sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

DISCURSO DO PROFESSOR THEOTONIO DOS SANTOS NA CERIMONIA DE RECEPÇÃO DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO DE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)

Exmos Senhores:

Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.
Prof. Jose Raimundo Martins Romeo, Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia, ex-reitor da Universidade Federal Fluminense, representando o Prefeito Jorge Roberto da Silveira
Prof. Sidney Luiz de Mattos Melo, vice-reitor da Universidade Federal Fluminense.
Prof. Francisco de Assis Palharini, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
Prof. Eurico de Lima Figueiredo, professor notório saber da UFF
Prof. Marcus Ianoni, chefe do departamento de Ciência Política.
Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra, coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência Política
Prof. Vagner Camilo Alves, coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudos Estratégicos.
Prof. Adriano de Freixo, coordenador de curso de Relações Internacionais.

Meus caros colegas

Sinto-me profundamente honrado em receber o título de Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense que me acolheu com grande generosidade em 1992, através de seu reitor José Raimundo Martins Romeo que se transformou num dos meus maiores amigos e num companheiro de empreitadas acadêmicas por este mundo afora. A UFF continuou seu crescimento que acompanhei até a aposentadoria compulsória e agora continuo a participar na sua vida acadêmica com o honroso título de Professor Emérito, enquanto a vejo crescer e afirmar-se a cada dia.
Este é um momento de reflexão. Para justificar a honra que meus pares me outorgam desejo explicar o sentido do meu trabalho acadêmico e de minhas opções de vida. Se estes anos têm algo que me traz satisfação, diria que é a minha fidelidade aos princípios e ideais que se consolidaram na minha juventude, numa interação estreita com a história do meu tempo. Sinto prazer de ter sido fiel a eles tanto no plano intelectual como político e pessoal. Peço que me desculpem mas vou ter que falar um pouco destes tempos de juventude.
Quando fazia minha secundária, já tinha uma atuação intensa no plano intelectual e cultural. Tinha enormes programas de leituras, tertúlias intermináveis e uma forte boemia intelectual. E também escrevia na imprensa literária da época. Mas o que mais marcou este período foi a fundação em 1956 da revista Complemento sob a direção de Silviano Santiago (Professor Emérito da UFF), Ezequiel Neves, José Maurício Gomes Leite, Ary Xavier e José Nilo Tavares (professor de professores) e Theotonio Junior (como eu assinava na época meus artigos). Esta revista deu o nome a toda uma geração mineira, a “geração complemento”, que, além do campo literário, se desdobrou nas artes plásticas, na música, no teatro, na dança, na crítica cinematográfica.
Aqueles eram os anos do presidente mineiro, Juscelino Kubistchek, que prometera realizar 50 anos em 5, pondo em tensão toda a capacidade e criatividade do povo brasileiro. Era uma geração curtida no fogo das mudanças sociais aceleradas e das esperanças febris.
Num artigo sobre “um ensaismo situado” no 3° e último número da revista Complemento que causou uma ampla discussão na imprensa mineira, eu chamava a atenção para a densidade deste desafio:
“se a tarefa da revisão (total dos valores e conhecimentos) não fosse tentada isto significaria o fim da nossa civilização.”.
Antonio Olinto encontrava esta tensão existencial e literária no meu livro de poemas A Construção, publicado em 1957, com uma frase muito expressiva com a qual termina sua crítica do livro :
“Dentro dos poemas de Theotonio Júnior, em que os arames abstratos de uma linguagem tentam ganhar pé, jazem os germens dessa compensação que poderão levá-lo ao equilíbrio. Um poeta que se entrega a uma tensão tão grande possui, sem dúvida, virtudes capazes de vencer o apocalipse”.
Ora senhores. Assim nos sentíamos em 1957. O crítico, poeta e romancista que terminou sua vida na Academia Brasileira de Letras atribuia ao jovem poeta de 20 anos nada mais nada menos que a tarefa de enfrentar o Apocalipse.
Ainda nesta linha de tensão existencial, quero relembrar as afirmações que fazia o então aluno da 1ª. Série de Sociologia e Política na Faculdade de Ciencias Econômicas da então Universidade de Minas Gerais . Trata-se de uma crítica ao livro do meu amigo e mestre Guerreiro Ramos, A Redução Sociológica. Preparando sua tese doutoral, Monica Bruckmann encontrou este texto, além do próprio livro de Guerreiro e chamou a atenção para o verdadeiro projeto teórico que eu assumia neste artigo publicado na Revista Brasiliense. Eu afirmava então:
“É uma inteira revolução no pensamento humano que está por traz da obra de Guerreiro Ramos e se ele não assumiu ainda esta atitude revolucionária no campo teórico é porque tarefas mais urgentes convocam o pensamento brasileiro, tarefas que só depois de realizadas permitirão uma estruturação tão ampla”. E eu continuava:
“A razão sociológica é uma idéia fecunda a ser desenvolvida e que talvez possa servir de base a uma teoria do mundo do ponto de vista brasileiro e dos países periféricos.” Na verdade foi a esta tarefa que me dediquei ao longo de toda minha vida. E este é o tema deste pronunciamento.
No período anterior ao golpe de estado de 1964, eu já seguia meus próprios caminhos ao fundar, junto com excelentes jovens intelectuais e políticos a Organização Revolucionária Marxista Política Operária que ficou conhecida como POLOP e que ganhou grande divulgação recentemente na nossa imprensa por ter sido o primeiro compromisso político da presidenta eleita, Dilma Rousseff.
Ao mesmo tempo, no plano acadêmico, depois de terminar minha graduação na FACE-UFMG (onde Dilma também estudou e aí encontrou a tradição de luta e formação intelectual da POLOP), segui a aventura de Darcy Ribeiro que nos recrutou para a Universidade de Brasília, um projeto ainda no papel.
Eis-nos pois no coração da luta política e intelectual. O sedutor Darcy conseguira juntar na UnB algumas figuras fundamentais nos vários campos do conhecimento e da criação estética. No campo da Ciência Política fui trabalhar com meu conterrâneo Victor Nunes Leal que recrutou também Ruy Mauro Marini por recomendação minha.
Foi especialmente marcante neste período o Seminário que André Gunder Frank armou para a pós graduação e os professores em geral sobre uma perspectiva crítica do estrutural funcionalismo norte-americano que ele tão bem conhecia como ex-aluno brilhante da Universidade de Chicago, A colaboração que iniciamos com Frank em 1962-64 perdurou ate o fim de sua vida.
Em 2003, dois anos antes do seu falecimento, Frank esteve na UnB onde declarou numa conferencia pública a importância de nossa colaboração nestes anos da UnB. Segundo ele, a teoria da dependência teria nascido ali com o nosso diálogo que incluía Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra e eu. Ele estava falando de 40 anos atrás e ainda repercutiam aqueles debates memoráveis nos quais se perfilava com força o conceito de um sistema econômico, social, político e cultural mundial, dentro do qual se expandiram os estados nacionais modernos e as novas pautas culturais que estruturavam o comportamento humano na direção deste sistema mundial.
Na minha dissertação de mestrado sobre “As Classes Sociais no Brasil – Primeira parte: os proprietários” eu buscava sintetizar a riqueza do debate que a intelectualidade brasileira encaminhava apaixonadamente, encharcada pela ação revolucionária das forças sociais que emergiam na história do país com uma energia desconhecida. Esta dissertação serviu de base para a elaboração do meu primeiro livro em prosa: Quem são os Inimigos do Povo, 6° volume dos Cadernos do Povo Brasileiro que Álvaro Vieira Pinto dirigia para a Editora Civilização Brasileira. Neste livro de divulgação eu afirmava os limites da nossa classe dominante e a necessidade de uma clara opção intelectual e vital pelo ponto de vista dos trabalhadores como agentes privilegiados das transformações revolucionárias que o pais necessitava.
Contudo, triunfou naquele momento o lado da contra revolução. O golpe de 1964 deteve brutalmente a ascensão daquele poderoso movimento libertário. Os sindicatos foram ocupados por interventores, as ligas camponesas brutalmente reprimidas, os intelectuais progressistas presos, a imprensa e atividades artísticas imediatamente censuradas, os políticos associados ao governo Goulart cassados ou presos. A Universidade de Brasília foi invadida e intervinda.
Tive tempo de esconder-me com minha mulher Vânia Bambirra, grávida da nossa filha, Nádia, nascida na clandestinidade depois que nos estabelecemos com segurança reforçada em São Paulo. Nestes dois anos de clandestinidade me dediquei sobretudo a reestruturar a POLOP, a apoiar a organização clandestina dos trabalhadores nos Comitês de Fábrica e a mobilização de um movimento estudantil que mantinha sua estrutura organizativa apesar da sua dissolução oficial.
Estava no centro da discussão o caminho da resistência à ditadura. Na direção da POLOP nos dedicamos a terminar um documento que teve bastante repercussão nos meios de esquerda: O Programa Socialista para o Brasil onde apontávamos a necessidade mais que nunca de reforçar a organização independente da classe trabalhadora, a formação de uma frente dos trabalhadores da cidade e do campo e afirmação do papel dos trabalhadores na condução da luta democrática.
O caminho do exílio se fez necessário quando o tribunal de exceção de Juiz de Fora me condenou a 15 anos de prisão como “mentor intelectual da penetração subversiva no campo”. Exilei-me no Chile Democrata Cristão onde encontrei um ambiente democrático extremamente avançado e uma energia social de massas ainda maior da que tinha conhecido no Brasil. Posso afirmar que nesta época estava formado o intelectual e o revolucionário de fortes convicções democráticas e socialistas.

