segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ESTE TEXTO FOI ESCRITO COMO INTRODUÇÃO DA EDIÇÃO EM ESPANHOL DO LIVRO IMPERIALISMO E DEPENDENCIA DE THEOTONIO DOS SANTOS NA BIBLIOTECA AYACUCHO DE CLÁSSICOS LATINOAMERICANOS, CÉLEBRE COLEÇÃO EDITADA NA VENEZUELA. VOCÊ DEVE ENTRAR NA INTERNET E PODERÁ BAIXAR ALGUNS DOS MAIORES CLÁSSICOS DA NOSSA REGIÃO. NÃO DEIXE DE SE DELICIAR COM ESTA BIBLIOTECA.



IMPERIALISMO E DEPENDÊNCIA: REVISITANDO UM CLÁSSICO
Carlos Eduardo Martins*
1. Um Panorama da Obra de Theotônio Dos Santos
Embora vá centrar sua ênfase numa problemática regional e latino-americana a teoria da dependência antecipa a teoria do sistema mundial, ao destacar a existência de uma economia mundial em expansão como o elemento central da acumulação de capital e situar o mundo como objeto de análise condicionante para qualquer investigação regional ou nacional. Theotônio dos Santos, junto a André Gunder Frank, será o mais internacionalista dos teóricos da dependência. Ele contribuirá decisivamente para a compreensão do funcionamento da economia mundial, integrando num mesmo arcabouço teórico-metodológico, como instrumentos para a sua análise, os conceitos de revolução científico-técnica e de ciclos de Kondratiev. Esse aparato conceitual vem sendo desenvolvido pelo autor, desde seu exílio mexicano, e ganha ampla projeção em seus trabalhos a partir de seu regresso ao Brasil em 1979. Sua análise do sistema-mundial vai se articular fortemente com sua interpretação das forças produtivas contemporâneas. Estas serão constituídas, a partir de meados dos anos 1940, por uma nova revolução nos processos produtivos, destinada a substituir as bases da revolução industrial, e que denomina-se revolução científico-técnica. Os estudos do autor sobre este tema, embora bastante avançados no México, vão adquirir sua forma madura nos anos 1980-90, em escritos como Revolução científico-técnica e capitalismo contemporâneo (1984), Revolução científico-técnica e acumulação de capital (1987),  Revolução científico-técnica e divisão internacional do trabalho (1991) ou Economia mundial e .integração regional (1995).


