quinta-feira, 14 de junho de 2012

Mais uma indicação bibliográfica

Mariátegui é seguramente um dos mais importantes pensadores marxistas do século XX como nos alerta o querido amigo Michel Löwy.


Novas modalidades de golpes de Estado

As últimas experiências norte-americanas de golpes de Estado se mostraram fracassadas até a exitosa operação em Honduras onde os golpistas conseguiram desenvolver uma versão totalmente falsa dos acontecimentos e sobrepor-se à unanimidade dos países latino-americanos. Só não conseguiram evitar o ódio do povo hondurenho que continua se organizando para imprimir-lhes uma derrota definitiva daqui algum tempo. É necessário abortar o golpe na Síria, país fundamental para o destino do Oriente Médio. Para ajudar nesta tarefa é importante divulgar esta denúncia para ajudar a uma possível resistência.


Iminente golpe de Estado na Síria 

- A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação
por Thierry Meyssan

Os estados membros na NATO e do CCG preparam um golpe de Estado e um genocídio sectário na Síria. Caso pretendam opor-se a estes crimes, ajam quanto antes; façam circular estes artigos na Net e alertem os vossos conhecidos.

Dentro de poucos dias, talvez a partir de sexta-feira 15 de Junho ao meio-dia, os sírios que pretenderem ver as cadeias de televisão nacionais terão estas substituídas nos écrans por televisões criadas pela CIA. Imagens realizadas em estúdio mostrarão cadáveres imputados ao governo, manifestações populares, ministros e generais apresentarão a sua demissão, o presidente el-Assad tratando de fugir, os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades e um novo governo instalando-se no palácio presidencial. Esta operação, diretamente monitorizada a partir de Washington por Ben Rhodes, conselheiro adjunto da segurança nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e preparar um golpe de Estado. A NATO, que esbarrou no duplo veto da Rússia e da China, conseguiria assim conquistar a Síria sem ter de a atacar ilegalmente. Qualquer que seja o julgamento sobre os atuais acontecimentos na Síria, um golpe de Estado poria fim a toda a esperança de democratização.

De maneira absolutamente formal, a Liga Árabe pediu aos operadores de satélite Arabsat e Nilesat para cortarem a transmissão dos media sírios, públicos e privados (Syria TV, Al-Ekbariya, Ad-Dounia, Cham TV, etc.). Existe um precedente, dado que a Liga Árabe tinha já procedido à censura de televisão líbia de forma a impedir os dirigentes da Jamahiriya de comunicarem com o seu povo. Não existe rede hertziana na Síria, onde as televisões são exclusivamente captadas por satélite. Mas este corte não deixaria os écrans apagados. De facto, esta decisão é apenas a parte emersa do iceberg. Segundo informações de que dispomos, diversas reuniões internacionais foram levadas a cabo na semana passada para coordenar a operação de intoxicação. As duas primeiras, de natureza técnica, tiveram lugar em Doha (Qatar), a terceira, política ocorreu em Riade (Arábia Saudita).

Uma primeira reunião juntou os oficiais de guerra psicológica “embedded” em certas cadeias de satélite, entre as quais Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, Fox, France 24, Future TV, MTV. Sabe-se que desde 1998 os oficiais da United States Army's Psychological Operations Unit (PSYOP) foram incorporados na redação da CNN; a partir daí, esta prática foi estendida pela NATO a outras estações estratégicas. Redigiram antecipadamente falsas informações, segundo um “storytelling” elaborado pela equipa de Ben Rhodes na Casa Branca. Um procedimento de validação recíproca foi posto em marcha, cada media devendo citar os outros de forma a contribuir para torná-los credíveis aos ouvidos dos telespectadores. Os participantes decidiram igualmente requisitar não apenas as cadeias da CIA para a Síria e o Líbano (Barada, Future TV, MTV, Orient News, Syria Chaab, Syria Alghad), mas também outras quarenta cadeias religiosas wahhabitas, as quais apelarão ao massacre confessional aos gritos de “Os cristãos para Beirute, os alauitas para o túmulo!”

A segunda reunião juntou engenheiros e realizadores, visando planear a fabricação de imagens de ficção, misturando uma parte em estúdio a céu aberto e uma parte de imagens de síntese. Os estúdios foram arranjados durante as últimas semanas na Arábia Saudita, de modo a reconstituir aos dois palácios presidenciais sírios e os principais lugares de Damasco, Alepo e Homs. Já havia estúdios deste tipo em Doha, mas eram insuficientes.

A terceira reunião agrupou o general James B. Smith, embaixador do EUA, um representante do Reino Unido e o príncipe Bandar Bin Sultan (a quem o presidente George Bush pai designou como seu filho adotivo, ao ponto de a imprensa norte-americana o ter designado como “Bandar Bush”). Tratava-se de coordenar a ação dos media e a do “Exército Sírio Livre”, do qual os mercenários do príncipe Bandar formam o grosso dos efetivos.

A operação, em gestação desde há meses, foi precipitada pelo conselho de segurança nacional dos EUA, depois de o presidente Putin ter notificado a Casa Branca de que a Rússia se oporia pela força a toda a intervenção militar ilegal da NATO na Síria.

Essa operação compreende dois vetores simultâneos: por um lado, diversificar as falsas contra-informações; por outro lado, censurar toda e qualquer a possibilidade de lhes responder.

A interdição das TVs por satélite como forma de conduzir uma guerra não é uma novidade. De facto, sob pressão de Israel, os EUA e a União Europeia impuseram sucessivas interdições a cadeias libanesas, palestinianas, iraquianas e líbias. Nenhuma censura foi imposta a cadeias de satélite provenientes de outras partes do mundo.

Tão-pouco a difusão de notícias falsas constitui uma estreia. Entretanto, quatro novos passos significativos foram dados na arte da propaganda durante o decurso das últimas décadas:

- Em 1994 uma estação de música Pop, a “Radio Libre des Mille Collines” (RTML) deu o sinal para o genocídio no Ruanda apelando a “Matar as baratas!”.
- Em 2001 a NATO utilizou os media para impor uma interpretação dos atentados de 11 de Setembro e justificar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Nesta altura, já Ben Rhodes tinha sido encarregado pela administração Bush de redigir o relatório da Comissão Kean/Hamilton sobre os atentados.
- Em 2002 a CIA utilizou cinco cadeias, Televen, Globovision, Meridiano, ValeTV et CMT, para fazer crer que manifestações monstruosas tinham forçado o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chávez, a demitir-se, dado que tinha sido vítima de um golpe de Estado.
- Em 2011, aquando da batalha de Trípoli, a NATO fez realizar em estúdio e difundir pela Al-Jazeera e pela Al-Arabiya imagens de rebeldes líbios entrando na praça central da capital enquanto eles realmente ainda se encontravam longe da cidade, de forma que os habitantes, persuadidos de que a guerra estava perdida, cessaram toda a resistência.