Os anos de estudo da filosofia e da história embebidos na leitura dos filósofos clássicos e sobretudo modernos que iniciara já na escola secundária; os anos de estudo da história nas fontes mais diversas; os anos de estudo sistemático de Marx e Engels e das várias correntes do marxismo pouco conhecidas no Brasil; o meu apaixonado estudo da realidade brasileira através dos seus principais intérpretes que devorei desde a pré-adolescência; as longas noites de discussão sobre a literatura, as artes e a criação estética com meus amigos da geração complemento; o debate sobre as Ciencias Sociais e a teoria do desenvolvimento dentro da FACE-UMG e da UnB, em cuja pós graduação tivemos um curso inteiro organizado pela CEPAL e um belo curso de Civilização Brasileira proferido por Nelson Werneck Sodré; depois de toda esta experiência intelectual e política vivida com tremenda intensidade encontramos a realidade latino americana em Santiago do Chile.
O debate retomado em Santiago do Chile, junto com uma brilhante geração de cientistas sociais e perseguidos políticos pelas ditaduras da região nos encharcou das lutas travadas pelos vários povos da América latina que conhecíamos muito vagamente no Brasil. O estudo desta realidade só fazia confirmar a necessidade de um enfoque novo sobre as questões do desenvolvimento econômico. O aprofundamento das lutas sociais e econômicas dinamizadas pela tentativa da Aliança para o Progresso de apresentar o Chile democrata cristão como um modelo de reformismo desenvolvimentista na região conduziu a uma radicalização crescente que desembocou na vitória da Unidade Popular de Salvador Allende e nos 3 anos de experiência de transformações revolucionárias protagonizadas pelo povo chileno, o mais politizado e consciente que conhecemos. O avanço desta experiência nos atraiu teórica e práticamente e produzia um terrível contraponto com as notícias de nossos companheiros brasileiros que chegavam em massa no Chile para transmitir-nos o esgotamento da energia revolucionária do Brasil, afogada no sangue, na tortura, na prisão, no exílio e pela censura.
Este entorno fazia de nosso trabalho intelectual um profundo e romântico processo existencial. A relação entre prática e teoria se afirmava antes de tudo como uma exigência da própria realidade. Este colossal esforço teórico teve como pólo o CESO (Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile) que dirigi com uma equipe de pensadores fundantes de teoria e de grande capacidade de análise.
Logo no inicio do exílio, tínhamos conseguido organizar um seminário sobre O Capital e em seguida sobre a América Latina que envolvia alguns dos melhores intelectuais exilados. Além disso, encontrávamos tempo para ajudar a organizar o exílio brasileiro no Chile numa “Caixinha” e numa Frente das 23 organizações de esquerda em que nos havíamos dividido.
Mas a atividade mais apaixonante destes anos foi a publicação de um semanário extremamente lido e respeitado - Chile Hoy - onde acompanhei semanalmente em artigos militantes mas analíticos e como membro do seu Conselho editor o processo em marcha no Chile. No presente ano pude reunir os artigos que escrevi nesta oportunidade num livro a sair publicado na Venezuela.
Estes artigos e a intervenção da ditadura brasileira na organização do golpe no Chile fez com que meu nome aparecesse junto com a direção da Unidade Popular e outras eminentes figuras na primeira lista de perseguidos difundida pela junta militar golpista no Chile.
Eis que iniciei meu segundo exílio. Não lhes vou contar os fatos da tragicomédia do meu exílio na embaixada do Panamá que terminou transferindo-se para a minha casa. Depois de 5 meses encerrado na embaixada fui liberado pelo governo chileno mas me destinei ao México e não ao generoso exílio que o General Torrijos ofereceu aos exilados chilenos. Minha casa, emprestada gratuitamente ao governo panamenho, foi devolvida alguns meses depois e imediatamente expropriada pela junta militar chilena que a converteu num dos principais Centros de tortura do Chile. Hoje ela foi convertida num Monumento Nacional, como resultado de anos de luta militante para resgatar a memória do terror fascista que se abateu sobre toda a América Latina.
O meu novo exílio no México foi um dos mais tranquilos momentos de minha vida. Se o Chile em ebulição me abria suas portas como um companheiro participante de um sonho de todo um povo, admirado por toda a humanidade, o México de 1974 vivia uma tentativa de renovar o espírito da sua Revolução democrática e nacionalista, consolidada por um Partido Revolucionário Institucional (PRI) que se encontrava em crise depois de 50 anos no poder e que buscava recuperar sua dinâmica progressista. Luis Echeverría, hoje condenado por sua participação como ministro de governo no massacre da Praça das Três Culturas, em 1968, conduzia um processo de afirmação nacional e de apoio à luta anti-fascista na América Latina. México abria assim as suas portas para os exilados de toda a região assim como o fizera para a intelectualidade espanhola perseguida por Franco.
A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) era um dos principais centros de incorporação destes intelectuais de toda a América Latina.
Nestes anos mexicanos pude concentrar-me mais na problemática teórica e pude aprofundar meus estudos sobre o imperialismo e a dependência, retomar a problemática da crise estrutural do capitalismo e dos ciclos longos de Kondratieff, reunidos em um livro que se tornou um clássico das ciencias sociais com vários capítulos divulgados em inglês, uma versão em italiano e umas versões integrais publicadas em japonês e em chinês. Não me perguntem porque no Brasil nunca foi publicado...
Nos nossos cursos de Ciência Política fizemos um balanço histórico do pensamento socialista do qual publicamos eu e Vânia Bambirra somente os dois primeiros volumes sobre a estratégia socialista em Marx, Engels e Lênin.
Criamos um seminário permanente sobre Economia Política do capitalismo contemporâneo e políticas científico-tecnológicas com o Doutor Leonel Corona que até hoje existe na UNAM, com dezenas de teses publicadas.
Com a anistia, trouxe para o Brasil os materiais que me permitiram terminar aqui meus trabalhos sobre a Revolução científico-ténica, o capitalismo contemporâneo, e a acumulação de capital, além dos vários artigos sobre a revolução científico-técnica e a economia mundial, a crise econômica e o processo de trabalho, além de uma introdução teórica sobre forças produtivas e relações de produção. Mostrava então como os avanços da revolução cientifico-tecnica em direção a uma sociedade planetária ficavam comprometidos no capitalismo contemporâneo ao impedir a apropriação racional da natureza e o pleno desenvolvimento da principal força produtiva da humanidade, que é o próprio ser humano, mantido no desemprego, no subemprego e na miséria enquanto o avanço do potencial produtivo aberto pela revolução científico técnica permitia atender a todas as necessidades dos seres humanos.
Nesta nova fase tão marcada pelos problemas globais minha participação na direção da Associação Internacional de Estudos sobre a Paz, na direção da revista Socialismo no Mundo, que publicava os resultados das Mesas Redondas internacionais sobre o mesmo tema realizadas anualmente em Cavtat, na Iugoslávia; a minha participação na Associação de Economistas do Terceiro Mundo; a organização do Curso comemorativo dos 30 anos da Conferencia de Bandung, realizado na FESP com apoio da Universidade das Nações Unidas, a presidência da Associação Latino Americana de Sociologia e a participação em vários projetos de pesquisa internacionais apontavam para um esforço teórico crescente.
Entre 1987 e 1988, iniciei uma nova fase de pesquisas com o apoio do CNPq e posteriormente da Fundação Ford, orientando-me para o tema da "RCT, a Nova Divisão Internacional do Trabalho e a Regionalização da Economia Mundial". Dentro deste esforço efetuei uma viagem de estudos à França, Bélgica, Suíça, URSS e Espanha em 1989, atendendo a convites para seminários e conferências.
O objetivo era analisar os efeitos da Nova Divisão Internacional do Trabalho, que emerge da RCT, sobre a regionalização da economia mundial, que eu antecipava como uma etapa necessária na direção de uma economia mundial integrada e de uma civilização planetária. Como a Europa se antecipava neste processo, através da formação de sua Comunidade em 1992, iniciei por ela a sistematização dessas teses.
Em seguida, entre março de 1990 e fevereiro de 1992 aproveitei os convites para professor visitante das Universidades de Ritsumeikan (Kyoto) e Paris VIII (França) para aprofundar meus estudos sobre os processos de regionalização na Europa e na Ásia, ao mesmo tempo em que dirigia os trabalhos de uma equipe de estudantes de pós-graduação e graduação do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília sobre o mesmo tema.
De volta de Kioto e de Paris ingresei na Universidade Federal Fluminense, onde formei o Grupo de Estudos sobre Economia Mundial, Integração Regional e Mercado de Trabalho (GREMIMT) que contou com o apoio da FAPERJ e do Programa PIBIC do CNPQ o qual se dedicou amplamente às analises da conjuntura mundial e patrocinou dois eventos importantes, em 1992 um encontro sobre Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente patrocinado pela Universidade Ritsumeikan, de Kioto, e a Universidade Federal Fluminense. Em 1994 realizamos um segundo Seminário sobre Globalização e Competitividade do Terceiro Mundo onde anunciávamos a formação de uma nova categoria de paises emergentes, cujos avanços permitidos pela nova divisão internacional do trabalho resultariam inclusive em sua ação conjunta na economia e política mundial. Nada indicava contudo que ese processo seria assimilado pacíficamente pelos centros do poder mundial. Em 1989, na Univesidade de Brasilia, já havia realizado o Seminário bi-anual do grupo de estudos sobre o sistema mundial que se reuniu sistemáticamente durante os anos 70 a 90 sob a coordenação de Inmanuel Wallerstein e o patrocínio do Centro Fernando Braudel de SUNY-Binghamton, da Maison des Sciences de l`Homme e do Starnberg Institute
Como culminação desta fase, logrei criar em 1997 a Cátedra e Rede sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável com o patrocínio da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas que batizamos de REGGEN. A fundação desta cátedra foi o resultado de uma difícil gestão junto a estas instituições que levou à convocatória, em 1996, de uma reunião de expertos em Helsink, Finlandia, sob a inspiração do WIDER, a qual recomendou a criação da cátedra..
Em 2003 e 2004 a minha produção chegou a um patamar muito positivo com a publicação do meu último livro: Do Terror à Esperança: Auge e Declínio do Neoliberalismo, Idéias & Letras, Aparecida, 2004. Este livro apresenta uma analise original do neoliberalismo não somente como doutrina, mas também como pratica, nos EE.UU, com Ronald Reagan, na Inglaterra com Thatcher, no FMI e no Banco Mundial, nos governos asiáticos, africanos e latino americanos e, sobretudo no caso brasileiro que é analisado mais detidamente. O livro mostra também que as contradições do neoliberalismo começavam a gerar o rechaço das populações submetidas a estas políticas e também a desmoralização do pensamento econômico que criou estes desvios teóricos perversos transformados por 2 décadas em “pensamento único”. Este livro foi publicado em espanhol pela Editora Monte Ávila, Caracas, em 2007 e encontra-se em tradução para o chinês para publicar-se pela Academia de Ciências Sociais da China.
Com esses 3 livros (Do Terror à Esperança, Teoria da Dependência e Economia Mundial) espero haver completado uma trilogia sobre o neoliberalismo e a retomada do pensamento social critico como fonte de compreensão do mundo contemporâneo. Eles se converteram num verdadeiro tratado sobre a história recente da humanidade e sobre o pensamento cientifico adequado para interpretá-la e atuar sobre ela. Seu rigor e profundidade permitem superar a prepotência dos autores comprometidos com o enfoque dominante que pensa o mundo sem incorporar a maior parte da humanidade que se encontra nas zonas periféricas. Preparo agora um livro sobre Desenvolvimento e Civilização que reflete sobre a retomada do desenvolvimento que caracteriza a queda do neoliberalismo. Preparo enfim uma revisão da economia política como ciência à luz das mudanças globais que se colocam na ordem do dia diante do fracasso do capitalismo para garantir a sobrevivência da humanidade ameaçada em suas raízes ecológicas e incapaz de promover o desenvolvimento humano mais justo e sustentável.
Volto assim a minhas propostas originais apresentadas na crítica à redução sociológica de Guerreiro Ramos. Agora repletas de pesquisas, reflexões e vivências. Nestes anos estivemos um grupo de pensadores e pesquisadores muito respeitados e influentes no olho da tormenta lutando contra toa uma estrutura de conhecimento ligada a formação de uma economia mundial fundada no domínio colonial, na escravidão e na servidão, depois na exploração do trabalho assalariado. Todos os avanços civilizatórios que provocou, entre os quais se inclui o avanço das Ciencias Sociais, estiveram ao mesmo tempo a serviço deste sistema mundial. A absurda tentativa de converter a experiência européia numa cultura universal e suas soluções históricas em fundamento moral e ético de toda a humanidade rejeitando a força histórica das grandes civilizações ainda vivas como a chinesa, o islão, os povos originários, as inúmeras mesclas que a própria expansão européia produziu pode ser condensado no que chamamos hoje em dia euro-centrismo. No momento histórico em que rompemos a barreira do cosmos e nos confrontamos com um universo em plena transformação; num momento em que rompemos a estrutura da matéria para encontrar inclusive cada vez mais revolucionariamente a própria origem da vida; no momento que as ciencias chamadas duras se submetem à flecha da história e descobrem um tempo cósmico; as Ciencias Sociais não podem submeter-se a uma tentativa de voltar aos séculos XVII e XVIII para recuperar o projeto do indivíduo possessivo como centro do universo e como a expressão da natureza humana e para assumir dogmaticamente a propriedade privada, o chamado livre mercado e a democracia como instrumentos da emancipação da humanidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CONGRATULAÇÕES PELO PROFESSOR EMÉRITO RECEBI VÁRIAS CONGRATULAÇÕES QUE MUITO ME ALEGRARAM:

Querido Theotonio,

nos congratulamos enormemente de recibir esta noticia por Gisálio de tu designación como Profesor Emérito de UFF y nos sumamos con entusiasmo para enviarte nuestra más grandes felicitaciones!

Nos enorgullece tan justo reconocimiento para la trayectoria de tan distinguido ex Presidente de ALAS, como así como comunidad intelectual de las Ciencias Sociales Latinoamericanas que se ve fortalecida con estos aciertos frente a la memoria y los grandes desafíos.

Con un fuerte y fraternal abrazo,
Alberto

Alberto L. Bialakowsky






Prezado Theotonio,

Receba meus parabéns e meu caloroso abraço pelo recebimento do título
de Professor Emérito da UFF na data de hoje.
Não há dúvidas que este é um importante título e você tem todos os
méritos para recebê-lo.

Infelizmente não vou poder comparecer à cerimônia.
Apesar da importância do título e do meu apreço por você, no mesmo
horário acontecerá a cerimônia de encerramento do primeiro ano escolar
de dois netos gêmeos.
Evidentemente, esse é um evento que tem uma prioridade infinitamente maior.
Nessa comparação você perde de goleada.

Aproveito para desejar um Feliz Natal e um Ano de Novo com muita saúde
e realizações.

Forte abraço,

Eduardo Brick.




Caríssimo Theo :

Estava até horas atrás em Belo Horizonte participando de um seminário da UGT e me vi impossibilitado, então, de me juntar na tarde de hoje a você e à Monica, à Micaela e Camila, na cerimonia na UFF de entrega do título de professor emérito.



Consagração que só merecem aqueles poucos que tem o privilégio - como você - de coroar em plena vitalidade física e intelectual uma magnífica carreira acadêmica com um título honroso como este de professor emérito, não sei porque veio-me à cabeça aquele velho professor que, no filme "Morangos Silvestres" de Bergman, faz a viagem à Lund para receber título similar na várias vezes centenária universidade do sul da Suécia. Porque a metáfora me veio à mente ? Talvez porque, da mesma maneira que o velho professor sueco fez da viagem a Lund um momento de reflexão sobre a sua vida, creio que você, Theotonio, está a nos dever um balanço das suas múltiples trajetórias de vida : o Theotonio intelectual inquieto e contestador, o Theotonio revolucionário comprometido com o seu ideal de Justiça, o Theotonio que foi pelo mundo afora sempre comprometido com a universidade e a procura do saber crítico, o Theotonio poeta na juventude e de riso farto na idade madura. Mas, sobre tudo, o Theotonio ser humano insuperável, capaz sempre de se cercar de gente - familiares, discípulos, amigos, colegas - que reconhecem em você uma figura sem par e carregada de afeto e sentimento solidário para com os outros. O Theotonio incorruptível, que nunca se deixou seduzir pelas benesses e tentações do poder, mas sempre se fez marcar pela postura digna e correta em todas as suas ações e comportamentos de vida. Este é um livro que você ainda nos deve, Thetonio !
Assim como lhe devemos também o livro com ensaios em sua homenagem que planejamos - Monica, Cadu, eu - quando dos seus setenta anos e não tivemos forças para levar adiante... Talvez porque, no planejamento do livro, eram tantos os intelectuais seus admiradores a que nos obrigamos a convidar para escrever os ensaios em sua homenagem, que o volume pensado inicialmente logo se transformou em projeto de três ou quatro e nós - vencidos pela dimensão do desafio - terminamos por postergar a tarefa e deixá-la inconclusa... Não seria a hora agora, talvez, de retomar este projeto e levá-lo a cabo, homenageando este Theotonio dos Santos professor emérito dos povos e universidades de um Terceiro Mundo que o está deixando de ser ?



Receba o abraço afetuoso do amigo e colega que muita admiração tem por você, tanto em sua dimensão intelectual quanto humana,

Mauricio.


Caro e prezado Theotonio,

Serão pobres as instituições que não sabem festejar as honras merecidas por aqueles que, como você, cumpriram trajeto marcado pela excepcionalidade. Tivemos ontem modesta, mas expressiva e calorosa, comemoração do seu título de Professor Emérito de nossa querida Universidade Federal Fluminense.
Levo, mais uma vez, meus parabéns a você, familiares e amigos, não só os que estiveram presentes, mas também os guardados em sua memória. Compartilho minha saudação no ato da entrega formal do título com todos os colegas que não puderam comparecer a solenidade. Solicito que o Editor do site do PPGCP, professor César Kiraly, e o professor Eduardo Brick, Editor do portal do INEST, que a publiquem em mais uma homenagem a você, embora, como não deixei de registrar, não tenha sido eu mesmo o mais qualificado para expressar o merecido reconhecimento de seus pares. Muito mais importante será poder ter acesso ao seu próprio discurso, a fim de que possamos guardar para sempre, em nossos arquivos, as suas palavras em momento tão marcante de sua vida entre nós.
Encaminho aos coordenadores do PPGCP, do PPGEST e da graduação em RI pedido no sentido de que divulguem os discursos em lide para o nosso corpo discente pelo que, desde já, agradeço.
Levo meus agradecimentos sinceros ao Chefe do Departamento de Ciência Política, professor Marcus Ianoni, que, de maneira firme e determinada, levou a cabo a missão de realizar a solenidade, assim como ao nosso Vice-Reitor, prof. Sidney Luiz de Matos Mello, que representou o Magnífico Reitor, ao prof. José Raymundo Martins Romêo, ("nosso Reitor de sempre") e o Diretor do ICHF, prof. Francisco Palharini pela expressividade que imprimiram ao ato.
Abraço forte do seu colega, amigo e admirador

Eurico.



Caro Theotonio:



Parabéns pelo título, mais que merecido, de Professor Emérito. Infelizmente não poderei estar presente, devido à participação em banca de defesa de várias monografias, na La Salle.



Mais um título que referenda sua importância para a Academia (não só brasileira) e a influência em diversas gerações de alunos e admiradores.



Grande abraço e mais uma vez parabéns



Wellington


Querido Theotonio,



Ontem estava em Foz do Iguaçu para o lançamento da nova edição en castelhano do Formação Econômica do Brasil, de Celso.

É portanto com pequeno atraso que me manifesto para felicitá-lo pelo título que você acaba de receber.

Um doutoramento honoris causa tem um significado muito especial, não só por ser o coroamento da vida acadêmica, mas por ser decidido por seus pares, que reconhecem assim a sua excelência.

Seu nome como membro do Conselho Consultivo honra o Centro Celso Furtado. Em nome do Centro e no meu próprio, envi-lhe as felicitações por mais esse título, que lhe é outorgado num momento em que as suas ideias se impõem a todo o continente.

Grande abraço,



Rosa Freire d’Aguiar Furtado

Diretora

Centro Celso Furtado



Estimado Theotonio,



Em primeiro lugar as minhas desculpas por não ter podido ficar até o final de uma tão expressiva solenidade. Contando que os horários seriam cumpridos, deixei compromisso fixado com meus alunos no IFCS. Era o último encontro do semestre e não havia como faltar.

Quero me associar a todas as palavras de cumprimento, louvor e de expressão do nosso reconhecimento por sua obra e, ainda mais, por tuas qualidades pessoais.

