, de los cuales al menos 59 nunca más aparecieron.4


 Patio interior de la vivienda, s/f. Fuente: http://www.josedomingocanas.org




  
 Interior del “Cuartel Ollagüe”, s/f. Fuente: http://www.josedomingocanas.org


Sin embargo, el hecho que transformó el destino de esta casa fue el asesinato de Lumi Videla, quien murió a causa de las torturas sufridas en el “Cuartel Ollagüe”. Su cuerpo desnudo y maltratado fue arrojado el 4 de noviembre de 1974 al jardín de la Embajada de Italia, ubicada en Miguel Claro, comuna de Providencia, a pocas cuadras del sector. Se intentó hacer pasar este acontecimiento como un crimen pasional por parte de los refugiados que en ese momento se encontraban asilados en la embajada italiana, pero la investigación rápidamente desacreditó esta versión. La tensión entre el gobierno italiano y la junta militar se intensificó tras hacerse pública la noticia del hallazgo de Lumi Videla en la embajada, y se piensa que fue una acción intencional para obligar a los italianos a cerrar la embajada y a retirarse del país, ya que nunca reconocieron a Augusto Pinochet como presidente y se negaban a abandonar Chile para ayudar a las personas que solicitaban asilo político.5

Lumi Videla con su hijo Dago Pérez Videla, s/f. Fuente: http://www.elciudadano.cl


Cuando entró en funcionamiento la Villa Grimaldi, el “Cuartel Ollagüe” fue utilizado como oficina de la Central Nacional de Informaciones (CNI), casa del SENAME y luego de un largo abandono, la casa pasa a ser parte de Bienes Nacionales, entidad que vende la casa al empresario Pablo Rochet, dueño de las Jugueterías Rochet, quien la demuele el año 2001 ante el rechazo de los vecinos y de los familiares de los desaparecidos6, pocos días antes de ser declarada Monumento Histórico por parte del Consejo de Monumentos Nacionales.

 Manifestaciones frente a la casa de José Domingo Cañas 1367, s/f. Fuente: http://www.lashistoriasquepodemoscontar.cl


 Proceso de demolición, 2001. Fuente: http://www.josedomingocanas.org



Proceso de demolición, 2001. Fuente: www-josedomingocanas.org



Luego de casi 10 años de permanecer como sitio eriazo, desde marzo del 2010 se encuentra en el lugar la Casa de la Memoria José Domingo Cañas, donde se realizan actividades culturales y se recuerda a las personas que pasaron por esta casa.

  Placa conmemorativa con declaratoria de Monumento Histórico, s/f. Fuente: http://www.commons.wikimedia.org


 Memorial donde antes se ubicaba la casa, s/f. Fuente: http://www.commons.wikimedia.org




FUENTES

3   http://josedomingocanas.org/historia/centros-de-detencion/ [consultado el 25 de mayo de 2014]









segunda-feira, 17 de novembro de 2014

China: rumbo a superar a la UE y EUA en gasto en ciencia y tecnología, dice la OCDE

OCDE - París, 12 noviembre 2014

Las restricciones presupuestarias para la Investigación y el Desarrollo (I+D) de la Unión Europea, Estados Unidos y Japón están disminuyendo el peso de las economías avanzadas en la investigación en ciencia y tecnología, solicitudes de patentes y publicaciones científicas, lo que deja el camino libre a China para que en 2019 se convierta en el país que más invertirá en I+D en el mundo, de acuerdo con un nuevo informe de la OCDE.

El OECD Science, Technology and Industry Outlook 2014 revela que, dado que el gasto de los gobiernos de la OCDE y las empresas en I+D aún debe recuperarse tras la crisis económica, la participación de la OCDE en el gasto global en I+D ha caído del 90% al 70% en una década.

El crecimiento anual del gasto en I+D en los países de la OCDE fue de 1.6% de 2008 a 2012, la mitad del correspondiente al periodo 2001-2008, debido a que los presupuestos públicos para la I+D se estancaron o redujeron en muchos países y la inversión empresarial se contrajo. Entre tanto, el gasto de China en I+D se duplicó entre 2008 y 2012.