Doravante, os media já não se contentam em apoiar a guerra, eles praticam-na diretamente. Este dispositivo viola os princípios básicos do direito internacional, a começar pelo artigo 19 de Declaração Universal dos Direitos do Homem relativo ao facto de “receber e difundir, sem consideração de fronteiras, as informações e as ideias por qualquer meio de informação”. Sobretudo, ele viola também as resoluções da Assembleia-Geral da ONU, adotadas no final da Segunda Guerra Mundial, para evitar as guerras. As resoluções 110, 381 e 819 interdizem “os obstáculos à livre troca de informações e de ideias” (no caso vertente, o corte das cadeias sírias) e “a propaganda de natureza a provocar ou encorajar toda a ameaça à paz, rotura da paz ou outro ato de agressão”.

No direito, a propaganda da guerra é um crime contra a paz, o mais grave dos crimes, dado que ele torna possíveis os crimes de guerra e os genocídios.

10/Junho/2012


O original encontra-se em www.domenicolosurdo.blogspot.pt/ . Tradução de JCG.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Grande demonstração de apoio à Chávez e sua candidatura socialista

O povo venezuelano acompanhou o presidente Hugo Chávez para entregar a inscrição da sua candidatura ao terceiro período de governo que - segundo nossa imprensa e a internacional - ele impõe, como um ditador que dizem ser, contra seu povo. Estranha ditadura, conforme se pode ver no entusiasmo da multidão que o acompanha, apesar do Banco Mundial e grandes especialistas médicos o tenham por morto há muito tempo, e agora lhe dão dois meses de vida. A grande maioria do seu povo não acredita nessas informações "sérias" e "democráticas" contra o "bloqueio de informação" que seria imposto pelo governo venezuelano. Você acredita nestas manipulações tão grosseiras destas respeitáveis autoridades? Talvez pensem que estas fotos e este programa são falsos... Elas nos foram enviados por J. Blinder (jornalista argentino).


O Candidato da Pátria: Hugo Rafael Chávez Frias

CONHEÇA O PROGRAMA SOCIALISTA DE GOVERNO 2013-2019 DA VENEZUELA

Mediante o link abaixo você poderá acessar as grandes linhas do Programa de Governo citado pelo Comandante Chávez durante sua intervenção, perante um mar de gente, no marco de formalização de sua candidatura ante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela. E as fotos mais abaixo mostram como foi a concentração popular em seu apoio.










ALAI inicia campanha de auto-financiamento

Chamamos todos os companheiros que amam a liberdade de expressão verdadeira e o direito de informação que ajudem no que possam nessa campanha de auto-financiamento da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI), atendendo ao apelo de seu presidente atual Oscar Ugarteche.


Estimado lector/estimada lectora:

En este año, ALAI cumple 35 años de labor informativa vinculada a los procesos democráticos y a los movimientos sociales de nuestro continente.

Durante estos años mucha agua ha recorrido bajo el puente. Iniciamos dando cuenta de la resistencia a las dictaduras militares y la transición a la democracia; hoy ofrecemos pistas para entender los procesos de cambio en el continente y las crisis en el mundo.  Y una constante ha sido el seguimiento de los movimientos sociales, sus avances y retrocesos.

En este trajinar, sin falsa modestia, podemos decir que hemos ganado experiencia en producir servicios informativos que contextualizan la realidad latinoamericana y caribeña y dan cabida al pensamiento crítico que generalmente no encuentra espacio en la agenda mediática comercial.

También hemos trabajado – y lo continuamos haciendo – para construir una plataforma continental de expresión y debate en la que participan líderes sociales, analistas, comunicadores/as, así como medios y redes de comunicación.

Cuando el cerco mediático transnacional no da tregua a los procesos de cambio, ALAI se suma a los medios críticos que han apostado para hacer posible esa “otra comunicación” que apunta a la democratización de la palabra.

No sería posible nuestro trabajo sin la colaboración desinteresada y voluntaria de cientos de personas, medios, organizaciones, centros de estudios y otras entidades con las cuales conformamos una red colaborativa extendida por todo el continente e incluso fuera de él. 

Cada día recibimos mensajes de reconocimiento de nuestros/as lectores y lectoras, quienes señalan la utilidad que tienen los materiales que producimos o difundimos.

En el actual contexto complejo, estamos lanzando una campaña de autofinanciamiento para sostener materialmente este trabajo.  Por ello, acudimos a Uds, nuestros lectores y lectoras, para invitarles a contribuir a la campaña*.  De esta manera podremos garantizar la continuidad de un trabajo informativo alternativo de calidad.

Todo aporte es bienvenido, no importa el monto sino la voluntad de colaborar.  También les invitamos a suscribirse a la revista impresa. 

Súmate a la campaña para sostener el trabajo informativo de ALAI. 


Oscar Ugarteche
Presidente
Agencia Latinoamericana de Información – ALAI

________

* Cómo efectuar tu contribución monetaria:

- por Internet (tarjeta de crédito o cuenta Paypal):
- por Western Union o Money Gram
- por money order, o cheque bancario girado sobre Nueva York
- (desde Ecuador solamente) por cheque o depósito bancario.

Indicaciones para cada caso:
http://alainet.org/donaciones.php
o escribe para solicitar otras opciones de pago a:
alaiadmin@alainet.org

terça-feira, 12 de junho de 2012

Lançamento de “Ensaios sobre cultura e o Ministério da Cultura”, de Celso Furtado.


Chamo a atenção para o livro em que Rosa Furtado reuniu as contribuições de Celso Furtado sobre a importância da cultura para a compreensão do desenvolvimento econômico sobre a importância da cultura para a compreensão do desenvolvimento econômico, social, humano e sustentável. Estou trabalhando num livro sobre desenvolvimento e civilização no qual desenvolveu muitas das questões colocadas por Celso. Vamos todos ao lançamento-debate.