Ouvi muito, mas não ouvi nada que eu não soubesse. Por isto, para além de minha alta estima pelo amigo, o meu profundo respeito. Sei que não estou sozinho e nem sequer acompanhado só pelos meus pares da UFF. Nestes muitos anos, que começaram em Berlim, em 1970, onde convivi com Gunder Frank, Samir Amin, Elmar Altvater, onde conheci o nosso querido Ruy Mauro, e depois, quando encontrei Luis Maira, Anibal Quijano, Carlos Moneta, Jose Luis Simón, Victor Flore Olea, entre outros, não houve oportunidade em que não tivéssemos nos nutrido de tuas ideias.

Você pode estar certo de que te somos todos gratos.

A ti, Monica e tuas adoráveis meninas, o meu forte e fraterno abraço,

Franklin.





Caríssimo



Parabéns pela merecida homenagem da UFF.

Abraços

Nildo.






Caro e prezado Theotonio,



Serão pobres as instituições que não sabem festejar as honras merecidas por aqueles que, como você, cumpriram trajeto marcado pela excepcionalidade. Tivemos ontem modesta, mas expressiva e calorosa, comemoração do seu título de Professor Emérito de nossa querida Universidade Federal Fluminense.

Levo, mais uma vez, meus parabéns a você, familiares e amigos, não só os que estiveram presentes, mas também os guardados em sua memória. Compartilho minha saudação no ato da entrega formal do título com todos os colegas que não puderam comparecer a solenidade. Solicito que o Editor do site do PPGCP, professor César Kiraly, e o professor Eduardo Brick, Editor do portal do INEST, que a publiquem em mais uma homenagem a você, embora, como não deixei de registrar, não tenha sido eu mesmo o mais qualificado para expressar o merecido reconhecimento de seus pares. Muito mais importante será poder ter acesso ao seu próprio discurso, a fim de que possamos guardar para sempre, em nossos arquivos, as suas palavras em momento tão marcante de sua vida entre nós.

Encaminho aos coordenadores do PPGCP, do PPGEST e da graduação em RI pedido no sentido de que divulguem os discursos em lide para o nosso corpo discente pelo que, desde já, agradeço.

Levo meus agradecimentos sinceros ao Chefe do Departamento de Ciência Política, professor Marcus Ianoni, que, de maneira firme e determinada, levou a cabo a missão de realizar a solenidade, assim como ao nosso Vice-Reitor, prof. Sidney Luiz de Matos Mello, que representou o Magnífico Reitor, ao prof. José Raymundo Martins Romêo, ("nosso Reitor de sempre") e o Diretor do ICHF, prof. Francisco Palharini pela expressividade que imprimiram ao ato.

Abraço forte do seu colega, amigo e admirador



Eurico.





Eurico de Lima Figueiredo

Professor Titular de Relações Internacionais e Estudos Estratégicos

Coordenador do NEST / UFF.




Querido Theotonio,



Ontem estava em Foz do Iguaçu para o lançamento da nova edição en castelhano do Formação Econômica do Brasil, de Celso.

É portanto com pequeno atraso que me manifesto para felicitá-lo pelo título que você acaba de receber.

Um doutoramento honoris causa tem um significado muito especial, não só por ser o coroamento da vida acadêmica, mas por ser decidido por seus pares, que reconhecem assim a sua excelência.

Seu nome como membro do Conselho Consultivo honra o Centro Celso Furtado. Em nome do Centro e no meu próprio, envi-lhe as felicitações por mais esse título, que lhe é outorgado num momento em que as suas ideias se impõem a todo o continente.

Grande abraço,



Rosa Freire d’Aguiar Furtado

Diretora

Centro Celso Furtado.






Caríssimo Mestre,

Enfim a Academia brasileira, representada pela Universidade que vc escolheu para lecionar nos últimos e se aposentar, reconhece teu talento, dedicação e contribuição à Ciência.
Tardou o reconhecimento, mas veio.
Este também é o momento para que seus alunos, discipulos e aprendizes possam agradecer por tudo que nos ofereceu.
Obrigado pelas aulas, conversas, orientações e debates. Pelos livros, artigos e ensaios. Pela militância política e social. Pela luta pelo socialismo, justiça social e independência nacional. Pela defesa do marxismo, da verdade científica e de por a Ciência a favor da vida plena e feliz para todos.
E parabéns pelo título.

Abraços,

Almir Cezar.




Caro Theotônio,

Antes de tudo peço desculpas- não pude ir ontem, costumo dizer que ando avariada depois de ter quebrado o pulso há poucos meses. Mas estou sempre divulgando o seu trabalho, creia.

Parabéns, cumprimentos por mais este título de Prof. Emérito ! Vc já é, Theotônio, um motivo de orgulho nacional, um brasileiro ilustre à moda antiga (antes do neoliberalismo).

Meu abraço amigo e afetuoso para Vc, esposa e familia, já com os votos de Feliz Natal e Ano Novo - saúde sucesso e alegrias.

Ceci.

DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR EMÉRITO THEOTONIO DOS SANTOS PELO PROFESSOR EURI CO FIGUEIREDO:

Exmo.sr. Professor Sidney Luiz de Matos Mello, Vice-Reitor da Universidade Federal Fluminense, nessa cerimônia representando o Magnífico Reitor da UFF, Prof. Roberto Salles,

Exmo.sr. José Raymundo Martins Romêo, Secretário de Ciência e Tecnologia do Município de Niterói e ex-Magnífico Reitor da UFF,

Ilmo.sr. Diretor do ICHF, Prof. Francisco Palharini,

Ilmo.sr. Chefe do Departamento de Ciência Política, Prof. Marcus Ianoni,

Ilmo.sr. Coordenador de Pós-Graduação em Ciência Política, prof. Carlos Henrique Aguiar Serra,

Ilmo.sr. Coordenador de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos, Prof. Vágner Camilo Alves,

Ilmo.sr. Coordenador de Graduação em Relações Internacionais, prof. Adriano Freixo,

Ilmas. Autoridades e personalidades aqui presentes,

Prezados colegas do corpo docente e alunos do corpo discente,

Funcionários da UFF,

Meu prezado colega e amigo Professor Emérito, Dr. Theotonio dos Santos,

A história das instituições entrelaça-se, indissoluvelmente, com a biografia de seus integrantes. Na Universidade Federal Fluminense, o título X do seu Regimento Geral, denominado “Das Dignidades Acadêmicas”, no item I (primeiro) do artigo 123 º, está prevista a celebração da trajetória excepcional de seus docentes aposentados, conferindo-lhes a honraria denominada “Professor Emérito”. A distinção, uma vez proposta, e após percorrer os devidos trâmites acadêmicos, terá que ser aprovada pelo Conselho Universitário da Universidade, o CUV, requerendo-se, em escrutínio secreto, a aprovação de no mínimo 3/4 (três quartos) dos presentes à sessão do Conselho Universitário na qual a proposição é submetida.

Tive a honra e a alegria de ter sido o proponente da prerrogativa em tela ao Departamento de Ciência Política e a sua Pós-Graduação exatamente no mesmo dia em que o homenageado de hoje completou a data limite para sua aposentadoria, pela via compulsória, em 11 de janeiro de 2007. Aceita pela unanimidade dos colegas, a recomendação seguiu para o colegiado superior desta unidade, onde igualmente tive a oportunidade de apresentar e propor a concessão da láurea, igualmente aprovada por unanimidade pelos meus pares. Concedido o título de Professor Emérito dois anos atrás, devido a uma série de circunstâncias, somente agora se pôde encontrar o momento oportuno para celebrar a concessão da titulação que, de fato, não poderia passar sem a necessária e devida comemoração. Generosamente meus colegas resolveram que deveria também caber a mim o privilégio de, em nome de todos, proferir a saudação ao festejado na solenidade de hoje, o que faço com renovado contentamento.

Serei, tanto quanto possível, breve o que, desde logo adianto, não é fácil, tendo em vista a grandeza, a riqueza e as dimensões que assumem a vida e a obra de Theotonio dos Santos. Dividirei minha apresentação, em vôo de pássaro, em quatro seções, visando realçar aspectos relevantes da formação acadêmica, da carreira docente, da produção científica, sem deixar de atentar, na parte final, para traços marcantes que sobressaem a meu ver na figura humana de Theotonio dos Santos. Minha fala será de caráter indicativo, não podendo e não devendo, nessa oportunidade, tecer análise crítica de sua obra que, além de extensa, é variada e complexa. Parto de necessário preliminar: a figura central nesta ocasião é o próprio homenageado. Cabe-me apenas o papel de mero coadjuvante e, por certo ainda, não o mais qualificado.

A formação acadêmica do homenageado de hoje é marcada pelas vicissitudes políticas que incidiram sobre nosso país e, de resto, grande parte da América do Sul nos anos 60 e 70 do século passado. Formou-se Bacharel em Sociologia, Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minhs Gerais em 1961 e obteve o título de Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília em 1964. Em 1985 obteve o Doutorado em Economia por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais e, em 1993, o Doutorado em Economia, também por Notório Saber, desta vez pela nossa querida Universidade Federal Fluminense.

É impressionante a carreira docente do Doutor Theotonio dos Santos. Muito jovem, foi bolsista e monitor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais em 1958. Já graduado, passou a ser instrutor em tempo integral do Departamento de Ciência Política na ainda tão recentemente fundada Universidade de Brasília, onde permaneceu de 1962 a 1964. A partir daí, com a eclosão do Movimento de 31 de Março no Brasil, viu-se forçado a iniciar longa jornada no exterior. Entre 1966 e 1973 integrou a Faculdade de Economia da Universidade do Chile, onde exerceu também o cargo de Diretor do Centro de Estudios Socio Económicos. Em 1969 recebeu convite para Professor Visitante no Departamento de Sociologia da Northern Illinois University, Estados Unidos. Entre 1974 e 1980 incorporou-se à Divisão de Pós-Graduação de Ciência Política e à Faculdade de Economia e Filosofia na Universidad Nacional Autónoma de México, a UNAM. Em 1979 retornou aos Estados Unidos como Professor Visitante, desta vez no Departamento de Sociologia da State University of New York at Binghamton. Entre 1990 e 1992 foi Professor Associado na Faculty of International Relations - Ritsumeikan University, Kioto, Japão. Em 1991 foi Professor Associado ao Departement d'Économie Politique, Université de Paris VIII. Entre 1989 e 95 exerceu o cargo de Diretor de Estudos da École des Hautes Études des Sciences Sociales, Maison des Sciences de l'Homme, na Universidade de Paris I (Sorbonne). Em 1997 foi designado para o cargo de Coordenador da Cátedra UNESCO e da Rede UNESCO, Universidade das Nações Unidas, sobre “Economia Global e Desenvolvimento Sustentável” (REGGEN), função que ocupa até hoje. Candidatou-se a quatro concursos como Professor Titular. O primeiro se realizou, em 1967, para Professor Titular da Faculdade de Economia no Chile, país que o acolheu após ter sido obrigado a sair do Brasil, por perseguição política, em 1966. O golpe de Estado contra o governo da Unidade Popular de Salvador Allende, em setembro de 1973, forçou-o a um segundo exílio, desta vez no México, onde se apresentou para seu segundo concurso para Titular, desta vez para a Universidad Nacional Autônoma, a UNAM, em 1975. Com anistia no Brasil em 1979, retornou a sua terra e, cerca de seis anos depois, prestou seu terceiro concurso para Titular, em 1985, para a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá permaneceu por pouco tempo, já que, em 1988, foi reintegrado pela Lei da Anistia como Titular no Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, onde se aposentou em 1992. Finalmente, em 1994, prestou seu quarto e último concurso para Titular do Departamento de Economia da nossa querida Universidade Federal Fluminense, onde se aposentou em 11 de janeiro de 2007, após quase meio século no exercício da docência, no Brasil e mundo afora.

