terça-feira, 28 de junho de 2016

LA TV UNAM DISCUTE LA ECONOMÍA. ENTREVISTA COM THEOTONIO DOS SANTOS SERÁ PUBLICADA EL 4 DE JULIO DE LAS 8 A 9 HORAS DE MÉXICO.




Platicando de Economía. 2016
México: temas económicos de hoy

Del 1° al 8 de julio de 8:00 a 9:00 horas

Fecha
Título
Participantes
1° de julio
México en el capitalismo de hoy.
Berenice Ramírez López.
Oscar Ugarteche Galarza.
4 de julio
Presente y perspectivas de las economías de América Latina y Estados Unidos.
Andrés Blancas Neria.
Patricia Olave Castillo.
Theotonio dos Santos
5 de julio
Crecimiento, desarrollo y distribución del ingreso en México.
Moritz Alberto Cruz B.
José Nabor Cruz.
6 de julio
Innovación, industria y competitividad.
Delia M. Vergara Reyes.
Angelina Gutiérrez A.
Gabriel Bolea C.
7 de julio
Crecimiento, desarrollo y paquete económico 2016
Violeta Rodríguez V.
Irma Manrique Campos.
Eufemia Basilio.
8 de julio
De las llamadas reformas estructurales: energía y educación.
Fabio Barbosa Cano.
Iris Guevara González.
Imanol Ordorika S.


www.tvunam.unam.mx/
Canales de transmisión:
TV abierta canal 30.2
Totalplay canal 389
IZZI canal 411
DISH canal 120
Sky canal 255
AXTEL canal 132

segunda-feira, 30 de maio de 2016

ESPECIALISTAS EM AMÉRICA LATINA (ESTADUNIDENSES E LATINO AMERICANOS) PROTESTAM CONTRA O GOLPE NO BRASIL E SUSPENDEM CONFERENCIA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO POR SEU APOIO AO GOLPE NO BRASIL


ESPECIALISTAS EM AMÉRICA LATINA (ESTADUNIDENSES E LATINO AMERICANOS) PROTESTAM CONTRA O GOLPE NO BRASIL E SUSPENDEM CONFERENCIA DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO POR SEU APOIO AO GOLPE NO BRASIL.

DIANTE DA FORTE MANIFESTAÇÃO DE MAIS DA METADE DOS PARTICIPANTES DO CONGRESSO ANUAL DA LASA (LATIN AMERICAN SCHOLAR ASSOTIATION) - O MAIS IMPORTANTE ENCONTRO DE BRASILIANISTAS E DEMAIS ESPECIALISTAS NA AMÉRICA LATINA NOS ESTADOS UNIDOS E NOS PAÍSES CENTRAIS EM GERAL - O PRESIDENTE DESTA INSTITUIÇÃO SE DECLAROU SOLIDÁRIO COM A MANIFESTAÇÃO (COM CAMISETAS NEGRAS E O GRITO DE "FORA O GOLPE NO BRASIL").

TRATA-SE ASSIM DO PRONUNCIAMENTO OFICIAL DE UMA INSTITUIÇÃO ACADÊMICA SEMPRE CUIDADOSA DE PARTICIPAR EM SITUAÇÕES POLÍTICAS QUE POSSAM CRIAR POLÊMICA ENTRE SEUS MEMBROS. NÃO ADIANTA CHAMAR ISTO DE "NARRATIVA" DO PT. É A REAÇÃO NORMAL DE PESSOAS HONESTAS QUE CONHECEM BEM A SITUAÇÃO NO BRASIL E NA REGIÃO AMEAÇADA EM GERAL PELA INTERVENÇÃO DO GOVERNO E DOS INTERESSES NORTE AMERICANOS. DAQUELES QUE NÃO PODEM ACEITAR UMA AMÉRICA LATINA INDEPENDENTE E DEMOCRÁTICA.


CONFIRA AS FOTOS DA MANIFESTAÇÃO:








 

terça-feira, 17 de maio de 2016

ASSALTO AO PODER NO BRASIL, POR ATILIO BORÓN


Sexta, 13 Maio 2016 12:07; Última modificação em Sábado, 14 Maio 2016 09:15;
Assalto ao poder no Brasil
País: Brasil/ Batalha de ideias

Por: Atilio Borón. Uma quadrilha de bandidos tomou por assalto a presidência do Brasil. Ela é integrada por três atores principais: por um lado, um elevado número de parlamentares (lembrar que sobre dois terços deles pesam gravíssimas acusações de corrupção), a maioria dos quais chegou ao Congresso como produto de uma absurda legislação eleitoral que permite que um candidato que obtenha apenas umas poucas centenas de votos ganhe uma cadeira graças à perversa magia do “quociente eleitoral”. Tais eminentes ninharias puderam destituir provisoriamente a quem chegou ao Palácio do Planalto com o aval de 54 milhões de votos.
Segundo, um poder judicial igualmente suspeito por sua conivência com a corruptela generalizada do sistema político e repudiado por amplas camadas da população do Brasil. Mas é um poder do estado hermeticamente alheio a qualquer classe de controle democrático ou popular, profundamente oligárquico em sua cosmovisão e visceralmente oposto a qualquer alternativa política que se proponha a construir um país mais justo e igualitário. Como se isso já não fosse o bastante, assim como os legisladores, esses juízes e fiscais vêm sendo treinados ao longo de quase duas décadas por seus pares estadunidenses em cursos supostamente técnicos mas que, como é bem sabido, têm invariavelmente um fundo político que é necessário muito esforço para imaginar seus contornos ideológicos.
O terceiro protagonista deste gigantesco furto à soberania popular são os principais meios de comunicação do Brasil, cuja vocação golpista e ethos profundamente reacionário são amplamente conhecidos porque militaram desde sempre contra qualquer projeto de mudança em um dos países mais injustos do planeta.
Ao separar Dilma de seu cargo (por um prazo máximo de 180 dias no qual o Senado deverá decidir por uma maioria de dois terços se a acusação contra a presidenta se ratifica ou não) a presidência temporária recaiu sobre obscuro e medíocre político, um ex-aliado do PT convertido em um conspícuo conspirador e, finalmente, infame traidor: Michel Temer. Infelizmente, tudo leva a crer que em pouco tempo o Senado converterá a suspensão temporal em destituição definitiva da presidenta porque na votação que a retirou de seu cargo os conspiradores obtiveram 55, um a mais do que o exigido para destituí-la*. E isso será assim, embora, como Dilma reconheceu ao ser notificada da decisão do Senado, possa ter cometido erros, mas jamais crimes. Seu límpido histórico nessa matéria resplandece quando é comparado com os prontuários criminais de seus censores, torvos personagens prefigurados na Ópera do Malandro de Chico Buarque quando ridicularizava o “malandro oficial, o candidato a malandro federal, e o malandro com contrato, com gravata e capital”. Essa malandragem hoje governa o Brasil.
A confabulação da direita brasileira contou com o apoio de Washington – imaginem como teria reagido a Casa Branca se algo semelhante tivesse sido tramado contra algum de seus peões na região! Em seu momento Barack Obama enviou como embaixadora no Brasil Liliana Ayalde, uma especialista em promover “golpes brandos” porque antes de assumir seu cargo em Brasília, o qual segue desempenhando, certamente que por pura casualidade havia sido embaixadora no Paraguai, nas vésperas do derrocamento “institucional” de Fernando Lugo. Mas o império não é onipotente, e para viabilizar a conspiração reacionária no Brasil suscitou a cumplicidade de vários governos da região, como o argentino, que definiu o ataque que seus amigos brasileiros estavam perpetrando contra a democracia como um exercício parlamentar de rotina e nada mais.
Em suma, o ocorrido no Brasil é um duríssimo ataque encaminhado não só a destituir Dilma mas também a derrubar um partido, o PT, que não pode ser derrotado nas urnas, e a abrir as portas para um processo contra o ex-presidente Lula que impeça sua candidatura na próxima eleição presidencial. Em outros termos, a mensagem que os “malandros” enviaram ao povo brasileiro foi claro: não votem mais no PT ou em uma força política como o PT!, porque mesmo que vocês prevaleçam nas urnas nós o faremos no congresso, no judiciário e na mídia, e nosso poderio combinado pode muito mais do que seus milhões de votos.
Grave retrocesso para toda a América Latina, que se soma ao já experimentado na Argentina e que obriga a repensar o que foi que ocorreu, ou nos perguntar, em linha com o célebre conselho de Simón Rodríguez, onde foi que erramos e por que não inventamos, ou inventamos mal. Em tempos obscuros como os que estamos vivendo: guerra frontal contra o governo bolivariano na Venezuela, insidiosas campanhas da imprensa contra Evo e Correa, retrocesso político na Argentina, conspiração fraudulenta no Brasil, em tempos como esses, dizíamos, o pior que poderia ocorrer seria que recusássemos a realizar uma profunda autocrítica que impedisse recair nos mesmos desacertos.
No caso do Brasil um deles, talvez o mais grave, foi a desmobilização do PT e a desarticulação do movimento popular que começou nos primeiros passos do governo Lula e que, anos depois, deixaria Dilma indefesa ante o ataque da malandragem política. O outro, intimamente vinculado ao anterior, foi acreditar que se poderia mudar o Brasil somente a partir dos despachos oficiais e sem o respaldo ativo, consciente e organizado do campo popular. Se as tentativas golpistas ensaiadas na Venezuela (2002), Bolívia (2008) e Equador (2010) foram repelidas foi porque nesses países não se caiu na ilusão institucionalista que, infelizmente, se apoderou do governo e do PT desde os seus primeiros anos.
Terceiro erro: ter desestimulado o debate e a crítica no interior do partido e do governo, apanhando em troca uma fraseologia facilista que obstruía a visão dos desacertos e impedia corrigi-los antes que, como se comprovou agora, o dano fosse irreparável. Por algum motivo Maquiavel dizia que um dos piores inimigos da estabilidade dos governantes era o nefasto papel de seus conselheiros e assessores, sempre dispostos a adulá-los e, por isso mesmo, absolutamente incapacitados para alertar sobre os perigos e emboscadas que aguardavam ao longo do caminho. Oxalá que os traumáticos eventos que se produziram no Brasil nesses dias nos sirvam para aprender essas lições.
*Nota da tradução: O número mínimo de votos no Senado para destituir temporariamente Dilma da presidência da República era de 41 votos, portanto foram 14 votos a mais favoráveis ao impeachment do que o mínimo necessário.
Tradução: Diário Liberdade