Acaba de ser lançado o volume 5 da coleção Arquivos de Celso Furtado, sob o título “Ensaios sobre cultura e o Ministério da Cultura”. Nesse novo volume Rosa Freire d’Aguiar Furtado, diretora da coleção, reuniu textos de Celso Furtado, quase todos inéditos, escritos principalmente nos anos em que ele esteve à frente do Ministério da Cultura (1986-88) e desde que tomou posse na Academia Brasileira de Letras, em 1997. Há também as contribuições de Celso Furtado para a Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento (1993-95), iniciativa da ONU e da UNESCO, e da qual ele foi o único representante brasileiro. O volume traz Introdução de Rosa Freire d’Aguiar Furtado, dois artigos de colaboradores de Furtado — Angelo Oswaldo de Araujo Santos e Fabio Magalhães — e duas longas entrevistas do autor sobre temas culturais.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

Pensando a cultura   7
Rosa Freire d’Aguiar Furtado

DOCUMENTOS   DE   CELSO   FURTADO

Primeiras reflexões

Que somos?   29
Criatividade cultural e desenvolvimento dependente  43

O Ministério da Cultura

Discurso de posse 51
A economia da cultura 57
Pressupostos da política cultural 61
O IPC, cultura e desenvolvimento tecnológico 67
A ação do Ministério da Cultura 75
Lei Sarney: inovação na cultura brasileira 87
Política cultural e criatividade 91
A SPHAN e o resgate de nossa formação cultural 99
Política cultural e o Estado 103

A Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento

Economia e cultura 109
Cultura e Desenvolvimento 113

Páginas acadêmicas

Homenagem a Jorge Amado 119
Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras 125
Roberto Simonsen  135
Vianna Moog, atualidade de uma obra 137
Rui Barbosa e a política financeira do primeiro governo republicano 139
Darcy Ribeiro e O povo brasileiro 143
Machado de Assis: contexto histórico 145
Machado metafísico 151
Visitando Tobias Barreto 153
Revisitando Euclides da Cunha 155

ARTIGOS

Celso Furtado, ministro da Cultura 161
Ângelo Oswaldo de Araújo Santos

Celso Furtado e os desafios do Ministério da Cultura 177
Fabio Magalhães

ENTREVISTAS

A política cultural deve liberar as formas criativas da sociedade 185
Celso Furtado, por Hélène Rivière d’Arc e Hélène Le Doaré

A síntese segundo Celso Furtado 191
Celso Furtado, por Gabriela Marinho


Arquivos Celso Furtado nº 5: Ensaios sobre cultura e o Ministério da Cultura

Celso Furtado
Organização: Rosa Freire d'Aguiar Furtado
Rio de Janeiro: Centro Celso Furtado / Ed. Contraponto, 2012198 páginasISBN: 9788578660451

Em grande parte da nossa história, primeiro como colônia, depois já como nação, o pensamento brasileiro não fez muito mais do que copiar saberes da Europa. Que irremediavelmente nos condenavam. Durante séculos convivemos com uma imagem negativa e pessimista de nós mesmos. Nossa inteligência era um ornamento, um baletrismo avio por importar as últimas modas, incapaz de produzir conhecimento e impulsionar qualquer mudança real.
Na década de 1930, depois de mais de cem anos de vida independente, finalmente amadureceram novas e fecundas interpretações do Brasil. Começa a se formar outra agenda brasileira, que se projeta pela maior parte do século XX em torno de dois desafios fundamentais: identidade e desenvolvimento. Celso Furtado (1920-2004) foi o pensador que melhor sintetizou essas duas questões.
O líder intelectual do desenvolvimentismo, o visionário da industrialização, o criador da Sudene, o ministro do Planejamento, o economista de prestígio internacional todos conhecem. O humanista e homem de cultura, profundamente brasileiro e cidadão do mundo, se desvela plenamente neste quinto volume dos Arquivos, ensaios sobre cultura.
Desde cedo, diz Rosa Freire d´Aguir Furtado na Apresentação, Celso percebeu que “o instrumento da economia era insuficiente para entender os problemas do Brasil e do mundo; e que o uso generalizado, e até abusivo, da matemática, e dos grandes modelos econométricos, deixara de lado outras variáveis importantes. [...] Estudar o desenvolvimento a partir de sua dimensão cultural, como ele o fez, era um enfoque inovador, e hoje é visto por pesquisadores no Brasil e no exterior como um de seus aportes teóricos mais originais. Ele costumava dizer que o homem se justifica pelos que tem – corolário de que o desenvolvimento seria menos o resultado da acumulação material do que um processo de invenção de valores, comportamentos, estilos de vida, em suma, de criatividade”.
Neste volume vemos o Celso das “Sete teses sobre a cultura brasileira” o pensador das relações entre economia e cultura, o formulador de políticas culturais, o leitor atento dos nossos clássicos: Jorge Amado, Roberto Simonsen, Vianna Moog, Rui Barbosa, Machado de Assis, Tobias Barreto, Euclides da Cunha e, é claro, seu grande amigo Darcy Ribeiro. Um lado menos conhecido, mas essencial, de sua grande obra.

César Benjamin

Veja a introdução do livro no site da Editora Contraponto,  clicando aqui.

The contradictions of "Real Socialism", de Michael Lebowitz

Michael Lebowitz vem trabalhando cuidadosamente a questão do socialismo como processo histórico e como solução dos graves problemas que sofre a humanidade em consequência do prolongamento da sobrevivência histórica do capitalismo como modo de produção e como formação social transitória que incorpora avanços do socialismo enquanto mantém a lógica brutal da apropriação da riqueza pelo capital, forma histórica final da propriedade privada dos meios de produção. Saudemos o importante livro que sairá em julho por Monthly Review Press.

The Contradictions of “Real Socialism”: The Conductor and the Conducted, por Michael A. Lebowitz



Paperback, 192 pages
ISBN-13: 978-1-58367-256-3
Cloth (ISBN-13: 978-1-58367-257-0)
Forthcoming August 2012 Price: $15.95 





What was “real socialism”—the term which originated in twentieth-century socialist societies for the purpose of distinguishing them from abstract, theoretical socialism? In this volume, Michael A. Lebowitz considers the nature, tendencies, and contradictions of those societies. Beginning with the constant presence of shortages within “real socialism,” Lebowitz searches for the inner relations which generate these patterns. He finds these, in particular, in what he calls “vanguard relations of production,” a relation which takes the apparent form of a social contract where workers obtain benefits not available to their counterparts in capitalism but lack the power to decide within the workplace and society.