En 2012, el gasto bruto en I+D (GERD, por sus siglas en inglés) fue de USD 257 mil millones en China, de USD 397 mil millones en Estados Unidos, de USD 282 mil millones en la Unión Europea (28 países) y de USD 134 mil millones en Japón.

China, preparada para superar a EUA en gasto en I+D hacia 2019
GERD, millones de 2005 USD PPP, 2000-2012 y proyecciones para 2024



El informe advierte que, a causa de que las finanzas públicas siguen estando restringidas en muchos países, también se ha limitado más la capacidad de los gobiernos para compensar con financiamiento público la disminución de I+D empresarial, como lo hicieron durante la peor recesión económica. Otras conclusiones clave son:

• El gasto en I+D de 2012 superó los USD 1.1 billones en los países de la OCDE y se mantuvo en USD 330 mil millones en los BRIICS (Brasil, Rusia, India, Indonesia, China y Sudáfrica).

• En 2012, Corea se convirtió en el país que más apoyó la I+D en el mundo, con un gasto de 4.36% del PIB en I+D, superando a Israel (3.93%) y por contraste con el promedio de la OCDE de 2.40%.

• Los BRIICS produjeron alrededor del 12% de las publicaciones científicas de mayor calidad en 2013, casi el doble de su participación una década atrás y en comparación con el 28% de Estados Unidos.

• China y Corea son hoy los principales destinos de autores científicos provenientes de Estados Unidos y experimentaron una “ganancia de cerebros” entre 1996 y 2011.

• Los países europeos muestran una divergencia en I+D a medida que algunos se acercan a sus metas de I+D/PIB (Alemania, Dinamarca) y otros (España, Portugal) se rezagan.

• En la mayoría de los países, de 10% a 20% de la I+D empresarial se financia con recursos públicos, a través de diversos instrumentos de inversión y con base en objetivos de gobierno.

Participación de los protagonistas mundiales en el gasto en I+D



Descargue los datos subyacientes

Este informe es producto de un estudio que se lleva a cabo cada dos años en más de 45 países de la OCDE y economías emergentes. Puede leerlo en inglés aquí, ver los aspectos destacados aquí y encontrar las notas de país aquí.

Para mayor información, o comunicarse con alguno de los autores, a los periodistas se les invita a contactar a Catherine Bremer en la oficina de Medios de Comunicación de la OCDE (+33 1 4524 8097, news.contact@oecd.org.)

REFLECÇÕES SOBRE A ALBA - A EXPERIÊNCIA MAIS AVANÇADA EM INTEGRAÇÃO, SEGUNDO A CEPAL.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Globalização e Civilização

O Professor Theotonio dos Santos encerrou o XIX Congresso Internacional de Contaduría, Administración e Informática com uma Conferência Magistral sobre Globalização e Civilização, tema que sintetiza em grande parte o seu livro sobre Desenvolvimento e Civilização a ser publicado pela Eduerj no principio de 2015.

Indicamos aos leitores deste blog que entrem no nosso Canal do Youtube
https://www.youtube.com/channel/UCkGXaDF3fX9P99Zmk6hzckw
Neste mesmo Congresso foi organizado também um Painel sobre Aportes Teóricos e Metodológicos de Theotonio dos Santos que se encontra também em nosso canal no Youtube.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

PLANO ALTO: UMA SÉRIE AUDACIOSA SOBRE A VIDA POLÍTICA BRASILEIRA

Minha filha Nadia Bambirra participou da equipe de direção de uma audaz série da televisão Record que tenta captar o ambiente político brasileiro, sob o sugestivo título de Plano Alto. São 12 capítulos que você pode ter acesso a partir do seguinte link:

http://www.youtube.com/watch?v=phnYGx8-k4U&sns=em

Vale a pena assistir.

Theotonio Dos Santos









segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O QUE ESTÁ EM JOGO ?

THEOTONIO DOS SANTOS*

*PREMIO MUNDIAL DE ECONOMISTA MARXIANO (2013) DA WORLD ASSOTIATION FOR POLITICAL ECONOMY(WAPE).