O desenvolvimento da economia mundial capitalista torna as histórias nacionais profundamente diferenciadas de acordo com a posição hierárquica que uma formação social nacional ocupa na divisão internacional do trabalho. Os paises centrais não representam modelos avançados para as formações periféricas, nem pertencem a outra temporalidade. Constroem sua história, simultaneamente às periferias, a partir da posição específica que adquirem na economia mundial. Se estes apóiam-se na economia mundial para estabelecer um desenvolvimento das forças produtivas que lhes favorece, nas periferias, o interesse nacional se subordina aos condicionamentos da economia mundial. O desenvolvimento do subdesenvolvimento que passa a constituir as periferias exige como contrapartida a superexploração do trabalho e torna a expansão das forças produtivas muito mais contraditórias que nos centros, abrindo o espaço para que iniciem a transição ao socialismo. Cria-se então uma terceira formação, a socialista, que a partir de 1917, integra a economia mundial, disputando com o capitalismo o seu protagonismo, na medida em que constitui-se como a fase inicial de um modo de produção igualmente universalista: o comunismo. Este socialismo parte, entretanto, de condições de escassez material, tendo de cumprir a missão de desenvolver a revolução industrial, tarefa eminentemente burguesa - na medida em que esta constitui sua base de forças produtivas -, o que o situa em condições muito específicas, de acumulação primitiva, e lhe gera importantes distorções. 
Para o autor, a crise de longo prazo tenderia a aproximar as diversas forças sociais e políticas que representavam as classes trabalhadoras, mas para que estas se unificassem em torno a um programa de transição ao socialista deveriam superar vários obstáculos que confrontavam esta possibilidade. Um primeiro, a tradição divisionista e sectária que se impôs nos países centrais durante a guerra fria e que opôs comunistas, de um lado, e socialistas e social-democratas, de outro. O segundo, o anti-institucionalismo da nova esquerda que surgiu, nos final dos anos 1960, como resultado de suas críticas às burocracias sindicais e políticas e à orientação reformista que esta imprime aos partidos social-democracia, socialistas e comunistas. O terceiro, as limitações que a burocracia estatal dos países socialistas estabelecia para o desenvolvimento da revolução socialista. O socialismo, aponta, Theotonio dos Santos, é expressão das condições concretas em que surge e da não da aplicação de idéias puras. O fato de emergir em condições muito atrasadas de desenvolvimento de forças produtivas fez com que se restringisse a incorporação da direção estatal à sociedade e que se cristalizasse neste aparelho uma burocracia com interesses contraditórios. Se de um lado, impõe o planejamento sobre o mercado e a propriedade coletiva dos meios de produção; de outro lado restringe o avanço do processo revolucionário, opondo-os ao interesses de Estado, ao assumir as teses do socialismo em um só país ou região, que em realidade limita-o também internamente, ao manter e aprofundar as desigualdades sociais associadas a uma direção hierarquizada. No plano internacional confunde-se a busca por uma política de paz e de co-existência pacífica com o abrandamento das lutas de classes, convertendo-se a transição ao socialismo num exercício de superioridade econômica sobre a economia mundial; ou criam-se disputas nacionais entre interesses estatais socialistas distintos, cuja maior expressão foram as tensões sino-soviéticas. Entretanto, desenvolve-se também a cooperação entre os países socialistas o que permite a um país como Cuba contar com o apoio militar e econômico para desenvolver a transição ao socialismo com menores dificuldades.
No balanço das forças socialistas que realiza então, o autor considera possível, ainda que não provável, o avanço num nível que imponha o seu protagonismo na economia mundial e impeça a superação pelo capitalismo da crise de longo prazo em que ingressa a partir de 1967. O desenvolvimento das forças produtivas nos países socialistas e o fato de não produzirem os ciclos de Kondratiev são razões para otimismo, pois lhes permitiria exercer uma importante ofensiva na economia mundial.  Esta ofensiva deveria combinar três tipos de atuação: o avanço do movimento revolucionário nos países centrais; o desenvolvimento do intercâmbio solidário entre os países socialistas; e o aumento da integração econômica dos países socialistas com a economia mundial capitalista.  Esta integração faria concessões à economia de mercado, mas lhes permitiria, por outro lado, impulsionar a base científico-tecnológica instalada para aprofundar o desenvolvimento tecnológico, diferenciar o consumo e aumentar o tempo livre, possibilitando um nível de participação popular capaz de restringir a ação da burocracia e transferir a direção estatal à própria sociedade, fator decisivo para o desenvolvimento do socialismo. Mas as forças revolucionárias e unificadoras são ainda minoria no âmbito da economia mundial e disporiam de tempo relativamente limitado para impor sua hegemonia internacional, pois a depressão capitalista atinge seus níveis mais profundos tende a desorganizar as instituições do proletariado e criar as condições para uma nova ofensiva imperialista.
O multinacionalismo, segundo Theotonio dos Santos, poderia liderar a reorganização da economia mundial se reestruturasse a divisão internacional do trabalho, baseando-se para isso num nível muito mais avançado de capitalismo de Estado. A produção seria reorientada para o mercado internacional e para isto o multinacionalismo se apoiaria no neoliberalismo impulsionado desde o Estado. Trata-se de criar novos mercados para os grandes conglomerados e suas filiais, uma vez que o desenvolvimento da revolução científico-técnica rompe a relação positiva com o multiplicador keynesiano e que as escalas tecnológicas das inversões nos países dependentes chocam-se com os limites da superexploração da força de trabalho. O autor aponta que este movimento provocaria não apenas contradições inter-imperialistas, mas também no interior do bloco capitalista estadunidense, amadurecendo a longo prazo as condições para uma ofensiva revolucionária. A abertura do mercado estadunidense aprofundaria os déficits comerciais e em conta corrente do balanço de pagamentos, destruiria parte da burguesia voltada para o mercado interno, elevaria o desemprego e reduziria os salários dos trabalhadores. As transferências de tecnologia para outros centros se intensificariam e debilitariam a hegemonia estadunidense que se conjugaria com a emergência de sub-potências regionais, as quais receberiam os seus sistemas tecnológicos mais atrasados. Tais saltos tecnológicos nos países dependentes priorizariam a produção de partes e componentes e de matérias primas industrializadas para os países centrais, aprofundariam a superexploração do trabalho e buscariam evitar o desenvolvimento do setor I, produtor de maquinarias, que tornaria a dependência uma expressão puramente política e materialmente desnecessária. O novo grau de internacionalização capitalista, entretanto, aprofundaria a contradição entre a integração mundial e suas bases privadas e não conseguiria evitar completamente a tendência à difusão do setor I, mesmo que através de sua fragmentação mundial. Tal contradição estabelece os termos do paradoxo da dependência, onde ao mesmo tempo em que esta aumenta, diminui-se a necessidade objetiva dela, apresentando-se na internacionalização simultaneamente sua cara dependente e a sua cara liberada.