While these societies were able to claim major achievements in areas from health care to education to popular culture, the separation of thinking and doing prevented workers from developing their capacities as fully developed human beings. The relationship within “real socialism” between the vanguard as conductor and a conducted working class, however, did not only lead to the deformation of workers and those elements necessary for the building of socialism; it also created the conditions in which enterprise managers emerged as a incipient capitalist class, which was an immediate source of the crises of “real socialism.” As he argued in The Socialist Alternative: Real Human Development, Lebowitz stresses the necessity to go beyond the hierarchy inherent in the relation of conductor and conducted (and beyond the “vanguard Marxism” which supports this) to create the conditions in which people can transform themselves through their conscious cooperation and practice—i.e., a society of free and associated producers.

From the author’s preface: 

This is not a book for those who already know everything important there is to know about “Real Socialism.” For those fortunate souls who have inherited or adopted the eternal verities of particular political sects on the left, empirical footnotes that strengthen their claim to leadership are the principal tasks of scholarship. As a result, the central question about this book for them is likely to be, “Is he with us or against us?” In short, is this book good for the chosen?

I presume, however, readers who begin with questions rather than answers. What was this phenomenon known as “Real Socialism,” or “Actually Existing Socialism,” a concept created in the twentieth century by the leaders of countries in order to distinguish their real experience from merely theoretical socialist ideas? What were its characteristics? How was this system reproduced? And why did it ultimately yield to capitalism without resistance from the working classes who were presumably its beneficiaries?

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Where fresh insights are rare, indeed, Michael Lebowitz provides a bundle of them. Although no one will (or perhaps should) agree with everything here, the book provides rich material for badly-needed discussion.

— Paul Buhle, author, Marxism in the United States

‘The owl of Minerva only flies at dusk’— it was Hegel’s old maxim that seemed confirmed when in 1991 the Socialist Register published Michael Lebowitz’s article on the nature of ‘real socialism’ amid its very demise. This new book takes off from there, but its wings are buoyed by Lebowitz’s work since then, from Beyond Capital to The Socialist Alternative. The profound understanding in this new book of why twentieth-century attempts at constructing socialism failed must be an essential element in the socialist renewal emerging amid the first great capitalist crisis of the twenty-first century. It thus appears that the old wise owl also flies at dawn.

— Leo Panitch, editor, the Socialist Register

If we want socialism for the twenty-first century, we need to understand why the ‘real’ socialisms of the last century so often ended in capitalism. In this book, Lebowitz shows, theoretically and historically, that the socialism practiced in the Soviet Union and Central Europe was doomed because vanguard relations of production weakened the working class, ensuring that it would have no primary role in the battle ultimately won by the logic of capital (represented by managers) over the logic of the vanguard (represented by the party). We must, he concludes, reject vanguard Marxism and embrace a Marxist vision of socialism in which, from the beginning, the full development of human capacities is actively promoted. There is a lot to learn here.

— Martin Hart-Landsberg, professor of economics, Lewis and Clark College

One doesn’t have to agree with all the theses presented in Michael Lebowitz’s latest book in order to acknowledge that this is a major contribution to the international debate on Socialism of the Twenty-First Century. Drawing lessons from the dramatic failure of so-called “Real Socialism,” he argues, with powerful and persuasive logic, that a new society, based on values of solidarity and community, cannot be created by a state standing over and above civil society: only through autonomous organizations—at the neighborhood, community, and national levels—can people transform both circumstances and themselves.

 — Michael Löwy, co-author, Che Guevara: His Revolutionary Legacy (with Olivier Besancenot)

What would Marx have thought had he lived to see the Soviet Union? Nobody has interpreted Marx to greater advantage to answer this question than renowned Marxist scholar Michael Lebowitz, who explains in The Contradictions of ‘Real Socialism’ why Marx would not have been pleased!

— Robin Hahnel, professor of economics, Portland State University

A riveting exploration of what can be learned from the first attempts to create socialist systems, specifically the period from 1950 through the 1980s. Lebowitz convincingly demonstrates that the distortions of the model developed in the Soviet Union and copied in eastern European countries (‘real socialism’) were caused by setting in motion two contradictory forces—ending up with the worst aspects of both capital and leadership and control by a ‘vanguard.’ He examines the development of ‘real socialism’ as a complex system, with the various parts explained and scrutinized in their interactions and interrelations as part of the system. Required reading for those interested in avoiding diversions and pitfalls in a post capitalist alternative—on the path to creating a system under social, instead of private, control in which the goal is meeting everyone’s basic needs and encouraging and allowing the full human development of all.

— Fred Magdoff, professor emeritus of plant and soil science, University of Vermont; co-author, What Every Environmentalist Needs to Know About Capitalism (with John Bellamy Foster)

We need this well-written book to understand that socialism did not die with the fall of the Berlin Wall.

— François Houtart, Executive Secretary of the World Forum for Alternatives

Michael A. Lebowitz is professor emeritus of economics at Simon Fraser University in Vancouver, Canada, and the author of The Socialist Alternative, Beyond Capital: Marx’s Political Economy of the Working Class (winner of the Isaac Deutscher Memorial Prize for 2004), Build It Now: Socialism for the Twenty-First Century, and Following Marx: Method, Critique and Crisis. He was Director, Program in Transformative Practice and Human Development, Centro Internacional Miranda, in Caracas, Venezuela, from 2006-11.

Reviravolta no México


Meu amigo e intelectual fundamental, Victor Flores Olea, nos coloca diante de um fenômeno espetacular: a possível vitória de Lopez Obrador, candidato presidencial do Partido Revolucionário Democrático do México, vitorioso nas eleições passadas de 2006, roubadas pelo Partido da Ação Democrática, da direita mexicana. As pesquisas eleitorais o colocam em 2º lugar, posteriormente ao seu artigo aparece já em primeiro lugar numa pesquisa francesa. Victor Flores Olea analisa o significado destas novas perspectivas. Analisa também  o papel fundamental da atuação da juventude nas ruas do México. Como no Chile atual que mudou completamente de figura com a presença dos jovens nas ruas lutando pela educação púlica gratuita, enfrentando a mentalidade e a política neoliberal. Esperamos que nossos companheiros mexicanos estejam alertas para 3 questões:

1)    A necessidade de uma mobilização internacional contra o roubo eleitoral. É fundamental preparar a opinião pública mundial para ajudar a garantir um governo progressista no México, na fronteira com a “grande potência” estadunidense.   