A produção científica e intelectual do Professor Titular Theotonio dos Santos provoca impacto naquele que a analisa, tanto pela sua quantidade, como pela sua qualidade, tendo sido publicada em 16 línguas, em vários países e diferentes continentes. O que confere orginalidade e escopo à sua vasta obra não é apenas a largueza de visão e a erudição compreensiva, mas, principalmente, a habilidade de integrar na sua visão do sistema-mundo, vastos conhecimentos retirados da Antropologia, da Ciência Política, da Economia, da Filosofia, da Sociologia e, principalmente, da História.

É autor de cerca de 40 livros, co-autor ou colaborador em outros 80, com mais de 150 artigos publicados em revistas científicas, além de vasta colaboração na imprensa periódica, nacional e internacional. Grandes nomes das Ciências Sociais, neste e no último século, tais como Andre Gunder Frank, Giovanni Arrighi, Immanuel Wallerstein, James Petras, entre outros, com ele produziram trabalhos em conjunto conhecidos mundialmente. Por ocasião de seus 60 anos, em 1997, sua obra mereceu significativa homenagem por parte da UNESCO. Sob sua égide, foi publicado, em 1998, o livro Los Retos de la Globalización, Ensayos en Homenaje a Theotonio dos Santos (“Os Desafios da Globalização, Ensaios em Homenagem a Theotonio dos Santos), em dois volumes que totalizaram 891 páginas. No ano seguinte, em segunda edição, o livro foi publicado sob o patrocínio do Instituto de Relaciones Sociales, sediado no Peru. Nele está firmado o reconhecimento de ilustres scholars da Alemanha, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, França, Japão, México, Peru, Senegal, entre outros. Escreveu o prólogo da edição peruana o ex-Reitor da UFF, Professor José Raymundo Martins Romeo e, entre os autores brasileiros, lá estão nomes como o do atual Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim; os economistas Rui Mauro Marini, Reinaldo Gonçalves e Vânia Bambirrra e intelectuais como Silviano Santiago, Contribuíram também dois eminentes colegas que pertenceram ao Departamento de Ciência Política da UFF, os queridos e saudosos José Nilo Tavares e René Dreifuss, o primeiro Professor Titular e o segundo, juntamente com o autor desta apresentação, criador e Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF, o NEST/UFF, durante a gestão, sempre tão louvada entre nós, do então Reitor, professor Raymundo Romeo. Colaborou ainda no livro em homenagem a Theotonio dos Santos outro cientista político credenciado na Pós-Graduação em Ciência Política da UFF, atualmente Chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor Carlos Eduardo Martins. Carlos Eduardo que, no início de seu carreira, trabalhou com Theotonio dos Santos, escreveu circunstanciada introdução sobre a vida e a obra do homenageado que, inclusive, muito me auxiliou na elaboração desta apresentação. Em reconhecimento ao seu trabalho, Theotonio dos Santos recebeu, entre outras honrarias e prêmios, os títulos de Doutor honoris causa pela Universidad Ricardo Palma (Lima, Peru), pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos (Lima, Peru) e pela Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina). Foi consagrado Professor Emérito pela Universidad Ricardo Palma (Lima, Peru) e recebeu a Medalha Bernardo O'Higgins ofertada pelo Governo do Chile, a Medalha Haya de la Torre do Peru e a Medalha do Rio Branco, conferida pelo governo brasileiro, na ordem de Comendador.

Não posso deixar de registrar, finalmente, meu depoimento pessoal sobre a personalidade do homenageado. Sabe-se que o homem e a sua obra mantém complexas relações. A obra pujante e generosa pode, por exemplo, esconder o homem frio e distante de seus semelhantes. O reconhecimento da obra pode levar à arrogância e à soberba. Os títulos e méritos conquistados servem tantas vez ao encolhimento do homem com ser humano, apequenando-o, ao invés de engrandece-lo. Não é nenhum desses o caso do homenageado na tarde de hoje.

Tomei contato com o trabalho de Theotonio em 1965, quando ainda estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao ler seu trabalho intitulado “A Ideologia Fascista no Brasil”, publicado no número três da Revista Civilização Brasileira, em 1965. A revista, naquela época, era considerada um must para os que se opunham a ordem autoritária vigente em nosso país. Causou-me forte impressão a clareza da argumentação e a largueza do escopo interpretativo, situando a circunstância nacional-brasileira no processo de desenvolvimento das relações capitalistas em termos mundiais. Nesse estudo já se encontravam as bases que mais tarde ele desenvolveu no quadro de sua teoria da dependência, tornando-o internacionalmente conhecido. Seria somente em 1981, contudo, que eu teria a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, quando meu colega na UFF, Jésus de Alvarenga Bastos, convidou-me para participar de um grupo de cientistas sociais que se reuniam no Instituto Metodista Bennett, no Rio de Janeiro. Durante o ano de 1982, com as eleições no contexto da chamada “resistência democrática”, acabei por ficar em campo partidário contrário ao de Theotonio, já que ele, ligado ao governador Leonel Brizola, aceitou, em mais um sacrifício, ser candidato ao governo de Minas Gerais pelo PDT, enquanto eu mesmo acabei por assumir a coordenação da campanha do deputado Miro Teixeira ao governo do Rio de Janeiro, pelo PMDB. Passadas as eleições, voltamos a nos reencontrar no referido Instituto, onde passei a coordenar projeto de pós-graduação que, além de sua então mulher, a economista Vânia Bambirra, passou a contar com outro estreito colaborador de Theotonio, o economista Rui Mauro Marini, igualmente de renome internacional. A esses, juntavam-se os de Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder, além de outros, tais como Antônio Celso Alves Pereira, Gisálio Cerqueira Filho, Moniz Bandeira e o já mencionado colega e amigo José Nilo Tavares. Infelizmente, por uma série de circunstâncias, não tivemos a oportunidade de implantar na instituição em lide programa de pesquisa e pós-graduação que, se bem sucedido, teria, sem dúvida, se tornado em importante capítulo na história das Ciências Sociais em nosso país. A partir daí passamos a nos ver intermitentemente, mas sempre com manifesta e mútua cordialidade e afeto. Em 2004, convidei-o para integrar o Conselho Acadêmico do Núcleo de Estudos Estratégicos que, com apoio do então Pró-Reitor da PROPP, professor Sidney Luiz de Matos Mello, e decisão do Reitor na época, professor Cícero Mauro Rodrigues Fialho, havia sido reativado em novembro do ano anterior. Em 2005, assumindo a Coordenação da Pós-Graduação do então nascente Pós-Graduação em Ciência Política na UFF, convidei-o também para integrar a recém criada área de Estudos Estratégicos do novo Programa.

Nesses últimos anos tenho tido a oportunidade de conviver mais de perto com Theotonio, conhecendo-o melhor, assim como sua querida mulher, a professora Mônica Bruckman, doutoranda em Ciência Política na UFF, e, não com a freqüência que gostaria, suas adoráveis filhas, as lindas Micaela e Camila. Nesse período foi se imprimindo em minha memória os traços da personalidade de Theotonio, a afabilidade, a gentileza, a simplicidade do modo de ser e sentir, em harmonia com a sua obra, caracterizada pela defesa firme e forte de seus pontos de vista. Mais ainda. Fui observando que a difícil vida por ele enfrentada - exílios, perseguições políticas, dificuldades materiais de toda sorte - não havia em nada alterada a sua personalidade, que se mostrava invariavelmente magnânima, generosa, dadivosa. Não há nela qualquer traço de afetação. Predomina a modéstia. Como dizia Sócrates, faz da humildade o fundamento de sua grandeza. Parece-me que, nas suas relações pessoais, não obstante tenha vivido tanto tempo fora do Brasil, e distante de suas origens mineiras, situadas na boa terra de Carangola, em Minas Gerais, jamais deixou de valorizar a boa conversa, o entendimento, o dialogo com as circunstâncias, matriz primeira da sabedoria, como nos propõe Ortega y Gasset.

Em sua juventude, Theotonio dos Santos vislumbrou também os caminhos da poesia. Busquei um de seus versos:



“A construção existe e sou seu membro”.

Nada mais sei, nada mais encontro.”



O jovem Theotonio se enganou na sua humildade. Construiu, ao longo de sua vida, obra reconhecida mundialmente. Devotou todos os seus esforços e talentos para melhor entender as estruturas de um sistema mundial injusto. Foi sabendo cada vez mais sobre os mecanismos que levam à concentração da riqueza global nas mãos de alguns poucos países ricos, em detrimento da grande maioria, que se vê privada do acesso à educação e à saúde, à cultura e à tecnologia, à habitação e à alimentação,- e tudo mais. Nesse périplo foi se encontrando consigo mesmo, um cidadão do globo terrestre, um incansável e infatigável trabalhador intelectual que se identifica com a busca da dignidade do Homem. Antes de tudo, entretanto, um brasileiro identificado com as causa da emancipação de sua gente e de sua terra.