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CONVITE ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE DIREITO, SOCIEDADE E CULTURA - ELADISC

Nos próximos dias 19 e 20 de maio de 2016 no Auditório de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus Gragoatá, Niterói - RJ, realizaremos o 7º Encontro Latino-Americano de Direito, Sociedade e Cultura- ELADISC.

 

 

VAMOS FALAR DO GOLPE NO BRASIL, FILHO


Pablo Gentili - Secretário executivo do CLACSO e professor da UERJ




 
São quatro e meia da madrugada. Acordo ansioso, angustiado e com uma profunda sensação de impotência. Tenho vontade de sair correndo, de gritar pela janela, de me encolher em um canto, de me tornar invisível, de começar a chorar. Em casa, todos ainda dormem. Já dei voltas e mais voltas. Nos últimos dias, minha cama parece uma montanha-russa, na verdade, um abismo, como a borda fina de uma queda infinita. E eu estou do lado do vazio, querendo chegar à terra firme, que está logo ali, a poucos centímetros, inalcançável. Sei que se olhar para baixo cairei. É melhor ignorar o fato de que meus pés estão apoiados sobre um imenso precipício. Penso em você, meu filho querido. Penso em tantos companheiros e companheiras, amigos queridos desses vinte e cinco anos de Brasil. Penso que não posso, que não podemos começar este dia de infâmia, de ignomínia e de vergonha mostrando desesperança ou desequilíbrio. Penso que não posso, sei que não quero, que este seja o primeiro dia da nossa derrota, mas sim o primeiro da nossa próxima vitória.
Quero e preciso escrever para você antes que chegue o fim um dia que será lembrado como um dos mais nefastos e desonrosos da história democrática da América Latina: o dia em que derrubaram Dilma Rousseff sem outro argumento que o da prepotência da mentira, sem outro mecanismo que a infâmia, sem outro objetivo que continuar fazendo do Brasil uma terra de privilégios, de abusos e de impunidade. Sei que não preciso lhe explicar nada, que com seus dezoito anos você já sabe muito bem o que está acontecendo neste país que, por ser seu, tornou-se meu, embora por vezes você não entenda como, depois de tantos anos, eu ainda não aprendi a pronunciar certas palavras em português.

Quando você nasceu, eu já estava no Brasil há sete anos. Contudo, enquanto você crescia, comecei a compreender que nós nascemos em um país, mas às vezes renascemos em outro. E que ver você crescer, ter a alegria infinita de ter compartilhado com vocês esses anos, fez com que, entre outras coisas, o Brasil ficasse tatuado na minha pele, marcando-a indelevelmente com uma de suas tantas identidades, a dignidade, essa que não dá chance à adversidade porque sabe que o pessimismo foi inventado pelos poderosos para continuar no poder. Você fez o Brasil ficar marcado no meu coração, oferecendo-me essa generosidade cosmopolita própria das ilhas e não dos continentes, essa solidariedade que hoje parece tão distante, tão alheia. Hoje, sinto-me um brasileiro morando em um país estranho, irreconhecível, indescritível.

Todos (ou quase todos) têm uma pátria. Eu tenho a sorte de ter duas. Com você, tornei meu o Brasil da solidariedade, o Brasil da luta pela justiça, pela liberdade e pelos direitos negados historicamente às grandes maiorias. O Brasil dos que não se resignam a aceitar a derrota do bem comum, o Brasil dos da Silva, o Brasil dos que nasceram sem nada além de suas mãos e da posse de seus princípios, sem nada além de seu trabalho e da valentia necessária para reconstruir uma nação que quase sempre os tratou com desdém, um país no qual quase sempre triunfou a infâmia, que os estigmatizou e humilhou, que os desprezou e ignorou. O Brasil dos Joãos e das Marias, o Brasil desses a quem nunca foi permitido falar, porque se supõe que não têm voz, que não sabem o que dizer ou que simplesmente não existem porque ninguém os ouve gritar. O Brasil daqueles que, neste momento, quando ainda não amanheceu, não escrevem como eu suas impotências, mas estão indo trabalhar, como fazem todos os dias, há tantos anos e desde estão cedo na vida, sabendo que poderá faltar até mesmo a comida para alimentar seus filhos, mas nunca aquilo que sempre faltará aos donos do poder e da palavra: a dignidade necessária para olhar o futuro sem sentir vergonha.

Quero escrever a você porque acredito que é necessário compartilharmos um esforço comum para entender o que aconteceu. O que aconteceu com o país e o que aconteceu conosco. Certamente será necessário registrar os fatos, a sequência de eventos que se seguiram nos últimos meses, muitos deles surpreendentes e outros morosos, soporíferos, de tão repetitivos e monótonos. Fazer isso será algo necessário e essencial, é verdade. No entanto, creio que nós também precisamos fazer um grande esforço e, certamente, muito doloroso, para entender quais foram as causas que nos trouxeram até aqui. A reflexão e o conhecimento são fundamentais para a luta política. E a análise de nossas ações, a reflexão sem desculpas do que nós mesmos fomos capazes ou incapazes de fazer para evitar determinadas derrotas é absolutamente essencial para iniciar as lutas que virão, sem repetir as tragédias e farsas da história que teremos de viver.