2)    A necessidade de abrir caminhos para a juventude que não somente representa a maioria da população em franca radicalização (em que direção? Talvez nosso comportamento indicará a ela a direção correta) como representante destas grandes maiorias desempregadas. Militantes potenciais mas força social capaz de pressionar o poder existente para atender a sua incorporação no sistema econômico - social.

3)    A articulação necessária entre um governo popular e a população chicana nos Estados Unidos. Mais ainda, fortalecendo a identidade desta população com os demais povos “latinos” nesse país. Um governo mexicano progressista deve ser a base de uma plataforma dos latinos, afro-americanos e orientais para produzir uma maioria social anti imperialista nos Estados Unidos.    


LA CONMOCIÓN RECIENTE


Víctor Flores Olea

Se debió, al lado de otros acontecimientos notables, al anuncio de “Reforma” (por una encuesta debemos suponerla rigurosa) señalando que Andrés Manuel López Obrador alcanzaba, para todos los efectos prácticos, en la disposición del voto ciudadano, a Enrique Peña Nieto del PRI y anexos, que según un conjunto de sondeos anteriores había punteado desde hace varios meses, por largo trecho, a los candidatos a la presidencia de la República. La diferencia ahora era sólo de 4 puntos porcentuales, a diferencia de los 20 o más que se habían registrado todavía recientemente.
Conmocionó la nueva cifra porque esos 4 puntos porcentuales se inscriben en los márgenes de error de toda encuesta que se respete, lo cual significa, en buen cristiano, que de hecho AMLO empataba a EPN en las preferencias electorales, con el añadido de que en los últimos tiempos ha tenido un gran empuje su ascenso, en tanto que no hay duda de que la “estrella” de Peña Nieto se ha opacado, o como han dicho algunos comentaristas, su candidatura se está hundiendo (o “despeñando”). Uno sube poderosamente mientras el otro se desinfla, lo cual hace difícil suponer que tales tendencias se van a corregir por arte de magia. Al contrario, todo indica que se reforzarán en el inmediato e inminente futuro (en las próximas 4 semanas), hasta la elección.
Por supuesto, los enemigos de AMLO que hace seis años inventaron lo “del peligro para México”, y que ahora parecían en relativa calma, aprovecharon los incidentes del camino (se presentó la grabación, seguramente apócrifa, de una supuesta petición a empresarios de 6 millones de dólares, para la campaña de AMLO, por un uruguayo que ha aclarado ya que no se pidió ningún dinero, y menos a nombre del candidato de la izquierda). Se trata obviamente de una falsificación sobre la que han pretendido lucrar los otros partidos políticos en campaña.
Por supuesto, otra vez Televisa mostró un oportunismo poco profesional al dedicar al incidente 13 minutos cuando normalmente hubiera merecido de su parte un comentario breve, a lo que se sumó la decisión del PRI de presentar una acusación al IFE. A estas alturas, sin embargo, en el terreno de la corrupción y de las corruptelas, puesto que la opinión pública conoce a AMLO, el candidato de la izquierda está vacunado, sin excluir que sus enemigos le estén proporcionando una publicidad positiva adicional (el “tiro por la culata” para los tramposos).
Pero ¿a qué se debe este viraje de las preferencias electorales? Varias razones explicarían el fenómeno, y mencionaré brevemente algunas:
a) La muy pobre exhibición de Peña Nieto en sus distintas comparecencias recientes, lo mismo entrevistas, discursos o diálogos públicos. En este sentido, desde el primer  momento Carlos Fuentes lo “destapó” muy agudamente (desde la presentación de un libro suyo en la Feria Internacional del Libro de Guadalajara), diciendo que al margen de que no leyera los libros del escritor, a lo cual tenía pleno derecho, resultaba un “presidenciable” muy elemental y limitado intelectualmente para pretender la presidencia de México.
b).- Candidato del PRI, es verdad, pero de un PRI que en estos doce años fuera del poder se dedicó a cualquier cosa menos a renovarse o refundarse. Y con el fardo de sus 70 años en el poder, de lo que no se puede liberar EPN, a pesar de su tesis del “entreveramiento” generacional, resultaba muy difícil que conservara la apariencia del “impoluto” con que ha pretendido mostrarse.
c) Sin duda, uno de los detonadores más potentes de la actual situación política en México, que probablemente le dio en la línea de flotación a la candidatura presidencial de Enrique Peña Nieto, ha sido la movilización estudiantil y universitaria, que cobra ya un perfil nacional y, ¡ojalá!, una amplitud y permanencia que refrescarían y actualizarían extraordinariamente nuestra vida política.
Como se sabe, tal movilización se produjo inicialmente en la Universidad Iberoamericana pero hoy, con la ayuda de los recursos digitales con que cuentan los  estudiantes, la protesta y presencia política de los jóvenes, que fue inmediatamente adversa a Peña Nieto, se extendió a un buen número de centros de enseñanza públicos y privados, del Distrito Federal pero también a un buen número de universidades del país.
A partir de entonces los “chispazos” movilizadores se han sucedido rápidamente, y por supuesto no pueden pasarse por alto las “marchas” o manifestaciones anti-Peña Nieto, a las cuales se han sumado contingentes importantes de la sociedad civil. Se crea y consolida pues, rápidamente, un clima o atmósfera muy contraria a la candidatura del PRI, que muestra ya sus efectos en las “correcciones” importantes de algunas encuestadoras.
Hemos colocado a la movilización juvenil y universitaria como uno de los ejes que determinan hoy los posibles cambios políticos del país, sobre todo en este tiempo electoral. Se trata, por supuesto, de un sector importante de la sociedad mexicana que “toma la calle”. Pero creo que lo fundamental es de orden cualitativo y no solo cuantitativo. Debe reconocerse y admitirse, al escuchar ya sus variadas declaraciones y entrevistas, que realmente se trata no sólo de un profundo movimiento de renovación y “actualización” del discurso político en México, sino de una exigencia dirigida a toda la sociedad para que eleve sus niveles y sea más rigurosa en todos sentidos, desde luego en el de la expresión de las ideas.
Precisamente en un tiempo en que escuchamos discursos o señalamientos políticos a toda hora, no tenemos duda de que el discurso político de los jóvenes universitarios rebasa con mucho en calidad la de los políticos “profesionales”: en claridad, en precisión, en sustancia propiamente dicha. Nada, o muy poco de retórica hueca, a diferencia de la gran mayoría de los discursos de los políticos en esta circunstancia electoral, que parecen abonar todos alegremente los espacios de la vacuidad.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Convite para integrar Conselho do Instituto Jackson Lago


Estimado Presidente
Clay Lago

É para mim uma honra participar do Conselho da Fundação Jackson, lutador inquestionável ao lado do povo do Maranhão e de toda a humanidade. Portanto aceito este honroso convite. Devo adverti-los contudo que tenho graves problemas de tempo mas buscarei adequar-me as exigências desta função as quais gostaria de conhecer em próximo e-mail. Desde logo, estou incluindo no meu blog o teor desta correspondência.