Foi para mim fonte de orgulho, prazer e honra ter sido encarregado de levar aos presentes esta saudação. O Título de Professor Emérito engrandece ainda mais a biografia de Theotonio. Mas engrandece também a história de nossa querida Universidade Federal Fluminense que tanto amamos. A gratidão e o reconhecimento são pilares da grandeza e da generosidade das instituições que estão destinadas a perdurar ao longo dos tempos.



Muito obrigado.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AQUI ESTÃO OS TERMOS DA SOLENIDADE DE ENTREGA DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO A THEOTONIO DOS SANTOS. NÃO DEIXE DE COMPARECER. VEJA A ACADEMIA ORGULHOSA DE SI MESMA E O HOMENAGEADO ORGULHOSO DA HOMENAGEM QUE RECEBE TÃO SOLENEMENTE.

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE


NÚCLEO DE COMUNICAÇAO SOCIAL


SETOR DE RELAÇÕES PÚBLICAS E CERIMONIAL


EVENTO: Outorga do título de Professor Emérito a Theotonio dos Santos


DATA: 15/12/2010


HORÁRIO: 15h
LOCAL: ICHF


Senhoras e Senhores,


Boa tarde!


Solicitamos aos portadores de telefone celular, que por gentileza mantenham seus aparelhos desligados durante a realização desta cerimônia. Obrigada.


O Cerimonial da Universidade Federal Fluminense, em nome do Magnífico Reitor, Prof. Roberto de Souza Salles, tem a honra de recebê-los para darmos inicio a cerimônia de Outorga do título de Professor Emérito ao Professor Theotonio dos Santos.




Irão compor a mesa que presidirá esta cerimônia as seguintes autoridades:




Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.




RESERVAR CADEIRA À DIREITA DO REITOR


Prof. Jose Raimundo Martins Romeo, Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia, ex-reitor da Universidade Federal Fluminense, representando o Prefeito Jorge Roberto da Silveira




Prof. Sidney Luiz de Mattos Melo, vice-reitor da Universidade Federal Fluminense.


Prof. Francisco de Assis Palharini, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Filsofia


Prof. Eurico de Lima Figueiredo, professor notório saber da UFF


Prof. Marcus Ianoni, chefe do departamento de Ciência Política.


Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra, sub-chefe do departamento de Ciência Política


Prof. Vagner Camilo Alves, coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudos Estratégicos.


Prof. Adriano de Freixo, coordenador de curso de Relações Internacionais.


Para a abertura oficial desta cerimônia, assume a palavra o Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.




HINO NACIONAL


Agradecimento de presenças


Registramos e agradecemos a presença de demais autoridades, professores, funcionários e alunos que vieram prestigiar esta solenidade e que muito nos honram com sua presença.

Com a palavra o Prof. Adriano de Freixo

Passa a falar o Prof. Vagner Camilo Alves,

Ouviremos agora o Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra.

Com a palavra o Prof. Marcus Ianoni.

Ouviremos agora o Prof. Francisco de Assis Palharini.

Com a  palavra o Prof. Jose Raimundo Martins Romeo.

Passa a falar o Prof. Eurico de Lima Figueiredo, que fará uma homenagem ao Prof. Theotonio dos Santos.

-  Entrega do Diploma da Placa =

Prof. Theotonio dos Santos


Prof. Sidney Mello


Para o pronunciamento final, assume a palavra o Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor desta Universidade.

A ESTRATÉGIA DA INFORMAÇÃO INTERNACIONAL.

VEJA COMO SE COZINHAM AS INFORMAÇÕES QUE FAZEM A CABEÇA DAS PESSOAS. DÁ DESGOSTO VER A OPINIÃO QUE AS PESSOAS MANEJAM SOBRE UM GRANDE ESTADISTA COMO MEU AMIGO HUGO CHÁVEZ COM O QUAL PODE-SE CONCORDAR OU DISCORDAR MAS NUNCA DESQUAQLIFICAR. CONHEÇO MUITOS DIRIGENTES MAS POUCOS DA ESTATURA DESTE ENÉRGICO E INTELIGENTE VENEZUELANO. VEJA O ARTIGO DESTA EXCELENTE JORNALISTA ESTADUNIDENSE-VENEZUELANA, EVA GOLINGER, SEMPRE APOIADA EM APMPLA INFORMAÇÃO POUCO CORRENTE PELO BRASIL:

http://centrodealerta.org/noticias/wikileaks_fuentes_usadas_co.html

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SETE DIAS SEM MORTOS PELA CÓLERA

APESAR DAS DIFICULDADES ECONÔMICAS QUE ENFRENTA CUBA, SUA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL CONTINUA ATIVA E GENEROSA. VEJAM COMO FIDEL CASTRO OS CONTA O RESULTADO DA INTERVENÇÃO DA MISSÃO MÉDICA CUBANA NO HAITI.

Reflexões do companheiro Fidel:HAITI:SETE DIAS SEM MORTOS PELA CÓLERA

Ontem expliquei que no Haiti já morreram 1 523 pessoas como conseqüência da cólera e ao mesmo tempo as medidas adotadas pelo Partido e o Governo de Cuba.



Não pensava escrever hoje uma palavra sobre o problema. Desisto no entanto dessa idéia, para elaborar uma breve Reflexão sobre o tema.



A Doutora Lea Guido, representante da OPS-OMS em Cuba — neste momento representante de ambas as organizações nos dois países e pessoa de grande experiência —, declarou hoje à tarde que devido às atuais condições do Haiti se esperava que a epidemia afetasse 400 mil pessoas.



Por outro lado, o Vice-ministro de Saúde de Cuba e Chefe da Missão Médica Cubana, o embaixador de nosso país no Haiti e outros colegas da Missão, estiveram reunidos durante todo o dia com o presidente René Preval, a Doutora Lea Guido, o Ministro de Saúde haitiano e outros funcionários de Cuba e do Haiti, elaborando as medidas que serão aplicadas com urgência.



A missão médica cubana atende a 37 centros que enfrentam a epidemia, onde até hoje tem oferecido atendimento a 26 040 pessoas afetadas pela cólera, aos quais se somarão logo, com a Brigada “Henry Reeve”, mais 12 centros (para totalizar 49) com 1 100 novos leitos, em barracas de campanha desenhadas e elaboradas para esses fins na Noruega e outros países, já adquiridas com os fundos para enfrentar o terremoto, entregadas a Cuba por Venezuela para a reconstrução do sistema de saúde no Haiti.



Ao anoitecer de hoje chegou uma noticia alentadora do Doutor Somarriba: durante os últimos sete dias não houve nenhum falecimento pela cólera nos centros atendidos pela missão médica cubana. Seria impossível manter esse índice, visto que outros fatores podem incidir nesse resultado, mas oferece uma idéia muito reconfortante a experiência adquirida, os métodos adequados e o grau de consagração atingidos.



Satisfaz-nos igualmente que o presidente René Preval, cujo mandato finaliza no próximo dia 16 de janeiro, tenha decidido converter a luta contra a epidemia na atividade mais importante de sua vida, a qual legará ao povo do Haiti e ao Governo que o suceda.





Fidel Castro Ruz

27 de Novembro de 2010

9h56

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CERIMONIA DE ENTREGA DO TÍTILO DE PROFESSOR EMÉRITO

O reitor da Universidade Federal Fluminense,

professor Roberto de Souza Salles, tem a honra de convidar

V.Sa. para a solenidade de entrega do título de Professor Emérito ao

Professor Theotonio dos Santos

a realizarse no dia 15 de dezembro de 2010, às 15 horas, no Auditório

do ICHF - Rua Prof. Marcos Waldemar de Freitas Reis, s/n,

Bloco O, 2° andar - Campus do Gragoatá - Niterói-RJ.

NOVAS AMEAÇAS DA DIREITA ESTADUNIDENSE

Fidel Castro volta a chamar atenção sobre a onda direitista como ameaça de uma guerra que pode converter-se em nuclear. As forças pró-imperialistas dos Estados Unidos desesperadas brincam com fogo.

Uma insólita reunião acontecera no Capitólio dos Estados Unidos entre um grupo de legisladores da direita fascista desse país e líderes da direita oligárquica e golpista da América Latina. Ali se falou do derrubamento dos governos da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua.

O fato aconteceu poucos dias antes do encontro de Ministros de Defesa dos países do hemisfério, em Santa Cruz, na Bolívia, onde o presidente Evo Morales pronunciou sua enérgica denúncia em 22 de novembro.

Mas não se tratava de uma campanha midiática caluniosa ?algo habitual na política imperialista?, senão de uma atividade conspirativa que, com certeza, conduziria na Venezuela a um inevitável derramamento de sangue.

Pela experiência vivida ao longo de muitos anos, não albergo a menor dúvida do que aconteceria na Venezuela se Chávez fosse assassinado. Não haveria que partir de um plano prévio contra o Presidente; bastaria um alucinado, um consumidor habitual de drogas, ou a violência desatada pelo narcotráfico nos países da América Latina, para produzir na Venezuela um problema extremamente grave. Analisando o fato do ponto de vista político, as atividades e os hábitos da oligarquia reacionária proprietária de poderosos meios de informação, encorajada e financiada pelos Estados Unidos, conduziria inevitavelmente a choques sangrentos nas ruas venezuelanas, como são as intenções claras da oposição venezuelana, semeadora de ódio e atos de violência a olhos vistos.

Guillermo Zuloaga ?proprietário de um canal de televisão opositor à Revolução Bolivariana e prófugo da justiça venezuelana?, é um dos conspiradores que participou da reunião de congressistas convocada por Connie Mack e Ileana Ros-Lehtinen ?de origem cubana e filiação batistiana?, conhecida por nosso povo como a “loba feroz” por sua conduta repugnante aquando do seqüestro de Elián González e sua negativa de entregar o menino a seu pai. A congressista republicana é um símbolo do ódio e do ressentimento contra Cuba, a Venezuela, a Bolívia e os demais países da ALBA; quase com toda certeza o Congresso dos Estados Unidos a elegerá Presidenta do Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes; foi defensora do governo golpista de Honduras, rejeitado pela maioria dos países da América.

O Governo Bolivariano da Venezuela estava perante um grave e provocador desafio. Era um tema realmente delicado. Perguntava-me qual seria a reação de Chávez. A primeira resposta enérgica partiu de Evo Morales em seu brilhante e sentido discurso que nosso povo já conhece hoje. Há dois dias, na terça-feira 23, foi anunciado que Chávez abordaria o tema na Assembléia Nacional.