Há uma forte tensão internacional em torno da eleição no Brasil. Inclusive uma publicação conservadora e portanto moderada na sua linguagem política - como o The Economist - perdeu o controle e destinou um artigo de capa a favor do candidato do PSDB Aécio Neves. É impressionante notar que uma publicação que apoia grande parte de suas análises em dados muitas vezes inéditos tenha publicado um artigo que parece copiado da imprensa de oposição do Brasil. Seus argumentos não acrescentam nada a uma sucessão de afirmações capciosas manejadas pelos meios de comunicação da grande imprensa brasileira. Contudo o The Economist não deixa de assinalar para seus leitores, em geral conservadores, a essência da disputa eleitoral.
 
Vejamos alguns deles:

1 - Segundo o The Economist o primeiro lugar alcançado por Dilma Rousseff se explica pelo fato de que a maioria dos brasileiros não sentiu ainda na sua vida diária "a desgraça econômica que está por vir proximamente". Isto porque o candidato do PSDB tem lutado para persuardir os brasileiros mais pobres de que "as reformas que ele defende e que o país urgentemente necessita os beneficiará mais em vez de prejudicá-los". O leitor deve convir que o The Economist não tem a capacidade de previsão que ele invoca, seguindo a tradição arrogante dos conservadores. Nisto coincide com a linguagem do candidato do PSDB. Ele apresenta seus colegas de governo como um grupo de pensadores, intelectuais e técnicos absolutamente superiores e únicos capazes de salvar o Brasil da barbárie representada pela influência desses pobres na decisão democrática da luta presidencial. É natural pois: Aécio Neves é filho de um Deputado Federal do ARENA e posteriormente do PDS e parente de vários outros membros da oligarquia mineira entre os quais se ressalta a figura de Tancredo Neves, seu avô e seu maestro político. Lembremo-nos que todos os estudos indicam que 200 famílias mantém o controle de Minas por mais de 200 anos. É interessante notar que depois dos pretensamente "exitosos" governos do último filho mimado desta oligarquia tenha perdido as eleições para um candidato do PT. Algo está passando.

2 – Segundo o The Economist Dilma Rousseff tem um patrimônio político que leva a uma gratidão popular como: "o pleno emprego, salários mais elevados e uma sucessão de programas sociais, não só as transferências do Bolsa Família, mas também habitações a custo barato, bolsas para os estudantes, eletricidade rural e programas de água para os estados pobres do Nordeste. Essas são conquistas reais". Teria que haver um “mas”. Ei-lo: “mas ao lado deles existe um maior, mas menos paupável fracasso tanto na economia quanto na política”. Para o The Economist os problemas da economia mundial e o fim do grande boom de commodities (preços de matérias-primas) prejudicaram o Brasil, mas ele teve um resultado inferior aos seus vizinhos latino-americanos. Para sustentar essa tese o The Economist se apoia num artigo de um grupo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas que pretende provar que o Brasil teve um desempenho bastante bom, mas poderia ter sido muito mais alto se compararmos com os demais países dos BRICS e dos chamados emergentes. Por sorte, os pobres brasileiros não acompanham estas aventuras acadêmicas que não conseguem ocultar o seu sentido ideológico e político. 

3 - Mas por que o Brasil não teria tido esses resultados tão positivos na mesma proporção de outros países ? Ora, seguramente temos ai um argumento novo e importante: este fracasso se explica, segundo a revista, pelo caráter corporativo do seu Estado que favorece certos setores com empréstimos subsidiados através dos Bancos Estatais. Até a Petrobras teria sido danificada e consignam também o abandono da indústria do Etanol. Ao The Economist não lhes ocorre de nenhuma forma o que é realmente negativo: o pagamento dos juros mais altos do Mundo por um Estado que tem superavit fiscal há décadas. A consequência é o corte de gastos públicos que poderiam atender importantes necessidades do povo brasileiro para favorecer menos de 1% da população e a desastrosas práticas de especulação subsidiada pelo setor público. 