Muito atenciosamente,

Theotonio Dos Santos


"Caríssimo Theotonio dos Santos,

O Instituto Jackson Lago (IJL), fundado dia 1º de fevereiro de 2012, é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, cuja finalidade principal é a preservação e disponibilização da memória material e imaterial da vida pública de Jackson Lago (1934-2011), médico, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), secretário municipal de Saúde, secretário Estadual de Saúde, prefeito da capital São Luís em três mandatos e governador do Estado do Maranhão. Além de parceiro de vida inteiro do saudoso Neiva Moreira.

O IJL objetiva contribuir com o debate sobre o desenvolvimento e a consolidação democrática no Maranhão, no Brasil e no mundo por intermédio da construção de agendas públicas de estudos, pesquisas e debates sobre temas emergentes e contemporâneos.

Em face disso e considerando sua importante atuação na vida intelectual nacional e internacional, gostaríamos de convidá-lo para integrar o Conselho Consultivo do Instituto Jackson Lago, sua participação muito nos honraria. 

No aguardo de sua resposta, despedimo-nos e enviamos nossas cordiais saudações,


Clay Lago
Presidente do Instituto Jackson Lago


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"O tempo do extremo", Míriam Leitão (O Globo - domingo, 3 de junho de 2012‏)


Temos que tirar o chapéu para a senhora entrevistadora, em geral  tão profundamente equivocada. Heraldo  Muñoz nos entrega um livro muito importante para compreender o processo chileno, o golpe de Estado, o governo militar e a abertura que levou à cooperação socialista-social cristã. No momento atual, abre-se uma nota etapa como o expliquei  em outra matéria deste blog.

COLUNA NO GLOBO de Míriam Leitão - 03.06.2012

O tempo do extremo

O embaixador começou a responder e parou. Ficou em silêncio, domando a emoção. Quase desistiu da resposta: “Eu acho que vou...”, disse. No trabalho, o subsecretário-geral da ONU, Heraldo Muñoz, não é conhecido como homem emotivo nem explosivo. É controlado, objetivo. No dia do golpe no Chile, em 1973, ele saiu às ruas com bananas de dinamite. Os 32 segundos de silêncio, na entrevista que fiz com Muñoz na Globonews, foram reveladores.

Alguns jovens da geração dos anos 1960 e 1970 pensaram no impensável e fizeram o que em outras circunstâncias não fariam. Ele começa seu livro “A Sombra do Ditador” com uma frase espantosa: “Na manhã em que o golpe começou quase me tornei o primeiro terrorista suicida do mundo.” Era sobre isso que eu tinha perguntado.

Muñoz, além de subsecretário-geral da ONU, é diretor do Pnud para a América Latina e Caribe. Na época do golpe, era um militante do Partido Socialista. Anos depois, em 1990, estava no governo Patricio Aylwin quando foi instalada a Comissão da Verdade que apurou os crimes da ditadura chilena. Foi embaixador no Brasil e nas Nações Unidas. Na ONU, trabalhou por uma resolução que recomendou em 2009 a instalação de comissões da verdade em países que saíram de períodos ditatoriais:

— Elas sempre tiveram o efeito positivo de buscar as informações. É preciso saber quem matou, quem sequestrou, onde está o corpo, para fechar as feridas. Não pode haver reconciliação sem saber o que aconteceu. Tem gente que diz: vamos virar a página, porque tudo isso é muito polêmico. Mas é preciso saber, ter arquivos.

Ele contou que as comissões da verdade em vários países, como Chile, Argentina, Guatemala, El Salvador, Peru, África do Sul, Colômbia, tiveram formatos diferentes. Na América Central, algumas foram conduzidas pela ONU. Na África do Sul, foi precedida de um período em que se a pessoa prestasse informações receberia uma anistia. Isso levantou dados importantes. No Chile, acha que isso não seria possível porque no período em que o trabalho começou, Pinochet ainda era o comandante do Exército. Na Argentina, os militares concederam uma anistia a eles mesmos. Depois do trabalho da Comissão, houve processos judiciais. No Chile, nasceu a interpretação de que crimes de desaparecimento não podem prescrever até que apareça o corpo ou a pessoa sequestrada.

Muñoz explicou que há elementos comuns entre as comissões: a busca dos fatos, a ajuda à Justiça, montar arquivos. As comissões sempre ocorreram em época mais próxima dos eventos. No Brasil, só agora foi instalada.

— Os processos de transição têm seus tempos e os tempos são ditados pela realidade local — disse ele.

No Chile, os integrantes da comissão eram de lados diferentes do campo político e havia até um ex-ministro da Educação de Pinochet. Durante dois anos, trabalharam com a ajuda de uma equipe de advogados e especialistas. No final, foi divulgado o “Relatório Rettig”, que informa que 2.115 pessoas foram assassinadas no Chile. Pode ter sido mais de 3.000. O Exército não aceitou o relatório, mas as outras Forças, sim. Pinochet disse que era uma versão unilateral.

No livro, Muñoz relata os dois enterros de Salvador Allende. O primeiro, apressado, quase às escondidas. Sob ameaça de armas, Hortensia Allende, a viúva, corajosamente diz: “Que saibam todos que aqui jaz o presidente constitucional do Chile.” No segundo, na democracia, ele recebeu honras de chefe de Estado. “Muitos outros estavam fadados a morrer entre os dois sepultamentos de Salvador Allende”, diz ele, no livro lançado no Brasil pela Zahar. Nos primeiros meses morreram em média 119 pessoas por semana.