O ato foi convocado para as 17h00 e começou quase exatamente à hora marcada. Os discursos ali pronunciados foram enérgicos e precisos. Todas as atividades decorreram em apenas duas horas e alguns minutos. Os venezuelanos tinham tomado o problema bem em sério.

Chávez começou mencionando os nomes de numerosas pessoas presentes e, depois de brincar com a nova campeã mundial de Katá e o jogo entre dois times profissionais de Beisebol, entrou progressivamente em matéria:

“…vou, na verdade, na verdade, na verdade, ser breve. Foi dito, digam-me, esse documento que foi lido pelo deputado Roy, obrigado Roy, Roy Daza, por essa leitura; esse documento, não só em defesa da Venezuela, como aqui já foi dito, Eva o disse. Não, estamos saindo em defesa da pátria humana; a gente poderia dizer, inclusive, em defesa da possibilidade humana.

“Trouxe uns livros […] Este foi o mesmo exemplar, já está um pouquinho desgastado, que ergui lá, nas Nações Unidas, Chomsky, Hegemonia ou sobrevivência —continuo recomendando este livro—: A estratégia imperialista dos Estados Unidos, Noam Chomsky. Eva o mencionava e nos lembrava a este grande do pensamento crítico, do pensamento criador, da filosofia, da luta pela humanidade.

“Eis a continuação deste, Estados falidos: o abuso de poder e o ataque à democracia. Aqui, nada mais e nada menos, Chomsky coloca a tese de que o primeiro Estado falido neste mundo é o Estado estadunidense, um Estado falido, uma verdadeira ameaça para todo o planeta, para todo o mundo, para a espécie humana.”

“Aqui tem uma parte da entrevista, das conversações, onde Chomsky faz reflexões acerca da América Latina e sobre a Venezuela, de maneira muito valente, muito objetiva e generosa, defendendo nosso processo revolucionário, defendendo nosso povo, defendendo o direito que temos e estamos exercendo, de dar-nos nosso próprio caminho, como todos os povos do mundo têm, e o império ianque tem desconhecido este direito e pretende desconhecê-lo.

“No mesmíssimo capitólio federal —acho que o chama—, na mesmíssima Washington se reuniu, foi instalada uma cúpula de terroristas; uma cúpula, uma patota —diriam os argentinos, e também os venezuelanos falamos patota—, uma verdadeira patota de delinqüentes, trapaceiros, terroristas, ladrões, malandros, reuniram-se, e, além disso, aprovados por ‘prestigiosas’ figuras do estabelecimento, do establishment, não só das correntes da extrema direita republicana, mas também do Partido Democrata, e lançaram —como já foi dito aqui, Eva o disse, também Roy no maravilhoso documento que leu, um documento de Estado, um documento nacional— abertamente uma ameaça contra a Venezuela, contra os países e os povos da Aliança Bolivariana.

“Saudamos desde aqui a Evo Morales, valente companheiro, camarada, e ao povo da Bolívia.

“Saudamos desde aqui a Rafael Correa, valente companheiro, camarada, e ao povo equatoriano.

“Saudamos desde aqui a Daniel Ortega, esse comandante presidente, valente companheiro, camarada, e ao povo da Nicarágua.

“Saudamos desde aqui a Fidel Castro, a Raúl Castro e a esse valente povo cubano.

“Saudamos desde aqui a todos os povos do Caribe, a Roosevelt Skerrit e ao povo de Dominica, valentes líderes; São Vicente e as Granadinas; Ralph Gonçalves, Spencer, aos povos da ALBA, da Aliança Bolivariana, a seus governos, aos nossos governos, e, é claro, desde aqui ao povo bravio da Venezuela, nosso compromisso e nosso apelo à unidade e a continuar batalhando pelo futuro da pátria, pela independência, cuja ata original —já o disse nossa presidenta Cilia— aí está, a ata original que data de 200 anos.

“Estamos entrando já em 2011, preparemo-nos de todos os pontos de vista: espiritual, político, moral, para comemorar os 200 anos daquele primeiro Congresso, daquela primeira Constituição, a primeira da América Latina, daquele nascimento da Primeira República, o nascimento da pátria venezuelana, muito mais que em 5 de julho, é todo 2011, e o início da guerra revolucionária de independência que comandou primeiro Miranda, depois Bolívar e os grandes homens e mulheres que nos deram pátria.

“O documento que lia Roy Daza começa fazendo citação de uma frase de Bolívar em carta ao agente Irving, um agente estadunidense que veio aqui para reclamar aqueles navios que Bolívar e suas tropas apreenderam no Orinoco porque os Estados Unidos enviavam armas e apetrechos.

“Não é novo, Eva, não é novo tudo isso que você denuncia aí, de enviar milhões de dólares, apoio logístico. Não. Desde essa época o governo dos Estados Unidos enviava armas e apetrechos às tropas imperialistas da Espanha. E é famoso. Assim o recolheu em parte esse bom escritor cubano, Francisco Pividal, em outro livro que não deixo nunca de recomendar: Bolívar, pensamento precursor do antiimperialismo. Lê-se de uma vez. E tema í um conjunto de citações extraordinárias. Você já sublinhava uma.



“Mas em alguns trechos de algumas dessas cartas de Bolívar a Irving —acho que foi a última que ele lhe enviou—, quando já Irving começa a ameaçá-lo com o uso da força, Bolívar lhe diz: não vou cair na provocação, nem em essa linguagem. Só desejo dizer-lhe, senhor Irving —por aí está escrito, vou parafrasear, porque é a idéia, é a dignidade de nosso pai Bolívar o que se impõe, o que importa nesta sala plena de magia, plena de símbolos, plena de pátria, plena de sonhos, plena de esperança, plena de dignidade—, disse-lhe Bolívar: Saiba, senhor Irving, que mais da metade ou a metade —era 1819, já tinha decorrido quase uma década de guerra a morte— ou quase a metade dos venezuelanos e venezuelanas morreu na luta contra o império espanhol, a outra metade dos que cá ficamos estamos ansiosos de seguir esse mesmo caminho se Venezuela tivesse que enfrentar o mundo inteiro por sua independência, por sua dignidade.

“Esse era, esse é Bolívar, e aqui estamos seus filhos, suas filhas, Maria, dispostos a fazer a mesma coisa. Saiba o mundo, estamos dispostos a fazer a mesma coisa. Se o império ianque, com todo seu poderio, do qual não nos rimos, não, é preciso levá-lo em conta —como bem nos recomenda Eva—; decidisse agredir, continuar agredindo e agredir abertamente Venezuela para tentar deter esta revolução, cá estamos dispostos, saiba, senhor império e suas personificações, que aqui estamos dispostos a fazer a mesma coisa: a morrer todos por esta pátria e sua dignidade!

“Haveria que se perguntar, essa reunião de cúpula de terroristas que se reuniu em Washington, alguns venezuelanos, bolivianos, instrumentos de genocídio —como se perguntava ontem um bom jornalista em uma entrevista— seria bom saber quê passaporte estão usando esses delinqüentes, por onde entraram, se alguns deles estão no código vermelho da INTERPOL. Chegaram muito fácil, e chegam e passeiam pelas ruas de Washington, são bem tratados. Por isso tem razão Noam Chomsky. Repito com Noam Chomsky: O Estado estadunidense é um Estado falido que age mais além das leis internacionais, não respeita absolutamente nada e se sente, também, com direito a fazê-lo, não responde perante ninguém. É uma ameaça não só para a Venezuela e para os povos do mundo, senão para seu próprio povo, povo que é agredido permanentemente por esse Estado antidemocrático.

“Vejam aqui, apenas um resumo. Wikileaks, familiar, não é?

“O quê dirá esta senhora representante, fascista, que nos chama a nós, a Evo, a Correa e a mim, foragidos? Foragida ela, é uma foragida que bem pudesse um tribunal venezuelano solicitar extradição dessa foragida por estar cometendo delitos e conspirando, e muitos outros, contra a soberania do nosso país. É uma foragida. Só resta desmascará-la perante o mundo; é o que resta, e aos foragidos.

“O quê dirão esses foragidos, sobre isto, por exemplo?

“Leio:

“‘O quê dirá o Parlamento estadunidense sobre estes relatórios, sobre estes documentos que eram secretos e agora têm sido publicados nesta página Wikileaks? O quê significará Wikileaks? Assim como Chávez Candanga.

“‘Em 15 de março de 2010, Wiki Candanga publicou um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no qual tratava várias filtrações protagonizadas por esta Web relacionadas com interesses estadunidenses e propunha diversas vias para marginalizá-la: vídeo de assassinatos de jornalistas.’ Eis alguns dos documentos, são públicos. Seria bom ver se alguma autoridade nos Estados Unidos toma alguma iniciativa perante esses delitos, ou esses supostos delitos, não é? Não sou juiz para determiná-lo, supostos delitos graves cometidos por cidadãos de seu país, civis, militares; por seu governo.

“Leio: ‘No dia 5 de abril de 2010, Wikileaks publicou um vídeo no qual se vê como soldados estadunidenses assassinam o repórter de Reuters, Namir Noor-Eldeen, a seu ajudante e mais nove pessoas. Vê-se claramente que ninguém dos presentes fazia fintas de ataque ao helicóptero Apache do qual lhes disparavam. Ainda que a agência Reuters solicitasse em numerosas ocasiões o vídeo, foi-lhe negado até que Wikileaks conseguiu este vídeo inédito que pôs em xeque o aparelho militar dos Estados Unidos.’

“Bom, pôs em xeque é fala, né? Pelo menos moralmente.

“Mais uma vez, o quê dirão as Nações Unidas? O quê se passaria se isso acontecesse em alguns dos países da ALBA? O quê se passaria? O quê dirá a OEA, o quê dirá o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Conselho de Direitos Humanos? O quê dirá a tristemente célebre Corte Internacional de Direitos Humanos? Para que vejamos a dupla rasoura com que se medem aqui os direitos humanos, o respeito à vida, o terrorismo e todos esses fenômenos.