4 - Contudo o Ministro da Economia, Guido Mantega, acaba de iniciar uma autocrítica sobre o desastroso aumento da taxa de juros nos últimos dois anos. O país vinha numa alta taxa de crescimento de 6.9% e a Presidenta Dilma ganhava um apoio de mais de 60% quando os “técnicos” do Banco Central descobriram que isso provocava uma terrível ameaça inflacionária que obrigava a aumentar a taxa de juros levando à redução do crescimento sem provocar a queda da inflação. Tivemos dois anos desse remédio com a queda do crescimento econômico, a queda do prestígio da presidência, a emergência de Movimentos Sociais, a perda de energia social que vinha se acumulando no período anterior.

Eis ai uma questão substancial: a “Teoria” Econômica que pretende que toda inflação é resultado de um excesso de demanda não tem nenhum fundamento científico. Somos muitos os que provamos essa tese em várias oportunidades. Inclusive, com a crise de 2008, contamos com a compania que vários prêmios nobel e até o ex-presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan. Que o povo brasileiro pague com seu trabalho essa transferência brutal de rendas para o setor financeiro é, na verdade, o ponto fraco da política macro econômica do governo.

Mas eles os opositores não pretendem corrigir este equívoco que serve somente a uma minoria de menos de 1% da população que não cumpre nenhum papel positivo para o povo brasileiro. Mas que dispõe de um poderoso controle dos meios de comunicação e da política do país. Eles contam ainda com um gigantesco apoio internacional organizado pelos grandes grupos econômicos que ainda controlam a economia mundial.

5 - Já vimos em artigos anteriores como existe pronunciamentos favoráveis ao deficit fiscal dos países amigos dos donos da economia mundial. Citei por exemplo o recente apoio do FMI ao deficit fiscal do México como compensação à privatização do petróleo. Hoje, Segunda-feira, dia 20/10, foi publicada uma entrevista no Jornal O Globo do Secretário-Geral da OCDE. Citemos suas palavras: “o Brasil fez uma mudança muito importante na composição em termos de renda. Incorporou milhões de brasileiros à classe média e criou uma sociedade mais justa. O país ainda é uma das sociedades de Indice de Gini elevado, isto é, o nível de desigualdade é alto até para a América Latina. Não é um problema novo. Há uma tendência secular de desigualdade e uma aceleração disto por conta da crise. Há recuperação em alguns países. O Brasil ainda não está em recuperação. A primeira coisa da fase de recuperação não é a criação de emprego. Primeiro há crescimento sem emprego, no caso de não ter havido reformas suficientes, quando reformas são feitas há recompensas”.

O Brasil está com 5% de desemprego, é uma das taxas mais baixas do mundo capitalista atual. O Secretário-Geral Angel Gurria, um dos melhores economistas keynesianos, não crê que este baixo desemprego é um antecedente favorável para o Brasil ? Ele sugere que as eleições enturvam o debate: “as incertezas relacionadas à mudança de governo ou período eleitoral existe por todo lado. O Brasil não é exceção. Isto acontece ainda mais quando há muitas diferenças entre os candidatos em termos de filosofia (de governo)”. (...) “no caso do Brasil há duas plataformas econômicas bem diferentes. As pessoas estão esperando para ver o que acontece quando a eleição acabar e o novo governo, seja lá qual for, der os sinais do que vai fazer, a economia vai voltar a crescer logo. Não entrem em pânico. Cabeças frias devem prevalecer na política e na guerra, mas também na economia. Isto permitirá focar nas posições certas".

Talvez por sua origem latino americana Gurria coloca as coisas no seu lugar, não há fracasso econômico. Há erros que podem e devem ser corrigidos. Resta saber qual é a filosofia de governo das duas grandes correntes políticas que se enfrentam no Brasil.