O conhecimento e a crítica são ferramentas políticas. Se não as aplicarmos a nós mesmos, correremos o risco de viver momentos ainda mais sombrios. Hoje, após o que será um dia de hipocrisia e de infâmia, depois que o senado brasileiro tiver dado início à destituição de Dilma Rousseff, será necessário pensar coletivamente, de forma urgente, aberta e sem concessões, procurando compreender por que tudo isso aconteceu.

Os últimos trinta e cinco anos da história do Brasil foram marcados pelo protagonismo e pela liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) nas grandes conquistas democráticas de um país que saía de uma das ditaduras mais longas da América Latina. O PT não foi o único responsável por essas grandes realizações, é verdade. Sem ele, entretanto, sem suas lutas, seus líderes, seus membros e, em particular, duas grandes organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem Terra (MST), não é possível compreender e interpretar os avanços e retrocessos da democracia brasileira nas últimas décadas.

A chegada de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da república, em janeiro de 2003, foi o resultado e a cristalização de avanços significativos no processo de democratização vivido pelo Brasil desde o fim da ditadura militar, em meados da década de 80. Contrariando as previsões preconceituosas e desqualificadoras daqueles que pensavam que o destino da maior nação da América Latina não podia estar nas mãos de um torneiro mecânico de origem rural e sem estudos universitários, Lula transformou o Brasil em uma nação com um enorme reconhecimento internacional, com um potencial econômico e de desenvolvimento social nunca antes visto na história do país. A sociedade brasileira veria pela primeira vez sua pátria se tornar uma potência mundial com espaço, prestígio e não pouca admiração no cenário global, graças à combinação de políticas de inclusão social que tirariam milhões de pessoas da pobreza extrema, poria fim ao flagelo da fome, multiplicariam o acesso a direitos fundamentais historicamente negados e promoveriam uma distribuição de riqueza sem precedentes no continente. Uma nação que faria valer sua posição estratégica em um novo cenário mundial, sem repetir a histórica subordinação aos interesses intervencionistas norte-americanos, e expandiria o horizonte do multilateralismo, apoiando um forte processo de integração latino-americana. Uma nação que, pela primeira vez, estabeleceria uma forte e ativa relação econômica, política e científica com os países africanos, eternamente desprezados pela diplomacia dominante brasileira.

É um fato curioso que esse progresso impressionante do Brasil durante a última década seja desconsiderado em nosso próprio país, ou quando reconhecido seja atribuído à sorte de se ter vivido uma conjuntura econômica excepcionalmente favorável, com a alta dos preços das commodities, particularmente do petróleo, do minério de ferro, da soja e de outros insumos primários, base das exportações brasileiras. O Brasil não mudou sua matriz produtiva nem sua estrutura tributária, um problema grave para o presente e para o futuro do país, mas de fato transformou radicalmente as prioridades de investimento do fundo público e de estabelecer sem concessões  quem deveria estar no centro das prioridades do orçamento nacional: os pobres e as necessidades acumuladas por uma dívida social endêmica.

Sei que você reclama e afirma, com razão, que nós não fizemos a revolução que tantas vezes prometemos. Mas o nosso governo, o governo daqueles que lutam por mais justiça social, por fazer avançar os processos de construção da igualdade e da expansão da cidadania, de maior liberdade, autonomia e participação democrática, fez com que em menos de uma década o Brasil deixasse de se comportar como uma nação indiferente às demandas, necessidades e direitos fundamentais do povo; que o Brasil deixasse de se mostrar como uma nação subalterna, colonial e dependente diante dos Estados Unidos e das outras potências imperiais do planeta; que se posicionasse diante do mundo como uma nação responsável, soberana e fundamentalmente disposta a reverter o legado de exclusão, miséria e abandono que carregavam sobre seus ombros os setores populares urbanos, os trabalhadores e trabalhadoras rurais, a população negra, as classes médias emergentes e as comunidades indígena.

Não foi uma revolução, ou talvez tenha sido, porém diferente daquela que um dia imaginamos fazer. Quando Lula tomou posse da presidência, em seu discurso histórico de 1 de janeiro de 2003, ele declarou que seu sonho era viver em um país no qual as pessoas comessem pelo menos três vezes por dia. Para aqueles que nunca sentiram a tirania da fome e, ao contrário, exercitam descaradamente seu direito à gula, talvez fosse considerada uma trivialidade populista lutar pelo programa “Fome Zero”. Para aquela esquerda, convencida de que o nirvana da revolução só pode ser alcançado após a aniquilação da burguesia e a derrota definitiva do capitalismo, lutar contra a fome talvez pareça muito pouco heroico. Mas garanto a você que, para os mais de cinquenta milhões de brasileiros e brasileiras para os quais ter um emprego passou a ser um direito, para quem ter acesso a escola, habitação decente ou cuidados médicos básicos passou a ser uma oportunidade real, para eles, filho querido, o que estava acontecendo no Brasil foi algo absolutamente extraordinário e inédito. Certamente não acho que só isso foi importante, mas também o fato de que os mais pobres não tenham acreditado que tudo isso aconteceu graças à generosidade de um Deus, de um líder salvador ou de uma oligarquia paternalista, mas sim como fruto da política e de um Estado que, pela primeira vez, reconhecia-os em sua qualidade de cidadãos e cidadãs. Sei que essa não é a revolução com a qual sempre sonhamos. E espero que não se transforme na única revolução que você e sua geração pretendam realizar em um país que, agora, parece teimar em voltar ao passado, em repetir sua história de injustiça e desprezo pelos mais pobres.

O Brasil se transformou e deu início a um processo de modernização social. O mundo reconheceu e compreendeu que, sem nenhuma sombra de dúvida, os grandes arquitetos dessa mudança foram Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Mas ninguém é profeta em sua própria terra, nós já sabemos disso. A direita brasileira odeia Lula. Ela o odiava antes que ele vencesse as eleições em 2002; ela o odiou durante e após seus dois mandatos presidenciais. Lula sabe que a direita o odeia e que manifesta seu desprezo para com ele e as realizações de seus governos por meio das organizações em que atua: obviamente, os partidos conservadores, as corporações empresariais, algumas das igrejas evangélicas inquisidoras e corruptas, bem como setores dos meios de comunicação, da justiça e das forças de segurança. A direita não o odeia apenas por ser de esquerda ou porque ele pertence a um partido socialista que transformou a esquerda latino-americana. Não. Eles o odeiam porque Lula ampliou direitos e multiplicou oportunidades de desenvolvimento, bem-estar e progresso social para milhões de brasileiros e brasileiras que haviam nascido em um país que os queria calados, silenciados, submissos, invisíveis. Eles o odeiam por ter chegado ao poder e não ter se transformado em mais um na lista de ditadores, medíocres, covardes, incompetentes, mentirosos, medrosos e traidores que compõem grande parte da galeria dos presidentes do Brasil desde a proclamação da república.

O que certos setores mais dogmáticos da esquerda não entendem é como a direita o os grandes grupos econômicos odeiam tanto Lula se seu programa de reformas sociais não interferiu nas estratégias dominantes de acumulação e reprodução do capital durante a última década. Os mais ricos não deixaram de ganhar nos últimos anos; ao contrário, alguns aumentaram suas fortunas. Os níveis de desigualdade, embora tenham diminuído, não alteraram a estrutura profundamente injusta de distribuição da riqueza, do poder e dos benefícios. O que essa esquerda supõe é que, pelo fato de Lula não ter desestabilizado as bases de sustentação do capitalismo vernáculo, o poder econômico, os grandes monopólios de imprensa ou a própria política conservadora deveriam venerá-lo. Não vou pedir que você faça o que eu, quando tinha sua idade, fui incapaz de fazer. Mas quero advertir-lhe a sempre desconfiar das explicações políticas ou sociológicas que parecem simples demais, das análises nas quais não se identifica nenhuma curva, nenhuma margem para dúvidas. A esquerda dogmática está enganada a esse respeito, como quase sempre está enganada, no Brasil e em todos os lugares.