c) As forças socialistas estão de fato em avanço secular desde 1917, e este aparece sob a forma combinada de movimento social revolucionário, integração econômica dos Estados socialistas na economia mundial e do desenvolvimento do seu intercâmbio político. Entretanto, a dialeticidade que assume este avanço pode implicar em violentas tensões entre as suas partes, levando a importantes dissoluções para que novas etapas de desenvolvimento sejam alcançadas. A experiência do socialismo em um só país ou região tornou-se insustentável para enfrentar os desafios do capitalismo globalizado. A satelitização dos partidos comunistas ocidentais pelo soviético e seu controle pelos interesses nacionais de sua burocracia exigiram a liquidação deste paradigma, falsamente interpretado pelos liberais e conservadores como uma derrota definitiva do socialismo[3]. Neste sentido, o autor aponta as contradições entre as burocracias, em particular a soviética, e os interesses de conjunto dos trabalhadores como um importante conflito no seio do movimento socialista e situa corretamente, entre as condições para sua superação, a capacidade desta burocracia liderar um desenvolvimento das forças produtivas que lhe permita acumular vantagens na economia mundial diante do capitalismo. É verdade que na análise que então fazia Dos Santos, houve uma superestimação das possibilidades da burocracia soviética em cumprir este papel. Esta comprometeu-se com a estagnação da economia ao não ser capaz de conciliar a democratização da gestão impulsionada pelo paradigma tecnológico microeletrônico, emergente nos anos 1970, e a propriedade coletiva dos meios de produção.
d) A combinação, como estratégia de avanço socialista, entre movimento social revolucionário, integração econômica dos Estados socialistas na economia mundial capitalista e o desenvolvimento de seu intercâmbio político, mencionada pelo autor, supõe a autonomia relativa destas formas e, com isto, a incapacidade de se derrotar o sistema capitalista por vias que sejam exclusivamente econômica ou política. O desafio que a transformação socialista deve lançar ao capitalismo é o de articular as várias formas de luta, isto é, econômicas, sociais, políticas e ideológicas que se desenvolvem na economia global, mas que isoladamente assumem um caráter limitado e contraditório com as metas de avanço global mais substantivo. O capitalismo mundializa o desenvolvimento desigual e combinado e com ele a acumulação de contradições nas periferias avançadas do sistema. O socialismo que emerge nestas regiões tem o desafio não apenas de erradicar a pobreza e a superexploração do trabalho, mas o de superar a condição periférica.  A integração à economia mundial capitalista e a formulação de um “socialismo de mercado” que se estabelece num país como a China, se restringe, do ponto de vista local, avanços socialistas que se alcançaram – o grau de extensão da propriedade coletiva dos meios de produção –, do ponto de vista sistêmico, questiona a divisão entre centros e periferias que é estrutural para o desenvolvimento do capitalismo, sobretudo, quando, como neste caso, se trata da emergência de países continentais e de vasta proporção demográfica.  Por outro lado, os movimentos sociais que não conseguiram apropriar-se do Estado, enfatizam a dimensão política, sob várias formas, considerando as diversas circunstâncias em que se encontram, para impulsionar as tarefas de transformação social. Promover a articulação entre Estados e movimentos sociais e a cooperação – isto é, o intercâmbio em bases políticas – entre os países periféricos e semiperiféricos é um dos elementos fundamentais da transformação socialista global e permite socializar o poder econômico que o socialismo alcança no seio da própria sociedade capitalista, uma vez que, a prerrogativa da articulação predomine sobre a autonomia e a anarquia no desenvolvimento dos processos sociais.
e) Nos países dependentes, a nova divisão internacional do trabalho, de fato, aprofunda a contradição entre o aumento da interdependência e a subordinação à economia mundial. Na mundialização contemporânea, o dinamismo econômico passa a ser impulsionado pelo desenvolvimento do sistema científico-tecnológico que acelera a difusão dos conhecimentos e das tecnologias. Mas para apropriá-los é necessário desenvolver a capacitação interna, fortemente associada à qualificação da força de trabalho e à formação de redes que descentralizem a decisão e a informação. A tendência à internacionalização do setor I é em grande parte esterilizada pela focalização do progresso tecnológico – destinado à geração de um aparato exportador de valor agregado limitado e sem capacidade de encadeamento das estruturas produtivas – e pela superexploração do trabalho. Nos países dependentes incrementam-se, ainda que discretamente, os gastos em P&D, o número de cientistas e engenheiros e o grau de qualificação da força de trabalho. Entretanto, a potencialidade desta forças produtivas é fortemente restringida. O neoliberalismo desloca os gastos em P&D da pesquisa básica e dos segmentos difusores de progresso técnico para aplicações tecnológicas mais específicas e submete a capacidade de introduzir inovações à concorrência internacional e à produtividade, onde joga papel central a tecnologia estrangeira. O resultado é a relativa ociosidade do esforço local de capacitação ou uma destinação que restringe o alcance dos recursos locais. Para que se ultrapassem estes limites, como assinala o autor, é necessária a implementação de um regime de transição ao socialismo que rompa com a superexploração, eleve o valor da força de trabalho e conferira aos trabalhadores papel decisivo no acesso, geração e implementação de conhecimentos. 