Num segundo artigo dessa edição do The Economist seus redatores parecem dar-nos a solução. Este artigo começa com uma entrevista com a senhora Da Silva no interior do Nordeste brasileiro. Depois de ouvir seu total apoio à Dilma pelas mudanças que realizou na sua pequena cidade do interior, o The Economist tenta outra vez desestruturar este apoio e nos coloca diante do seguinte dilema: para eles “se o Brasil quer prosperar e atender as espectativas crescentes de seu povo o próximo governo vai ter que assumir muitas tarefas que o atual não realizou. Em Serrinha uma agradecida senhora, Da Silva, pensa que a senhora Rousseff é a pessoa certa para esse trabalho: se eu pudesse votar por Dilma mil vezes eu o faria, disse ela. Milhões de outros compatriotas acreditam que o senhor Neves oferecerá um melhor prospecto de mudanças que o Brasil necessita e acreditam que ela não poderá fazê-lo”.

Trata-se portanto das forças políticas que comandarão o destino do Brasil com importantes consequências internacionais, se não o The Economist não estaria tão interessado nesta eleição. Decida, meu caro leitor, de que lado do povo brasileiro você está: da senhora Da Silva e seus companheiros atendidos pela primeira vez na vida ou do lado do filho do Deputado e neto do Presidente que nunca nem soube das suas necessidades.

MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Importante mestrado em administração do PPGAd/UFF num pais onde os neoliberais destruiram a administração pública e também a privada, convertida numa técnica de servidão ao grande capital internacional, apesar de todos os fracassos da administração privada nos últimos anos, responsáveis pela quebra generalizada das empresas transnacionais,  particularmente do sector financeiro, que vêm sendo salvas pela intervenção estatal com generosas subvenções dos estados.

-Edital de Seleção do Mestrado em Administração do PPGAd/UFF - RETIFICADO para o ano de 2015.


Nossa página no Facebook:: https://www.facebook.com/ppgad.uff/info
Site do PPGAd UFF: www.adm.uff.br

México: Teoria, Metodologia, Globalização e Civilização

Durante o 19º Congresso Internacional realizado no México em outubro deste ano tivemos uma participação bastante importante.

No primeiro dia do Congresso realizou-se um painel sobre "Aportaciones teóricas y metodológicas de Theotonio dos Santos" com uma excelente participação acadêmica. Nesta oportunidade que o leitor pode acessar em meu canal do Youtube neste link https://www.youtube.com/channel/UCkGXaDF3fX9P99Zmk6hzckw discutiu-se com detalhe e muito interesse grande parte da minha obra.

Neste evento se deu a conhecer as características gerais da edição das obras reunidas de Theotonio dos Santos compilada por María del Carmen del Valle Rivera e Sergio Javier Jasso Villazul e publicada pelo Instituto de Investigação Econômica da Universidade Nacional Autônoma do México - UNAM.

Essa edição em forma de E-Book se divide em 4 Tomos: I. Desarrollo, democracia y socialismo; II. Economía política de la ciencia y la tecnología; III. Crisis, dependencia y dubdesarrollo; IV. Sistema mundial, imperialismo y capitalismo contemporáneo.

A Diretora do Instituto de Investigação Econômica da UNAM Verônica Villarepe fez a apresentação geral da Obra e os compiladores não somente apresentaram mais em detalhe os vídeos como colocaram questões importantes sobre a atualidade da Teoria da Dependência.

Os vários Tomos foram apresentados com uma introdução geral de Theotonio dos Santos e da Diretora do Instituto de Investigação Econômica da UNAM.

Em seguida Maria del Carmen, Leonel Corona e Javier Jasso discutiram aspectos da obra do autor. Leonel Corona dirigiu durante mais de 40 anos o Seminário sobre Economia da Ciência e Tecnologia iniciada em conjunto com Theotonio dos Santos nos anos de 1970 na Divisão de Estudos Superiores de Economia da UNAM.

As Obra Reunidas de Theotonio dos Santos se divide em 4 pontos:

A primeira parte "Desarrollo, democracia y socialismo" está apresentada por Ennrique Dussel, o grande filósofo da libertação recém assumido como Reitor da Universidade da Cidade do México, cuja grave crise ele resolveu.  

Em segundo o Tomo II, Economía política de la ciencia y la tecnología, está apresentado pelos compiladores Maria del Carmem e Sergio Javier.

O terceiro, Crisis, dependencia y subdesarrollo, cujo o autor da apresentação está em negociação. 