Apresentei a ele as dúvidas levantadas no Brasil nos últimos meses: de que a verdade é relativa, de que não vale a pena reviver conflitos passados, e de que a oposição também cometeu crimes:

— Esses argumentos não me surpreendem; apareceram em todos os países, principalmente levantados por quem se sente vulnerável pelas revelações. Sobre os crimes cometidos pela resistência à ditadura, vamos lembrar que todas as pessoas foram julgadas, condenadas a penas bem além da responsabilidade que tiveram e foram torturadas.

Perguntei ao embaixador Muñoz como explicar para os mais jovens por que pessoas como ele tinham tomado decisões tão extremadas? As bananas de dinamite que ele carregou no 11 de setembro pelas ruas de Santiago estavam instáveis. Poderiam ter explodido. Ele começou: “Foram sonhos de mudança e de justiça.” E então ficou em silêncio por 32 segundos. Depois, concluiu:

— Não faria isso novamente. Naquele momento defendia um governo de mudanças, eleito democraticamente. Hoje, as novas gerações tomam a democracia como um dado inquestionável. Para a nossa geração foi mais difícil. No ano passado, houve seis eleições na América Latina sem nenhum incidente. É o período mais longo de democracia, mas o custo foi grande. Aprendemos com os nossos erros, mas o outro lado talvez tenha aprendido que — apesar das diferenças do passado — temos um futuro comum.

Na saída da entrevista, ele me disse que integrantes da repressão brasileira foram ao Chile ensinar técnicas de tortura aos militares chilenos. E que isso deveria ser objeto de investigação da Comissão da Verdade.

5º Encontro latino-americano de direito, sociedade e cultura

A abertura do V ELADISC será nesta 2a feira às 18 hs na Rua Teixeira de Freitas 5/ 3o andar na Lapa (prédio do IHGB ) e na 3ª e 4ª feira o evento acontecerá na Rua Marechal Câmara 210, 5o e 6o andar, no Castelo, Rio de Janeiro. Ressaltamos as Mesa de Integração, Economia e Política no Cenário atual da América Latina, no dia 05/06, com a presença de Theotonio dos Santos e a Mesa  de Integração, Política e Desenvolvimento na América do Sul, no dia 06/06 com a presença de Monica Bruckmann.


PROGRAMA

5º ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE DIREITO, SOCIEDADE E CULTURA

Temas:

Democracia, Política e Economia no Cenário atual da America Latina

Caráter Global e Regional dos Problemas Ambientais

Integração, Segurança e Desenvolvimento na America do Sul

Integração, Direito,  História, Cultura e Identidade Latino Americana


Dia 04/06 - 18h Centro Cultural do IAB –

- Saudações: Dr. Fernando Fragoso – Presidente do IAB

- Prof. Sérgio  Sant`Anna  - UCAM e IAB  e  Profª.  Elian Araújo - Mackenzie Rio e IAB  - Organização do Evento            

- Saudação Dr. Fernando Estenssoro  Saavedra – USACH/IDEA

- Saudação Eduardo Scheidt – USS/ Comissão Científica ILADISC

- Saudação Prof. Ubyratan Cavalcanti -  IAB / Comissão Científica ILADISC

- Saudação Prof. Dr. Adilson Pires – UERJ/Presidente Comissão Permanente de Direito da Integração do  Instituto dos Advogados Brasileiros

Conferência Abertura - Prof. Dr. Fernando Roberto Almeida

Lançamento do Livro: Integração na América Latina: A história, a economia e o direito. Organizadores: Eduardo Scheidt, Elian Araujo, Luis Gutierrez e Fernando da Silva Rodrigues

Lançamento do Livro "Do Grão ao Pão: O trigo nas relações entre o Brasil e a Argentina". Autor: Prof. Fernando Roberto de F. Almeida.

19h – Coquetel

Dia 05/06

LOCAL : IAB –   PLENÁRIO

Abertura 9h Credenciamento

Mesa  Integração na América Latina

9h20  -  Conferência  Cônsul-Geral  Chile . Sr. Samuel Ossa Tema: Integração e Mercosul

9h40  -  Palestra  Drª. Maria Teresa  Cárcomo Lobo – IAB  Tema: União Européia: Crise e  Reflexos  no Mercosul

10h -  Palestra  Prof. Dr. Luis Gutierrez -  ULPGC  - Espanha Tema: Impacto de las Directivas Comunitarias sobre la Publicidad Comercial  en el Concepto de Publicidad Comparativa

10h20 - Intervenções

Mediador/Comentarista: Prof. Dr. Adilson Pires – UERJ / IAB

10h30 - Coffee-break

Mesa  Integração, Economia e Política no Cenário atual da América Latina

10h40  - Conferência Cônsul-Geral da República Argentina  Sr. Eduardo Mallea  - Tema: Integração  Política - Mercosul

11h - Palestra Prof. Dr. Fernando Roberto de F. Almeida – UFF – Tema: Integração econômica na América Latina

11h20 - Palestra Prof. Dr. Theotônio  dos Santos  - UFF e Reggen  - Tema: Aspectos Econômicos e Políticos da Integração da América Latina

11h40  - Intervenções

Mediador/Comentarista:  Prof. Dr. Eduardo Val – UFF/ Argentina

12h Almoço

13h30 - Credenciamento

Mesa  Caráter Global e Regional dos Problemas Ambientais

14h -    Prof. Dr. Fernando  Estenssoro  Saavedra - USACH -  Chile. Tema: De Estocolmo 1972 a Rio de Janeiro 2012: 40 años de debate ambiental global  y  tensión Norte-Sur

14h20 - Profa. Stella Emery Santanna  – FAESA  -  Espírito Santo. Tema: Direito Ambiental Internacional  no mundo globalizado – tutela  dos oceanos e questões econômicas.

14h40 – Prof. Dr. Sidney Guerra – UFRJ - Tema: Meio ambiente e o grande desafio para o século XXI:  desenvolver medidas protetivas no plano global

 15h – Intervenção

Mediador/Comentarista:  Sidney Guerra  - UFRJ

15h10  - Coffee-break

Mesa  Democracia, Direitos Humanos e Constitucionalismo

15h20 - Profa. Dra. Glória Moraes – CEBELA - Inclusão, Democracia e Desenvolvimento: Desafios da América do Sul.