O autor dedica-se então à analise das leis de funcionamento da economia dependente na medida em que configura uma estrutura sócio-econômica específica. Esta se funda na superexploração do trabalho, na acumulação externa de capitais e no alto grau de concentração interna de capitais. A superexploração, que será estudada em detalhe na teoria da dependência por Ruy Mauro Marini, surge como um resultado da apropriação de mais–valia que a economia internacional realiza sobre os países dependentes - sob a forma de desvios do valor em relação aos preços ou de remessas de lucros, juros e dividendos - e da transferência interna destas perdas aos trabalhadores para sustentar-se internamente a taxa de lucro, o que implica uma dupla exploração que mantém intensos níveis de pobreza, miséria e subdesenvolvimento. O alto grau de concentração na acumulação de capitais surge não como expressão da força do capitalismo dependente, mas de sua fraqueza. É o resultado da associação à dependência tecnológica, financeira e comercial que cristaliza uma burguesia monopólica nos países dependentes e dos limites ao desenvolvimento do mercado interno provocados pela superexploração. A contrapartida deste processo é o que autor chama de acumulação externa de capitais. Por ela designa um processo onde o setor I, produtor de capital fixo, não se internaliza plenamente na economia dependente e a sua reprodução se realiza essencialmente a partir da economia mundial.
O modelo da dependência negociada parte do fracasso das ilusões da burguesia nacional sobre um desenvolvimento independente. Constata-se a “dependência externa” e busca-se, desde o Estado, dirigir-se a associação do bloco público e privado nacional com o capital estrangeiro, ampliando suas prerrogativas. Este modelo que apresenta alto grau de regulação estatal se desdobra em três formas possíveis de organização, não necessariamente excludentes: a democracia restringida, onde a burocracia estatal possui grande prerrogativa de poder e a utiliza, mais que ao movimento social, como fonte de de concessões da parte do capital estrangeiro; o subimperialismo, que pode se combinar com o modelo anterior, onde esta burocracia orienta sua acumulação de poder para um protagonismo regional, restringindo o mercado interno e impulsionando a exportação de mercadorias e de capital; e o “nasserismo latino-americano”, onde uma corrente de militares estabelece uma ofensiva nacionalista e anti-imperialista, impulsionando um projeto de desenvolvimento que mantém sob controle o movimento social e torna o capital estrangeiro um elemento auxiliar. Segundo o autor, a primeira e a segunda forma são as mais estáveis de concreção deste modelo, dado o alto teor de conflitos entre a dimensão nacionalista do “nasserismo” e o protagonismo do capital estrangeiro. Entretanto, o suposto em se baseia, de protagonismo da burocracia estatal na relação com o capital estrangeiro, mostra-se contraditório com a evolução da dependência, o que o coloca em descenso e em processo de assimilação pelo primeiro modelo.