“Diários de guerra do Afeganistão, 25 de julho de 2010, foram também publicados. Registros da guerra do Iraque. Reparem nesta frase: ‘Em 22 de outubro de 2010’—há poucos dias— ‘Wikileaks tornou público em sua página Web um compêndio denominado Documento da guerra no Iraque, que contém 391 831 documentos filtrados, desde o Pentágono, sobre a guerra do Iraque e sua ocupação, entre 1 de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2009, nos quais se revelam, entre outros assuntos, o uso sistemático de torturas, a cifra de 109 032 mortos no Iraque, dos quais 61 081 foram civis, 63%; 23 984 'inimigos etiquetados como insurgentes', 15 196 chamados do país anfitrião.’ Que maneira de visitar um país! ‘E 3 771 mortos 'amigos', força da coligação. Os documentos revelam que cada dia morreram 31 civis como média durante um período de seis anos.’

“Quem investiga isto? Quem responde por isto? Não, é o império, é o falido Estado norte-americano. Leio esta frase: ‘Estes documentos que estão ordenados cronologicamente e por categorias descrevem ações militares mortais que afetam o exército dos Estados Unidos, incluindo o número de pessoas assassinadas, feridas o detidas como resultado dessas ações, bem como a localização geográfica precisa de cada acontecimento; além disso, detalha as unidades militares implicadas e as armas utilizadas.’ Suficientes detalhes para uma investigação.

“O quê dirá o Congresso dos Estados Unidos sobre isto? Lá está nosso embaixador em Washington. Você ainda é embaixador lá? Sim, você é embaixador. Que saibamos aqui não se disse nada, não é?

“Aqui diz: ‘A maioria das entradas do diário foram escritas por soldados e membros dos Serviços de Inteligência, que escutavam os relatórios transmitidos por rádio desde a frente de combate.

“‘Vítimas civis provocadas pela força da coligação. Ao mesmo tempo’, diz aqui, ‘foi publicado um grande número de ataques e mortes, como resultado dos disparos das tropas contra condutores desarmados, perante o temor de que esses fossem terroristas suicidas.

“‘Um relatório detalha como uma criança foi assassinada e outra resultou ferida quando o auto no qual viajavam recebeu os disparos das tropas. Em compensação por este ataque foi pagado a seus familiares 100 000 afganis pelo menino morto, 1 600 euros.’ O capitalismo paga, 20 000 afganis, 335 euros pelo ferido e 10 000 afganis, 167 euros pela viatura. E a tudo isso lhe chamam nos relatórios, aqueles que o redigem, ‘pequenas tragédias’, ‘pequenas tragédias’. Esta é a grande ameaça, a maior ameaça que hoje vive o planeta.

“O império ianque, sem dúvida, entrou em uma fase de declínio político, econômico e, sobretudo, ético; mas quem pode negar seu grande poderio militar, que, combinando esses fatores, converte este, o mais poderoso império da história da Terra, em uma ameaça muito maior para nossos povos. O quê nos resta? Já foi dito também: unidade, unidade e mais unidade.

“O quê vai fazer o Congresso dos Estados Unidos a partir de janeiro, um Congresso de extrema direita? Bom, o Parlamento venezuelano a partir de 5 de janeiro deve ser de extrema esquerda.

“E faço um apelo para os deputados e deputadas eleitos pelo povo, pelos movimentos populares, os movimentos sociais, os partidos da revolução, têm um grande compromisso a partir do 5 de janeiro.

“É na verdade inaudito, e Eva nos lembrou isso. Como é que aqui se continua permitindo que a gente, tendo esta Constituição —quanto custou, quantos anos de batalha, quanto suor, quanto sangue, quantos esforços; cá está bem claramente estabelecido, também está ali na primeira Constituição, a primeira ata de independência e nossa primeira Constituição, somos um país soberano—, a risco de que nos chamem outra vez ‘a pátria boba ou a revolução boba’, ou se quisermos ser muito mais populares na palavra ‘a revolução pentelha’; como é que a gente vai permitir que partidos políticos, ONGs, personalidades da contra-revolução continuem sendo financiados com milhões e milhões de dólares do império ianque e andem por aí fazendo uso da plena liberdade para abusar e violar nossa Constituição e tentar de desestabilizar o país? Imploro que seja feita uma lei bem severa para impedi-lo. Essa deve ser a forma como a gente deve responder à agressão imperial, à ameaça imperial, radicalizando posições, não afrouxando absolutamente nada, ajustando posições, afincando o passo, consolidando a unidade revolucionária. Não apenas um Parlamento, muito mais à esquerda, muito mais radicalmente à esquerda, precisamos de um governo muito mais radicalmente à esquerda, uma força armada, general Rangel —general em chefe, que o ascenderemos finalmente no sábado, que é 27 de novembro, Dia da Força Aérea—, muito mais radicalmente revolucionária, junto do povo.

“Não deve existir cabimento em nossas fileiras civis, militares, para palavras vagas. Não, uma só linha: radicalizar a revolução! E isso o tem que sentir essa grosseira burguesia apátrida, deve senti-lo! Essa burguesia venezuelana, sem-vergonha e sem pátria, deve sentir, deve saber que não é gratuito que um dos seus mais conotados representantes vá no mesmíssimo Congresso do império a arremeter contra a Venezuela e que continue tendo aqui um canal de televisão. E assim por diante, e assim desse jeito! A burguesia venezuelana deve saber que vai-lhe custar cara a agressão contra o povo, e não andar se passeando por aí.

“Lembro —aí está José Vicente Rangel, Maduro e companheiro, obrigado por nos acompanhar— quando no governo de Betancourt, inclusive foram apreendidos, sem julgamento prévio nem fórmula prévia, deputados dos partidos de esquerda, sem prova alguma os meteram na cadeia, tiraram-lhes a imunidade parlamentar.

“Dentro de poucas semanas ingressará neste recinto um grupo de deputados da extrema direita. Bom, apenas é preciso lembrar-lhes que aqui existe uma Constituição. Assim como foi ilegalizado aqui, em seu momento, o Partido Comunista da Venezuela, e muitos outros partidos, e a muitos deputados lhes retiraram a imunidade parlamentar, mesmo sem provas, outros foram para a montanha, como o grande Fabricio Ojeda, que renunciou a sua cadeira e foi para a montanha para dar o sangue pela revolução e pelo povo. Imagino que este digno Parlamento não aceitará, tendo a representação majoritária das forças populares, que aqui venha a força da ultra direita a tentar subverter a ordem constitucional. Suponho que o Estado, tenho a certeza de que o Estado ativará todos os mecanismos em defesa da Constituição e da lei perante as agressões que não se deixarão esperar.




“Em resumo, a ameaça... Como é que chamaram o evento dos terroristas? ‘Ameaça nos Andes’, né?, Nicolás; Perigo nos Andes, é como o título de um filme, Perigo nos Andes; aliás, haveria que advertir ou alertar o perigo no mundo, o perigo é mundial.

“mesmo agora tem uma situação, nestes momentos, lá na Península da Coréia. Quando eu vinha para cá ainda as notícias eram confusas, como confuso foi o afundamento daquele navio da Coréia do Sul, o Cheonan; mas depois surgiram evidências de que essa nave foi afundada pelos Estados Unidos. Agora em uma pequena ilha, naquela península dividida pelo império ianque, invadida, arrasada durante anos, existe uma situação de tensão, umas bombas, uns mortos e uns feridos.

“Fidel Castro leva vários meses alertando acerca dos graves riscos de uma guerra nuclear. Há pouco estive lá, mais uma vez, e me explicava, desenvolvia seu pensamento —já bastante o conhecemos, é claro, não há nada melhor que dialogar— e me dizia: ‘Chávez, qualquer teco ali nessa zona, cheia de armas de destruição maciça, de armas atômicas, pode escalar para uma guerra, que pudesse ser, primeiro, convencional...’; mas ele está convencido de que vai direto a uma guerra nuclear, que pudesse marcar o fim da espécie humana. Portanto, não é o perigo nos Andes, esquálidos de Washington; o perigo é mundial.

“Cá na Venezuela, como Eva dizia, acendeu-se uma luz, e na América Latina acendeu outra, acendeu outra e acenderam outras. Hoje podemos dizer —não Venezuela; não—: América Latina é o continente da esperança e o império ianque não pode fechar as portas da esperança.

“A nós, aos venezuelanos e venezuelanas, sempre nos coube, por alguma razão, ou por algumas razões de diferentes sinais, estar na vanguarda dessas lutas, há séculos.

“Vejo lá o retrato de Miranda, de Bolívar, e lá Martín Tovar e Tovar, Carabobo, e tudo isso Roy o lia e o dizia com paixão: Cá está, em nossos genes, em nosso sangue. Parafraseou Mao, o grande timoneiro.

“Esse império, esse Estado falido que são os Estados Unidos, apesar de seu imenso poder, de suas ameaças, vai terminar sendo um gigantesco tigre de papel e nós somos obrigados a nos converter em verdadeiros tigres de aço, pequenos tigres de aço, invencíveis, indomáveis.

“Senhora Presidenta, prometi ser breve, e o disse no começo, e o repito: Acho que tudo o que aqui devia ser dito, foi dito entre Eva Golinger, a valente mulher, e este valente cavaleiro deputado Roy Daza, recolhido nesse documento que agora entendo que vai circular pelos quatro cantos da Venezuela, e mais além, pela América Latina.

“Agradeço o convite a este ato; agradeço o gesto, e só, como mais outro, junto-me a este gigantesco batalhão, por assim dizer, em defesa da Venezuela, em defesa da pátria venezuelana.

“Olhando o quadro, mais do que um quadro, a obra monumental de Tovar e Tovar, a gente enxerga lá a infantaria, e enxerga lá a cavalaria. Inspiremo-nos ali: Infantaria, baionetas caladas, a passo redobrado! Cavalaria, ao galope, em defesa da pátria bolivariana, da Aliança Bolivariana de nossos povos!

“Abaixo o império ianque!”, exclamou finalmente, e vivas à ALBA, à Pátria e à Revolução.

Não há a menor dúvida de que Chávez, um homem de profissão militar, porém muito mais apegado à persuasão e ao diálogo do que à força, não hesitará para impedir que a direita pró imperialista e anti patriótica lance venezuelanos enganados contra a força pública para ensangüentar as ruas da Venezuela.

Na Bolívia e na Venezuela a máfia imperialista tem recebido uma resposta tão clara e enérgica que talvez não imaginava.

Fidel Castro Ruz

25 de novembro de 2010

18h34

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