A direita não luta apenas para que seus interesses não sejam questionados; não luta somente para não parar de ganhar nem para continuar a acumular mais riqueza, ou para manter seus interesses inalterados. Ela luta por algo mais: impedir que uma política qualquer acabe desestabilizando ou ameaçando, por meio da ampliação das oportunidades e dos direitos dos mais pobres e excluídos, as estruturas de poder sobre as quais se sustenta um sistema injusto e desigual que pertence a eles e o qual não querem mudar. Não se trata só do capitalismo, mas do capitalismo praticado nos trópicos, o capitalismo selvagem, incapaz inclusive de conviver com uma democracia que seja algo mais do que o comércio de votos entre candidatos insípidos e obedientes. Quando, na América Latina, a democracia produz resultados democráticos, quando serve para afirmar os direitos dos cidadãos, essa democracia é anulada e surgem os golpes de Estado. Desta vez, sem a presença dos militares. Assim como acontece em uma caçada, é uma questão apenas de esperar o momento certo. A democracia está cercada pelos poderes que pretendem transformá-la em uma sombra do que deveria ser, em uma caricatura grotesca, sem conteúdo ou adjetivos que lhe deem alvo e sentido. A classe dominante se convenceu de que se não é possível vencer a democracia, é preciso esvaziá-la. Transformá-la em algo que seja desprezível, desnecessário, em uma sinfonia de procedimentos distanciados da realidade das pessoas. Inútil como uma plataforma mínima a partir da qual sonhar e imaginar um mundo mais justo, mais livre e igualitário. Uma democracia que, afinal de contas, não interesse a ninguém. Uma democracia anoréxica, sem graça, fútil, frívola, insignificante.

Se você se opuser a isso, terá de enfrentar o poder. E esse campo político que chamamos esquerda nasceu para fazer isso: enfrentá-lo.

É por isso que odeiam Lula e farão tudo que estiver ao seu alcance para destruí-lo. Não tem a ver com uma pessoa. Trata-se de um projeto, de uma utopia, de uma esperança que está em jogo. Não é um homem, é um horizonte. Não é Luiz Inácio que os aterroriza, são os Lulas que estão por vir.

E caberá a você e a sua geração inventá-los.

Sim, eu já sei. Imagino sua expressão de tédio ao ler isto. Você me dirá que só sei falar de Lula, contar suas histórias e relatar os feitos de seu governo. Mas que a presidenta é Dilma, e que o “nosso” governo não ia nada bem.

É verdade. O segundo mandato de Dilma começou com um grande erro estratégico, em um momento no qual as condições políticas e econômicas haviam mudado significativamente. Após o apertado resultado das eleições que lhe garantiram a vitória em outubro de 2014, o governo se transformou no defensor de uma maior disciplina fiscal, abandonou os mecanismos participativos e consultivos da política pública, que haviam sido criados durante a gestão de Lula, além de se aproximar estreitamente das perspectivas e enfoques daqueles que assessoram, interpretam e determinam os humores do mercado. Para isso, colocou à frente do Ministério da Economia um exímio neoliberal e lhe deu carta branca para avançar em uma severa política de ajuste fiscal. Se a estratégia era ganhar amigos, o que se conseguiu foi perdê-los por todos os lados. A direita correu pela esquerda, a esquerda não soube para onde correr, e quase ninguém acreditou na promessa de que era possível reduzir drasticamente os gastos públicos sem mexer nos programas sociais.

Dilma Rousseff sempre foi uma excelente administradora, uma militante inabalável e uma lutadora corajosa. Ela é, também, uma pessoa extraordinária, dura e exigente, mas generosa, comprometida e dedicada de corpo e alma à construção de um Brasil mais justo, mais democrático e igualitário. O desprezo com o qual a trataram nos últimos meses é muito mais do que uma rejeição aos caminhos assumidos por seu novo mandato. É uma reação que pode ser explicada no contexto de um fascismo social emergente e a partir de um exercício ensurdecedor de misoginia, de um machismo descontrolado, de pura humilhação pelo simples fato de Dilma ser mulher. Sim, é fato que se ela fosse homem provavelmente também buscariam meios de destituí-la. Mas não creio que se assim fosse teríamos visto se multiplicarem as mais diversas formas de desprezo que foram manifestas nestes dias no parlamento, por alguns meios de comunicação e certos inquisidores evangélicos, com a mais absoluta impunidade.

Não é por acaso que a representação de mulheres no Congresso brasileiro tenha diminuído, e que algumas das poucas que nele têm seus cargos o façam como representantes de seus maridos, também políticos profissionais. Não é por acaso que quase não se tenha negros, e menos ainda mulheres negras, ou indígenas, e menos ainda mulheres indígenas, ou jovens, e menos ainda mulheres jovens. É um fato escandaloso que esse parlamento misógino, machista e recheado de preconceitos, onde a Bíblia é mais citada do que a Constituição, tenha metade de seus membros processados por corrupção e que quem contava os votos a favor da destituição de Dilma tenha sido condenado por trabalho escravo, sendo apresentado diante da sociedade como um grande defensor da democracia.

Dilma Rousseff consolidou e expandiu as reformas sociais dos dois primeiros governos do PT. Sua política de atendimento sanitário com o programa “Mais Médicos”; seu inovador e abrangente programa popular habitacional “Minha Casa, Minha Vida”; seu programa de obras públicas e de infraestrutura; sua política educacional, com foco na educação técnica e profissional, mas também com um amplo desenvolvimento da política cientifica e do programa “Ciência sem Fronteiras”, que se tornou a maior iniciativa mundial de internacionalização de estudantes, foram marcos da maior relevância no desenvolvimento de uma política de inclusão social e de promoção da cidadania.

Agora, meu filho, você está se preparando para entrar na faculdade. Há 12 anos, o Brasil tinha cerca de três milhões e meio de estudantes universitários. Hoje, estamos chegando a quase oito milhões. Em uma década, a matrícula universitária dobrou. Pouquíssimos países do mundo conseguiram isso em tão pouco tempo. E o Brasil conseguiu porque houve uma decisão política fundamental: permitir que milhares e milhares de jovens de setores populares, filhos e filhas de trabalhadores, empregadas domésticas, agricultores e agricultoras, jovens de comunidades indígenas e em particular jovens negros e negras, ingressassem pela primeira vez no ensino superior. O Brasil tem hoje um sistema universitário muito melhor que há uma década. E é muito melhor porque é muito mais justo e democrático, embora ainda existam muitas coisas que precisamos fazer para melhorar nossas universidades.

As elites nunca perdoam aqueles que democratizam o acesso à universidade, essa instituição que sempre foi considerada por eles como sua propriedade e privilégio. As elites não gostam que questionem seu direito sobre o que acreditam que lhes pertence, embora o tenham roubado.

Dilma pode ter se empenhado em criar um plano econômico que não assustasse os setores do poder oligárquico nacional, os especuladores internacionais (que se fazem ser chamados de “investidores”) e aqueles que publicam suas opiniões, fazendo-as passar pela opinião pública. No entanto, também não a perdoaram por colocar em ação um programa de cuidados básicos de saúde que, dada a baixa resposta dos médicos brasileiros, trouxe médicos de Cuba, da Espanha e de toda América Latina. Não a perdoaram por ter garantido o direito a uma moradia digna para famílias que, ao que parece, deveriam ter tido apenas a oportunidade de viver em casas de papelão e lata, empilhadas, correndo o risco de morrer enterradas pela lama após a primeira chuva de verão. Dilma pode ter colocado no ministério de economia o banqueiro mais neoliberal do mundo, mas jamais a perdoaram por ter ousado tirar os pobres do lugar que as oligarquias lhes impuseram ocupar.