15h40 - Profa. Dra. Vanessa  Berner & Prof. Dr. Elídio Alexandre Marques - Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos e Anistia – UFRJ

16h - Prof. Dr. Hélcio  Ribeiro  Universidade Mackenzie  - São Paulo – Tema: Constituição e democracia deliberativa em Jürgen Habermas

16h20 – Profa. Dra. Célia Abreu - UFF - Ensaio sobre o novo constitucionalismo latino-americano e direito privado

16h40  Intervenções

Mediador/Comentarista: Prof. Dr. Elídio Alexandre Marques

17h – Encerramento

LOCAL :   Auditório CAARJ - 6º Andar

Mesa   Integração, História, Cultura e Identidade Latino Americana 

15h  - Prof. Dr. Adriano Rosa da Silva - UGF - Envelhecimento e cidadania: Dilemas e perspectivas da realidade social brasileira contemporânea.

15h20  -  Profa. Dra. Ana Maria da Silva Moura (USS) - Fronteiras e Questões indígenas: um painel da América Portuguesa.

15h40 – Prof. Ms. Enio Sebastião de Oliveira – USS - Tempos de Correrias: Os Conflitos colônias  na Região de Campo Alegre da Paraíba contra os Índios  Puris.

16h – Profa. Dra. Marta de Carvalho Silveira - UGF - O processo civilizador e a configuração da exploração do trabalho indígena na América Hispânica Colonial

16h20 – Prof. Dr. Murilo Garcia Gabrielli – SENAC - Realismo mágico hispano-americano e fantástico brasileiro

16h40 – Intervenções

Mediador/Comentarista: Profa. Dra. Maria Teresa Toríbio B. Lemos

Encerramento

Dia 06/06 -

LOCAL : IAB – PLENÁRIO

Mesa  Integração, Política e Desenvolvimento na América do Sul.

9h – Prof. Dr. Eduardo Scheidt  USS – Tema: A questão da soberania popular nos discursos do presidente Hugo Chávez (1999-2006).

9h20 – Prof. Me.  Alan de carvalho Souza - USS Tema: Clientelismo do Estado Social e Democrático

9h40 - Profa. Dra. Mônica Bruckman - UFRJ/ Peru - Tema:  Recursos Naturais, Desenvolvimento e os Desafios da Integração Sul-Americana

10h  -  Prof. Dr. João Luiz Pinaud   - UCAM e Casa da America Latina  - Tema: Casa da America Latina  e a Discussão de Temas de Direitos Humanos:  Os  Cinco Cubanos presos nos EUA; O Caso Colômbia e a Base de Guantánamo

10h20-Intervenções


Mediador/Comentarista: Prof. Dr. José Eduardo Filho - FSJ


10h 30 Coffee  Break

Mesa   Integração, Direito e  História  Latino Americana

10h40  Prof. Sérgio Sant`Anna  - UCAM /IAB - Tema: Processos de Integração sob a ótica do Movimento Bolivarianista x Movimento Panamericanista

11h – Conferência Cônsul-Geral da Republica do Uruguai Sra. Myriam Fraschini de Pastori - Tema: Institucionalização e Mercosul

11h20 – Profa. Dr.ª Tatyana de Amaral Maia – USS – Tema: Os usos do civismo e ensino de História num regime de exceção: a ditadura civil-militar brasileira (1969-1980).

11h40 - Intervenções

Mediador/Comentarista: Prof. Dr. José Eduardo Filho - FSJ

12 h  Almoço

Mesas/GTs  Integração, Direito,  História, Cultura e Identidade Latino Americana

14h - Profa. Queila Amaro Rodrigues da Silva - USS - Tema: Integração latino-americana: suas representações nos discursos de Hugo Chávez e na ALBA (Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América).

14h20 - Profa. Dra. Beatriz Bissio   - UFRJ/Uruguai -  Tema: Os Cadernos do Terceiro Mundo e o Papel da Imprensa na Integração Regional

14h 40 - Prof. Luiz Fernando de Oliveira Silva - USS - Tema: Americanizando o debate sobre nacionalismo: o exemplo da Venezuela.

15h - Intervenções

Mediador/Comentarista: Prof. Sérgio Sant`Anna  - UCAM  e IAB

15h10 – Intervalo

Mesa : Integração, Segurança e Desenvolvimento na America do Sul

15h20 – Prof. Dr. Cláudio Antônio Santos Monteiro - USS - Uma História Social da diplomacia francesa no Brasil (1840-1890)

15h40 - Prof. Dr. Fernando Antonio da Silva Alves - Faculdade Mauricio de Nassau  - RN das unidades de polícia pacificadora ao direito penal do inimigo: diferentes contextos de aplicação do modelo de segurança cidadã, conforme a autopoiese e acoplamentos estruturais entre o sistema jurídico e demais sistemas sociais.

16h  - Intervenções

Mediador/ Comentarista: Prof. Dr. Fernando Roberto Almeida  - UFF

Encerramento

LOCAL :  Auditório CAARJ - 6º Andar

14h - GT – Memória e Direitos Humanos:  narrativas sobre a ditadura Civil Militar

Coordenação:   Profa. Dra. Maria Manuela Maia

 Debatedor:  Prof.  Ms. Paulo César Guimarães

LOCAL :  Auditório CAARJ - 6º Andar

MESA JOVEM

15h as 15h40– Simultânea

Coordenação: Profs. Ms. Paulo César Guimarães  - Mackenzie Rio

                           Profa. Ms. Leonor Sardas – Mackenzie Rio

                           Profa. Dra. Ana Paula Alves Ribeiro  - UFRRJ

                           Profa. Ms. Ana Luiza Couto – IBMEC



Jardel Schettino Caetano e Shayenne Henry Tôrres - UFF - Tema:  Busca de soluções políticas e jurídicas para problemas envolvendo leis de patentes de medicamentos na OMC

Renato Emiliano Ribeiro - Mackenzie Rio -  Tema: O papel das ONGs ambientalistas na construção da consciência ambiental: estudo de caso no Rio de Janeiro

Flavio Tulio Ribeiro Silva - USS - Política governamental de uso dos recursos Gás e Petróleo: Bolívia e Venezuela

16h- Encerramento / LOCAL:  IAB -  PLENÁRIO

Agradecimentos :  Apoiadores  e Comissão organizadora

INSCRIÇÃO: contato@eladisc.org site: www.eladisc.org 

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