E o IV Tomo com apresentação de Orlando Caputto, um dos maiores estudiosos da Economia Mundial desde a década de 60 como participante da equipe de pesquisa sobre a Dependência que Theotonio dos Santos coordenou no Centro de Estudos Socioeconômicos - CESO, da Universidade do Chile. 

Completando essas atividades no México o Professor Theotonio dos Santos realizou uma conferência no Doutorado em Economia Política do Desenvolvimento da Benemérita Universidade Autônoma de Puebla - BUAP com o título "Dos crisis: del sistema y del pensamiento económico dominante".

Estas atividades dão prosseguimento ao acordo entre a BUAP e a Rede e Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas para Economia Global e Desenvolvimento Sustentável.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Para frente ou para trás

A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação.

Theotonio dos Santos (*)

Daqui do México, tenho a impressão de que o mundo está muito preocupado com o que passa no Brasil. Em contato com muitos amigos de vários países em um Congresso Internacional em que participo e no hotel que comparto com os membros de uma reunião da OEA tenho a oportunidade de sentir a preocupação generalizada com o processo eleitoral brasileiro. A política internacional brasileira dos últimos 12 anos trouxe uma esperança impressionante para os povos que buscam sair da condição de subordinação e dependência, particularmente os latino-americanos.

 
Para eles, o Brasil parece ter-se alinhado entre os protagonistas da política internacional representando os interesses da região. Contudo, está muito claro que os setores mais poderosos que controlam a imprensa e os meios de comunicação não veem com bons olhos este novo quadro internacional. Eles não querem mais poderes autônomos no mundo que ate agora controlavam. Por isto se pode observar um súbito alento para estes senhores com a perspectiva de volta ao governo do PSDB no Brasil. Podemos contar com todo tipo de acoes para garantir esta alternativa.

México é um lugar privilegiado para observar este fenômeno. Neste momento, as forcas hegemônicas do sistema mundial veem no México uma alternativa para disputar – pelo menos na America Latina - este protagonismo do Brasil. É impressionante constatar a diferença de tratamento para com o governo mexicano enquanto movem uma guerra psicológica no Brasil há mais de um ano na busca da derrota do PT. Vejam os leitores algumas pérolas deste tratamento:

México mantem uma das mais baixas taxas de crescimento nos últimos 12 anos (1,5%) mas melhorou para 2,4% em 2014, segundo previsões que se entusiasmam com a possibilidade de um 3,5% em 2015. Todos conhecemos o fracasso das previsões do FMI, mas no Brasil se fala de um “fracasso” do governo do PT com taxas de crescimento muito superiores durante o mesmo período.

Quanto ás previsões, não são muito diferentes para os próximos anos. Mas, segundo o FMI, o México tem a vantagem de estar em “livre” associação com os Estados Unidos que estaria se recuperando da brutal crise que jogou para baixo a economia mexicana de 2008 até o ano passado pelo menos. Querem que o México assuma a liderança de uma tal de Alianca do Pacífico e aprofunde a subordinação que vem tendo com os Estados Unidos (com baixo crescimento, moeda em desvalorização, endividamento igual ao seu PIB, déficit fiscal e comercial permanente sem saída estrutural á vista).

México tem déficit fiscal há muito tempo, enquanto o Brasil tem superávit fiscal por pressão destas mesmas forcas políticas. Incrível, os reis dos “superávits” fiscais que nos impedem de investir e atender as necessidades de nossos povos, revelam uma disposição impressionantemente positiva com o novo governo do México. O departamento fiscal do FMI nos surpreende com as seguintes ponderações: “É legítimo que México utilize o déficit fiscal quando se tem momentos de baixo crescimento e, sobretudo, quando se usa para facilitar a acomodação orçamentária de reformas estruturais como as que se concretaram”

Em palavras mais simples para o leitor entender de que se trata com estas afirmações que aparentemente se colocam contra toda a teoria que manejam estes órgãos neoliberais: o México acaba de PRIVATIZAR O PETRÓLEO, havendo sido o primeiro pais da região a criar o monopólio estatal do petróleo no início da década de 1940, logo, tem direito a tudo. Para os amigos dos decadentes donos privados do petróleo mundial tudo vale. O FMI está pronto para voltar a meter-se no Brasil e ajudar a completar a obra privatizadora dos dois governos do PSDB. No fundo, este duplo tratamento que notamos aqui são partes da mesma política.