Por que prosperou o impeachment, que os senadores estão votando enquanto escrevo estas linhas? Isso, talvez, quase todo o mundo já saiba. A oposição encontrou uma maneira de trazer um partido aliado do governo para o seu pelotão golpista. Assim, o PMDB, partido que sempre esteve no poder nos últimos trinta anos, aderiu sem remorsos ao golpe institucional, sabendo que seria seu principal beneficiário.

O PT havia se aliado ao PMDB e a outros partidos conservadores, possibilitando as articulações que lhe permitiriam chegar ao poder nas eleições de 2010 e de 2014. A democracia é sempre uma estratégia de alianças, e aquele que quer ganhar precisa negociar. Mas o negociar tem seus riscos, especialmente se a negociação é com um partido venal, repleto de corruptos e cuja virtude democrática mais brilhante é a de praticar o oportunismo, tentando estar sempre e em todas as circunstâncias perto do poder. Sob o esmagador impulso do PT para ganhar as eleições de 2010, Michel Temer integrou a fórmula presidencial com Dilma Rousseff. O PMDB alcançaria assim uma enorme influência no terceiro mandato petista. As eleições de 2014 encontraram o PMDB dividido e um setor do partido, liderado pelo próprio Temer, disposto a não correr o risco de perder os espaços conquistados. O casamento com o PT se manteve.

As alianças, filho querido, são o grande mistério da democracia. A grande oportunidade e também a grande armadilha. Sem alianças é impossível chegar ao paraíso, o Éden do poder. Mas nunca se esqueça de que o caminho para o inferno está semeado de alianças que falharam e de pactos que nunca foram cumpridos. Já no século XVII, o cardeal Jules Mazarin advertiu que a arte da política é a arte da traição. Desde então, até hoje, há aqueles que lutam para mudar a política, inventando uma nova forma de ação coletiva e de administração daquilo que pertence a todos, do público, do comum, uma política construída sobre outros valores e outras práticas. O PT foi o partido que ensinou a muitos da minha geração que isso era possível. Não acredito que tenhamos conseguido. Ou, talvez, mal tenhamos começado.

O que chama a atenção é que ainda existam alguns que se surpreendam ou se indignem porque Temer traiu Dilma, quando todo o conjunto da oposição, com a indiferença do Supremo Tribunal Nacional, encontrou a chave do cofre da felicidade e, simplesmente, inventou um crime para dar início ao processo de impeachment. Temer não se tornou um “traidor” diante da oportunidade eminente de chegar à presidência sem ter sido eleito para isso. Não. Aqui, a ocasião não faz o ladrão. O PT precisava de Temer e do PMDB para ganhar as eleições nacionais em 2014. E o PMDB e Temer precisaram de um ano e quatro meses do governo de Dilma Rousseff para arrancar-lhe o cargo das mãos. Que isso tenha sido feito a partir de uma mentira, de um artifício pseudojurídico, de uma farsa ou um grande fiasco, a poucos importa. Assim é a mágica da maioria. Se 367 deputados dizem que houve crime e 137 dizem que não houve, o que aconteceu foi um crime. Talvez a única coisa boa nesse domingo fatídico no qual os deputados brasileiros deram início à destituição de Dilma, foi conhecer a cara desses deputados, muitos dos quais sequer tiveram votos, mas estão lá pela lógica do reboque de candidatos estrelas. Se dou meu voto, por exemplo, para o palhaço Tiririca, também dou meu voto a um conjunto secreto e desconhecido de candidatos bem mais patéticos do que o próprio Tiririca, que serão eleitos com 20 ou 30 votos. Talvez nada disso tenha a menor importância para alguém que vota no palhaço Tiririca, afinal, nem sempre a democracia parece mais séria do que um bom espetáculo circense.

Por que se deveria confiar em Michel Temer?

Um provérbio africano diz que a história não é escrita pelos leões, mas pelos caçadores. Temer finalmente conseguiu ressurgir das cinzas de seu até então medíocre, sem brilho e banal exercício do poder. Uma presença sombria em Brasília que despertava apenas o esporádico interesse da revista Caras. Até algumas poucas semanas atrás, parecia tão esperto quanto o ex-presidente argentino Fernando de la Rua. Hoje, parece mais com Franklin Delano Roosevelt.

O poder e a imprensa fazem milagres, meu filho.

Machismo? Uma mulher que exerce suas funções de controle com firmeza e não se deixa derrubar pela adversidade geralmente é motivo de desprezo por parte de empresários, políticos e jornalistas misóginos que não perderão a chance de fazer piadas, criar rumores ou inventar histórias sobre sua sexualidade. Assim foi tratada Dilma desde que assumiu seu primeiro ministério no governo de Lula, mais de dez anos atrás. Mas agora tudo mudou. Temer é casado com uma mulher branca e loira, 43 anos mais jovem do que ele, “muito feminina”, como a descrevem, sem outra ambição pessoal além de cuidar do lar. Ele, um homem vigoroso, potente, de quase oitenta anos, mas cheio de vitalidade em sua capacidade reprodutiva. Ela, dedicada à sua casa, prolífera, atenciosa, disciplinada, que sabe ocupar seu lugar. Uma combinação perfeita. O casal que o Brasil precisa para sair da crise.

Até poucas semanas atrás, Michel Temer parecia menos sedutor do que o Incrível Hulk. Hoje, parece o George Clooney.

O poder, a misoginia e o Photoshop fazem milagres.

Michel Temer não é Frank Underwood, embora em Brasília se viva a dramatização amazônica de House of Cards, com Chespirito e Cantinflas.

Mas, filho, desculpe, acho que me desviei do que realmente queria lhe dizer. O que pretendo explicar-lhe é que não houve improviso, espontaneidade nem sorte inesperada. Havia um plano: acabar com o governo Dilma e com o PT. Um plano que seguirá seu curso. Um plano que não vai acabar até que eles possam, definitivamente, impedir que Lula chegue à presidência da república pelo voto popular em 2018. Nessa linha, continuarão as questionadas investigações do juiz Sérgio Moro, do procurador-geral Rodrigo Janot, e de todo funcionário, político, delinquente ou delator que pretenda conquistar o Globo de Ouro da justiça brasileira: mostrar que Lula é corrupto.

Sim, eu sei: a corrupção. Cheguei até aqui sem mencionar até agora a palavra “corrupção”. E não porque quis me esquivar do assunto que hoje, para muitos, dentro e fora do Brasil, explica por que Dilma está sendo destituída.

O sistema político brasileiro está infectado pela corrupção. A corrupção não é uma anomalia. Ela é um dos seus elementos constitutivos. É o que impulsiona boa parte dos interesses, relações, influências e preferências de um número significativo de representantes do povo, funcionários públicos, juízes e promotores, membros das forças de segurança pública e, especialmente, do mundo das grandes corporações. Claro que existem políticos, deputados, funcionários, juízes, promotores, policiais, militares e empresários honestos. Mas a corrupção é um dos combustíveis que acionam o sistema. E talvez o principal erro que tenhamos cometido na esquerda brasileira e latino-americana nos últimos anos tenha sido não nos colocar na frente, na vanguarda, como gostamos de dizer, do combate contra a corrupção. Deveríamos tê-lo feito cortando pela raiz qualquer responsável por corrupção entre nossas fileiras, doesse onde doesse, sem nunca deixar de emitir sinais claros sobre de qual lado estávamos. Nosso apoio a uma reforma política que evidencie que o atual sistema partidário promove a promiscuidade entre o mundo privado, os negócios e os interesses públicos, deveria ter sido muito mais explícito e determinado.

Deveríamos ter feito isso sem medo e, especialmente, sem culpa. Não para convencer os corruptos que existem dentro ou fora da política, que operam dentro ou fora da justiça, que atuam dentro ou fora das corporações. Deveríamos tê-lo feito por nosso compromisso com os setores populares, com as classes médias, com as pessoas que, neste país e em todo o nosso continente, trabalham honestamente e constroem sua dignidade cotidiana sem cometer nenhum delito. A imensa maioria das pessoas que compõe nossas nações são cidadãos e cidadãs honrados e bons. Os dirigentes de esquerda, quando deixam de se parecer com elas, começam a se parecer com os empresários, políticos, juízes e policiais cujo comportamento corrupto desejamos combater.

O PT foi o partido brasileiro que, desde o início do primeiro governo Lula e durante os dois mandatos de Dilma Rousseff, mais combateu a corrupção. Trata-se de um fato objetivo, concreto e irrefutável. Nunca se investigou tantos casos de corrupção; nunca a justiça e a polícia federal tiveram tanta autonomia; nunca tanto dinheiro roubado foi recuperado para os cofres públicos. Não acho que isso deva ser considerado um mérito, a menos que o comparemos com o fraco desempenho na luta contra a corrupção por parte dos governos anteriores.

O problema é que, na América Latina, quando a corrupção não é combatida, torna-se imperceptível. E, por outro lado, quanto mais ela é combatida, mais parece presente e mais parece invadir tudo.

É lamentável que o governo tenha pensado que, mesmo sem um relato sobre o que estava acontecendo, as pessoas entenderiam por osmose (ou porque haviam sido feitas boas políticas sociais) que o PT era o principal partido envolvido no combate à corrupção. E como o relato não foi feito pelo governo, a oposição o fez. Assim foi dito e boa parte da sociedade acreditou: a corrupção vem do PT e erradicá-la envolve livrar-se de seu governo.

Conseguiremos demonstrar agora que essa afirmação é falsa?

Certamente será difícil, mas precisamos tentar. Não é esse, meu filho, o único grande desafio que teremos pela frente. Precisaremos enfrentar um governo neoliberal, cuja composição e estrutura representarão um enorme retrocesso na história democrática do Brasil. Governarão agora aqueles que perderam as eleições nacionais há menos de dois anos. Os mercados, a imprensa dominante e as oligarquias os apoiam fortemente. Um amplo setor da sociedade, cansado da crise, talvez também os apoie. Não é preciso ter muita imaginação para prever o cenário que se aproxima: perda de direitos, retrocesso nas reformas democráticas, redução dos espaços de participação, privatização da esfera pública, criminalização do protesto social e exacerbação da intolerância. É a história se repetindo, desta vez em sua condição de farsa. Na década de noventa, o neoliberalismo chegou ao poder pelas mãos do apoio popular. Hoje, voltará apoiado nas muletas do golpe. Não acredito que a falta de dignidade nem a decadência ética sejam sentimentos que tirem o sono de grande parte dos funcionários do novo governo.

Mas a gravidade do momento que estamos vivendo não pode deixar espaço para o pesar, a angústia ou a perplexidade. Precisamos chorar nossas lágrimas em silêncio e nos recompor o mais rápido possível, a fim de lutar as lutas que ainda precisamos lutar. Hoje é um dia de infâmia para a democracia no Brasil e na América Latina. Mas dependerá de nós, em grande parte, que amanhã possa deixar de ser. Vamos ter de recolher os restos da batalha perdida e seguir em frente com dignidade e esperança, com convicção e valentia. As bandeiras da luta pela justiça social e a liberdade humana, a luta pela igualdade e o bem comum, continuam exigindo que as levantemos com orgulho e determinação. Os zapatistas dizem, querido filho, que as bandeiras existem quando existem mãos para fazê-las tremular, quando há mãos para erguê-las e fazê-las brilhar. Nossas bandeiras precisam de muitas mãos dispostas a erguê-las novamente e a lutar por elas. Convencer cada vez mais e mais pessoas, jovens e não tão jovens, de que essa é uma luta justa e necessária será uma das grandes batalhas que teremos de lutar. A luta por um mundo melhor começa aqui e começa agora, construindo um Brasil melhor.

Eu me formei politicamente na luta contra a ditadura e, em seguida, nas dinâmicas de mobilização que acompanharam o processo de transição democrática na Argentina dos anos 80. Aqui no Brasil, muitos jovens como você se formaram politicamente na luta pelas “Diretas Já”, exigindo seu direito inalienável de escolher sem mediação o presidente que deveria governar os destinos da nação.

Você nasceu à militância na luta contra a destituição injusta de uma presidenta honesta e valente, democraticamente eleita pelo voto popular. Eu aprendi a militar exigindo o regresso da democracia que haviam roubado de nós. Você está aprendendo a militar exigindo que não seja roubada a democracia que tanto sofrimento, morte e dor nos custou para conquistar.

Certa vez, Eduardo Galeano disse que a única coisa que se constrói de cima para baixo são os poços. O restante, principalmente o restante das coisas pelas quais vale a pena continuar vivendo, são construídas de baixo para cima. Nosso futuro é uma delas.

Nestes dias eu me lembrava daquela noite de outubro de 2002, quando Lula se consagrou presidente da república diante de José Serra, sucessor de Fernando Henrique Cardoso. Saímos para caminhar junto com um mar de gente, você, sua mãe e eu, na praia de Copacabana. O céu estava nublado de estrelas. As bandeiras vermelhas e as lágrimas de emoção desenhavam serpentinas de esperança nos rostos e nos corpos de milhares e milhares de brasileiros e brasileiras, que estavam dispostos, agora sim, a inventar uma nova nação. Eu carregava você em meus ombros e não parava de repetir que, depois do seu nascimento, aquele era, sem sombra de dúvidas, o dia mais feliz da minha vida.

Os senadores ainda estão votando e já anoiteceu. Dilma começará a deixar a presidência em poucas horas. A sessão não terminou, mas sinto um enorme desejo de voltar e percorrer com minhas lágrimas e minha bandeira vermelha aquela areia branca e aquele céu milagroso que nos acariciou quando para você tudo isso talvez parecesse simplesmente mágico. Venha, vamos juntos outra vez. Não prometo agora carregar você sobre os meus ombros. Mas o que prometo, querido filho, é que estarei ao seu lado, aprendendo novamente a lutar, aprendendo novamente a sonhar.




(Escrito entre a madrugada e a noite do 11 de maio de 2016, um dia infame)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

COMUNICADO DO COMANDO DO SUL DOS EUA ESTABELECE ESTRATÉGIA PARA DERRUBAR GOVERNO DA VENEZUELA


Este documento é extremamente sério e seguramente verdadeiro. Carmen Bohorques além de dirigente do Movimento de Intelectuais em Defesa da Humanidade é uma historiadora de respeitabilidade acadêmica indiscutível. É necessário difundi-lo amplamente e discuti-lo sabendo que seguramente existe um plano similar em relação ao Brasil.  