Querido leitor, seja qual seja sua origem social, étnica e de gênero: No Brasil estão jogando suas cartas duas correntes mundiais:

Uma que se coloca do lado de uma tentativa de “ELIMINACAO” da pobreza, de uma democracia participativa, apoiada na sociedade civil organizada, da soberania de todos os povos para defender suas riquezas naturais e só explorá-las de acordo com as melhores condições de vida dos povos afetados pela sua exploração, do planejamento do desenvolvimento humano e sustentado de todos os povos, da verdadeira liberdade de opinião e de informação, da associação cooperativa de todos setores sociais e de todos os povos, sobretudo dos povos latino-americanos e caribenhos organizados na CELAC, na UNASUL, na ALBA, na Comunidade Andina e particularmente no MERCOSUL que transformou profundamente o comércio brasileiro e a dinâmica da relação brasileira com o mundo americano. Este enfoque se entronca com a crescente unidade dos BRICS ( Brasil, Russia, India, China e África do Sul ) que abre caminho para uma nova economia mundial. Este é o novo BRASIL que a aliança de forcas comandadas pelo Partido dos Trabalhadores está tentando avançar no nosso país com um forte apoio de forcas sociais mundiais que estão em plena ofensiva no mundo.

Do outro lado, estão as forcas que respondem aos interesses do grande capital internacional e dos Estados Nacionais, partidos e grupos sociais que os apoiam e seguem. Eles são terrivelmente poderosos, mas como seus interesses entram em contradição com a grande maioria da humanidade não podem exercer este poder impunemente. Claro que lhes interessa sobretudo controlar a opinião pública mundial com o domínio monopólico dos meios de comunicação para impor a versão adoçada das vantagens do seu mundo. Eles utilizam como instrumento privilegiado desse controle as “guerras psicológicas” que visam criar o ódio contra as forcas do avanço da humanidade e o progresso.
 
Eles comandam a maioria dos órgãos de poder mundial para sustentar a economia mundial desigual e combinada que impõem sobre o conjunto do mundo. Mesmo assim não podem impor totalmente suas idéias e seus interesses. Exemplo disto é a decadência do Grupo dos 7 que pretendeu comandar a economia mundial a serviço da Trilateral, organização criada pelos grandes grupos econômicos internacionais dos Estados Unidos, Europa e Japao. Atualmente eles estão em plena decadência enquanto os povos que eles pretenderam deter estão em ascenso . Estados Unidos assiste sem entender, a China passar o seu Produto Interno

Bruto em 2014. Alemanha e Japao - que disputavam o segundo lugar entre os maiores PIBs do Mundo - lutam para não cair mais diante do avanço do PIB da India. Franca, Italia e Inglaterra lutam para manter os próximos lugares diante do crescimento do Brasil, da Turquia, da Russia e outras potencias emergentes. Eles estão em plena decadência e querem levar consigo os povos sobre os quais exercem uma influencia decisiva baseado nos seus colaboradores e agentes no interior de quase todos os países do mundo. Mas não se enganem. Eles não tem quase nada a oferecer aos povos, principalmente os mais pobres. O grupo que quer voltar ao poder são os mesmos que privatizaram a preco de banana as principais empresas estatais do pais para consumir entre eles mesmos as sobras desta operação de corrupção generalizada.

Agora querem fingir que estão do lado da Petrobrás que não puderam privatizar totalmente mas não se iludam: estão lutando violentamente para controlar o petróleo do Brasil que surpreendeu o mundo com o pré-sal, resultado do esforço tecnológico da universidade brasileira. Eles necessitam de um governo que os ajude a dominar toda esta riqueza. O PSDB já mostrou de que lado está. Voce vai permitir isto?

(*) PREMIO MUNDIAL DE ECONOMISTA MARXIANO (2013) DA WORLD ASSOTIATION FOR POLITICAL ECONOMY(WAPE).

 

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