Cuando todo tiene sentido
El Comando Sur, como brazo armado de las corporaciones en la región, no puede andar perdiendo el tiempo. El apuro se hace cada vez más evidente y el velo entre el terreno de lo real y concreto con lo planificado disminuye en su brecha narrativa, es decir, en el intento mediático de ocultar lo que es un bien orquestado plan que actualmente se encuentra no solo en desarrollo, sino en plena aceleración.
En esto consiste la segunda fase de la operación "Venezuela Freedom" (Libertad Venezuela), de acuerdo al documento que logró revisar Misión Verdad. Y habla de una segunda fase puesto que la primera, desarrollada por el precedesor de Tidd, el general John Kelly, "ha sido confirmada por los últimos acontecimientos".
Para ello, el documento se basa em la (seminal) intervención de Kelly ante el Comité Senatorial de los Servicios Armados del Congreso de los Estados Unidos, el 12 de marzo de 2015 y que fue oportunamente reseñado por esta tribuna. A saber, la intervención se centró en la crisis humanitaria en ciernes "debido a la rampante violencia, la delincuencia y la pobreza, la inflación galopante, la grave escasez de alimentos, medicinas y electricidad".
Como sabemos, el pronóstico de "crisis humanitaria" y sus alrededores fue el eje central de la campaña de la MUD. En tal sentido, señala el jefe del Comando Sur que "la derrota en las elecciones y la descomposición interna del régimen populista y anti-norteamericano recoge el impacto exitoso de nuestras políticas impulsadas con fuerzas aliadas en la región en la fase 1 de esta operación, entre las que destacan:
a. Poner en evidencia el carácter autoritario y violador de los derechos humanos del gobierno de Maduro.
b. Empleo del mecanismo de la Orden Ejecutiva como parte de una estrategia que puede justificar el desarrollo de nuestra política, teniendo como justificativo legal la Constitución y las leyes de Estados Unidos de América...
c. Aislamiento internacional y descalificación como sistema democrático, ya que no respeta la autonomía y la separación de poderes.
d. Generación de un clima propicio para la aplicación de la Carta Democrática de la OEA.
e. Colocar en la agenda la premisa de la crisis humanitaria que permita una intervención con apoyo de organismos multilaterales, incluyendo la ONU" (subrayado nuestro, en negrillas, en adelante).
El documento da testimonio de que sí existe una guerra declarada abiertamente
Para Tidd, "a pesar de las rivalidades y desunión en sus filas, ya que se mueven en su seno diferentes intereses y puntos de vista", la MUD y sus alrededores han "aprovechado las circunstancias para crecer", dice.
Pero semejante "cortesía" del discurso revela, a contraluz, que poco significó tal unión, puesto que, dice a renglón seguido el almirante, "nuestra intervención oportuna ha permitido delinear un camino para una salida rápida del régimen". Algo que evidentemente va más allá del atajaperros político de la MUD.
"Si bien se está enarbolando el camino pacífico, legal y electoral, ha crecido la convicción de que es necesario presionar con movilizaciones de calle, buscando fijar y paralizar a importantes contingentes militares que tendrán que ser dedicados a mantener el orden interno y seguridad del gobierno, situación que se hará insostenible en la medida en que se desaten múltiples conflictos y presiones de todo tipo", remata Tidd en su diagnóstico.
Es sobre esa base que la nueva dirección del Comando Sur, en voz y firma de su nuevo jefe, examina "un conjunto de recomendaciones, para la segunda fase, efectiva de nuestra intervención en Venezuela".
"Cerco y asfixia": las 12 recomendaciones del almirante Tidd
La operación se concibe para ser ejecutada por los Componentes Operacionales del Comando compuesto por el Comando de Operaciones Especiales, la Fuerza Conjunta Bravo y la Fuerza de Tarea Conjunta Interagencial Sur (inteligencia), "concebida como una operación de amplio espectro, conjunta y combinada dentro del área de responsabilidad, priorizando los conceptos estratégicos:fuerza decisiva, proyección de poder, presencia en ultramar y agilidad estratégica".
Estos últimos conceptos contemplados generosamente dentro de la Doctrina de Espectro Completo del Pentágono recogido en el documento Joint Vision 2020 (aquí una traducción), elaborado por la Dirección de Políticas y Planes Estratégicos del Ejército de los EEUU en junio de 2000 y que es, en sí mismo, la matriz doctrinaria de todos los manuales y proyectos de Guerra No Convencional desarrollados hasta hoy en día.
En tal sentido, la recursividad de la guerra contra Venezuela es demostradamente asimétrica, empleando (volviendo a Tidd) "recursos diplomáticos, de información, militares, económicos, financieros, de inteligencia y jurídicos".
Bien lejos quedan los ejércitos de tropas regulares, los tanques, los drones y los misiles. Y demasiado cerca los actores no-estatales, los derechos humanos militarizados de acuerdo a la agenda de la globalización neoliberal, los cómplices mediáticos, los operadores empresariales y los intermediarios políticos con sus respectivos lobbys y escritorios jurídicos. Guerra No Convencional.
La Guerra No Convencional, tutelada por el Comando Sur, nos respira el cuello
En tal sentido es que van las 12 "recomendaciones" de la nueva gestión del Comando, desagregadas "en acciones específicas". Ellas son:
1."Con los factores políticos de la MUD hemos venido acordando una agenda común, que incluye un escenario abrupto que puede combinar acciones callejeras y el empleo dosificado de la violencia armada". Sostiene Tidd que "el referéndum o la enmienda" se impulsa en tanto "cobertura" mientras se ampara legitimidad a partir de los artículos 333 y 350 de la Constitución.

Donde, además, ofrece la siguiente joya de pasaje: "Es indispensable destacar que la responsabilidad en la elaboración, planeación y ejecución parcial (sobre todo en esta fase-2) de la Operación Venezuela Freedom-2 en los actuales momentos descansa en nuestro comando,
pero el impulso de los conflictos y la generación de los diferentes escenarios es tarea de las fuerzas aliadas de la MUD involucradas en el Plan, por eso nosotros no asumiremos el costo de una intervención armada en Venezuela, sino que emplearemos los diversos recursos y medios para que la oposición pueda llevar adelante las políticas para salir de Maduro".
2. "Bajo un enfoque de 'cerco y asfixia', también hemos acordado con los socios más cercanos de la MUD, utilizar la Asamblea Nacional como tenazapara obstruir la gobernanza: convocar eventos y movilizaciones, interpelar a los gobernantes, negar créditos, derogar leyes".
3. "...en el plano político interno hay que insistir en el gobierno de transicióny las medidas a tomar después de la caída del régimen, incluyendo la conformación de un gabinete de emergencia, donde puedan incluirse sectores empresariales, jerarquía eclesial, sindicatos, ONGs, universidades.
4. "Para arribar a esta fase terminal, se contempla impulsar un plan de acción de corto plazo (6 meses con un cierre de la segunda fase hacia julio-agosto de 2016), como señalamos, hemos propuestos en estos momentos aplicar las tenazas para asfixiar y paralizar, impidiendo que las fuerzas chavistas se pueden recomponer y reagruparse".

Además, como dice más adelante de "insistir en debilitar doctrinariamente a Maduro, colocando su filiación castrista y comunista (dependencia de los cubanos) como eje propagandístico, opuesta a la libertad y la democracia, contraria a la propiedad privada y al libre mercado. También doctrinariamente, hay que responsabilizar al Estado y su política contralora como causal del estancamiento económico, la inflación y la escasez".
5. "Mantener la campaña ofensiva en el terreno propagandístico, fomentando un clima de desconfianza, incitando temores, haciendo ingobernable la situación. En esto es importante destacar todo lo que tiene que ver con desgobierno: las fallas administrativas, la afectación con los altos índices de criminalidad y la inseguridad personal". Señala el documento, además, que para el desarrollo de dicha ofensiva propagandística cuentan con los jóvenes que demuestran "una creciente identidad con nuestra forma de vida e ideales". Además rematando el punto: "Estos avances en los actuales momentos, son el resultado de nuestras campañas propagandísticas, pero no podemos obviar el peso de la crisis como dato empírico que la detona y refuerza".
6. "Por esto", continúa en el siguiente punto, "particular importancia tiene la explotación de los temas como la escasez de agua, de alimentos y de electricidad, teniendo este último aspecto un carácter grave para el gobierno, ya que la sequía ha generado una amenaza de colapso de los embalses y debemos prepararnos para explotarlo al máximo desde el punto de vista político, reforzando la matriz mediática que ubica la crisis eléctrica como responsabilidad exclusiva de Maduro".
7. "Especial interés adquiere en las actuales circunstancias, posicionar la matriz de que Venezuela entra en una etapa de CRISIS HUMANITARIA por falta de alimentos, agua y medicamentos, hay que continuar con el manejo del escenario donde Venezuela está 'cerca del colapso y de implosionar' demandando de la comunidad internacional una intervención humanitaria para mantener la paz y salvar vidas".
8. En el plano de la creación de alianzas en lo regional, "hay que insistir en la aplicación de la Carta Democrática, tal y como lo hemos convenido con Luis Almagro Lemes", lo que le reviste de un marco jurídico capaz de mover otros resortes de la intervención de forma indirecta, valiéndose de ex presidentes, gobiernos afines y la Alianza Parlamentaria Democrática de América.

Pero la cosa cobra un matiz aún más operativo cuando en el mismo punto se destaca que "se hace relevante
la coordinación entre organismos de la Comunidad de Inteligencia y otras agencias como las organizaciones no gubernamentales (ONGs), corporaciones privadas de comunicación como la SIP y diversos medios privados (TV, prensa, redes, circuitos radiales)".
9. "No se puede dejar a un lado el esfuerzo que hemos venido haciendo para vincular al gobierno de Maduro con la corrupción y el lavado de dinero (...) para demostrar la vinculación de los personeros del gobierno (...)sumariados en la Orden Ejecutiva. En estas coordenadas, hay que desarrollar campañas mediáticas con los testigos protegidos que colaboran con la aplicación del decreto del 9 de marzo de 2015".
10. Al abordar la cuestión militar, detalla el documento cómo han "ganado adeptos en sectores institucionalistas" producto de su "exitosa campaña". No obstante, es preocupación del Comando Sur lo que según su propio lenguaje, "existe una alta probabilidad de que los mandos identificados con el chavismo duro ofrezcan resistencia, sobre todo en unidades élites que históricamente se han alineado con el régimen. Por eso, hay que sostener el trabajo de debilitar ese liderazgo y anular su capacidad de mando".
11. "Lectura similar es necesario hacer en relación al empleo que va a hacer el gobierno de las llamadas milicias y colectivos armados. La presencia de este personal combatiente y fanatizado en las ciudades priorizadas en el plan, se convierten en obstáculos para las movilizaciones de calle de fuerzas aliadas y grupos opositores, siendo también un impedimento para el control efectivo de instalaciones estratégicas. De allí la demanda de su neutralización operativa en esta fase decisiva".
12. "Si bien en la situación militar no podemos actuar ahora abiertamente, con las fuerzas especiales aquí presentes hay que concretar lo ya anteriormente planificado para la fase 2 (tenaza) de la operación. Los entrenamientos y aprestos operacionales de los últimos meses, con la Fuerza de Tarea Conjunta Bravo en la base de Palmerola, en Comayagua –Honduras, la Fuerza de Tarea Conjunta Interagencial Sur–, permite colocar tales componentes en condiciones de actuar rápidamente en un arco geoestratégico apoyado en las bases militares de 'control y monitoreo' en las islas antillanas de Aruba (Reina Beatriz) y Curazao (Hato Rey); en Arauca, Larandia, Tres Esquinas, Puerto Leguízamo, Florencia y Leticia en Colombia; todo ello como Lugar de Operaciones de Avanzada (FOL), con proyecciones sobre la región central de Venezuela donde se concentra el poderío político-militar", para luego enumerar los activos militares dispuestos para la operación.
Existe un esfuerzo por influir psicológicamente a la población contra su gobierno
Estos son los 12 puntos en los que se concentran un arco de acciones, factores y activos con los que el Comando Sur tutela la Guerra No Convencional, la combinación de recursos asimétricos que también la caracterizan como una guerra híbrida, y la negación del rostro en sus actores y responsables sobre el terreno, volcando la acción a una presunta responsabilidad política establecida de antemano en el teatro de operaciones mediático.
Es así cómo se corrobora que detrás de la Guerra No Convencional" buscan explotar las vulnerabilidades políticas, militares, económicas y psicológicas de un poder hostil, mediante el desarrollo y el sostenimiento de fuerzas de resistencia que cumpla con los objetivos estratégicos de los Estados Unidos".
Aún más, en esta comprobada metódica, bajo el mismo patrón de agresión que se ha empleado en otros escenarios, la investigadora Sharmine Narwani apunta: "El aspecto más vil de la GNC –aparte de las obvias violaciones a la legislación internacional en relación a su soberanía, integridad territorial y la pérdida de vidas humanas / propiedades, etc.– es el esfuerzo agresivo y proactivo por influir psicológicamente a la población contra su gobierno".
Las dos citas del miedo yanqui
Es expresivo que así como conciben con una aparente precisión de relojería cuál va a ser su plan de operaciones de aquí a principios del segundo semestre de agosto (recordar: "6 meses con un cierre de la segunda fase hacia julio-agosto de 2016"), ni siquiera con el tono petulante que los caracteriza no la tienen todas consigo.
Ya vimos cómo conciben como un factor de perturbación la dirigencia militar chavista, apostada especialmente en unidades élite y que son objetivo confesado para quebrar la confianza de la (esencial) llave cívico-militar.
Lo que confirma la tendencia de una de las campañas mediáticas centrales. Pero existe algo más, no es de gratis que "hay que valorar adecuadamente el poderío del gobierno y su base social, que cuenta con millones de adherentes los cuales pueden ser cohesionados y expandirse políticamente. De allí nuestro llamado a emplearnos a fondo ahora que se vienen dando las condiciones".
Es decir, hostigar a la base chavista al punto de la desmovilización por shock, por coacción, por miedo, desencanto y la violencia tutelada y descontrolada que hoy en día encarnan (estúpidas) bandas criminales (bacrim) que han dado un salto cualitativo en sus capacidades operativas, hecho que se hace imposible de concebir sin el apoyo de la triada narcotráfico-tráfico de armas-servicios de inteligencia, capaces de dotar y entrenar a las tales bacrim, que hoy en día todavía reúnen características aparentes de la cultura malandra, pero que en su fondo estructural son ejércitos irregulares en ciernes.
Nuevamente queda claro que el chavismo en la calle es el principal disuasivo, y por lo tanto, el objetivo prioritario.
El chavismo en la calle es el objetivo prioritario
El cazador cazado: para una consideración final
Se ha mitificado hasta extremos harto ridículos la sofisticación y eficacia de la mecánica imperial y sus mecanismos no convencionales de agresión permanente contra naciones soberanas. La consciencia política, la noción de contexto histórico y el conocimiento de causa ante la violencia son elementos que frenan, a pesar del sostenido, inédito y descomunal desgaste, la fractura total de la nación venezolana. Conocer este material, su lógica y sus procedimientos son un paso clave para desarmar la guerra que ya parcialmente se ha impuesto en el escenario nacional.
Pero tampoco ha sido un asunto de lotería que este documento salga al aire, y que haya sido interceptado y puesto en evidencia ante la opinión pública. No sólo el cazador es el que caza: también puede recibir los varapalos del entorno en donde pretende montar cacería.
El documento que aquí se desmenuzó de forma extensa da testimonio de que sí existe una guerra declarada abiertamente, que los actores sobre el terreno se encubren, que los políticos que le dan cuerda mienten y destacan su estatuto de traidores a su suelo, y que necesitan apretar la avanzada destituyente antes de que lo que tienen por condiciones objetivas cambie.
Muchas de las dificultades ahora tienen más rostro. Queda ahora de parte de nosotros.

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