[1] Entre estes se destacam não apenas os esforços do próprio Theotônio dos Santos que reorienta a teoria da dependência para destacar na economia mundial um tema central de investigação, mas os de André Gunder Frank, Samir Amin e, sobretudo, o grupo do Fernand Braudel Center, com Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi, que desenvolverão, entre outros, os conceitos de moderno sistema mundial – como superestrutura política da economia-mundo capitalista –, ciclos sistêmicos e de semiperiferia.

[2] O multinacionalismo tem levado a superexploração do trabalho aos países centrais ao destruir a pequena e média burguesia, elevar o desemprego, precarizar o emprego e reduzir os salários, como é o caso, em particular, dos Estados Unidos.

[3] Já em A ideologia Alemã (1846), Marx e Engels afirmam que o comunismo depende para o seu desenvolvimento da universalização das forças produtivas e que qualquer vitória do comunismo que seja local está destinada a ser varrida pela expansão das trocas.

[4] Estes déficits são função dos monopólios tecnológicos, financeiros e comerciais internacionais e se apresentam nos pagamentos de fretes, nas remessas de lucros, pagamentos de serviços tecnológicos, assistência técnica, patentes, juros e serviços da dívida.




IMPORTANTÍSSIMA PUBLICAÇÃO DA UNESCO, SOBRE A HISTÓRIA GERAL DA AFRICA EM 8 VOLUMES

Informações Adicionais:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

DISCURSO DO PROFESSOR THEOTONIO DOS SANTOS NA CERIMONIA DE RECEPÇÃO DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO DE UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)

Exmos Senhores:

Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.
Prof. Jose Raimundo Martins Romeo, Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia, ex-reitor da Universidade Federal Fluminense, representando o Prefeito Jorge Roberto da Silveira
Prof. Sidney Luiz de Mattos Melo, vice-reitor da Universidade Federal Fluminense.
Prof. Francisco de Assis Palharini, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
Prof. Eurico de Lima Figueiredo, professor notório saber da UFF
Prof. Marcus Ianoni, chefe do departamento de Ciência Política.
Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra, coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência Política
Prof. Vagner Camilo Alves, coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudos Estratégicos.
Prof. Adriano de Freixo, coordenador de curso de Relações Internacionais.

Meus caros colegas

Sinto-me profundamente honrado em receber o título de Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense que me acolheu com grande generosidade em 1992, através de seu reitor José Raimundo Martins Romeo que se transformou num dos meus maiores amigos e num companheiro de empreitadas acadêmicas por este mundo afora. A UFF continuou seu crescimento que acompanhei até a aposentadoria compulsória e agora continuo a participar na sua vida acadêmica com o honroso título de Professor Emérito, enquanto a vejo crescer e afirmar-se a cada dia.
Este é um momento de reflexão. Para justificar a honra que meus pares me outorgam desejo explicar o sentido do meu trabalho acadêmico e de minhas opções de vida. Se estes anos têm algo que me traz satisfação, diria que é a minha fidelidade aos princípios e ideais que se consolidaram na minha juventude, numa interação estreita com a história do meu tempo. Sinto prazer de ter sido fiel a eles tanto no plano intelectual como político e pessoal. Peço que me desculpem mas vou ter que falar um pouco destes tempos de juventude.
Quando fazia minha secundária, já tinha uma atuação intensa no plano intelectual e cultural. Tinha enormes programas de leituras, tertúlias intermináveis e uma forte boemia intelectual. E também escrevia na imprensa literária da época. Mas o que mais marcou este período foi a fundação em 1956 da revista Complemento sob a direção de Silviano Santiago (Professor Emérito da UFF), Ezequiel Neves, José Maurício Gomes Leite, Ary Xavier e José Nilo Tavares (professor de professores) e Theotonio Junior (como eu assinava na época meus artigos). Esta revista deu o nome a toda uma geração mineira, a “geração complemento”, que, além do campo literário, se desdobrou nas artes plásticas, na música, no teatro, na dança, na crítica cinematográfica.
Aqueles eram os anos do presidente mineiro, Juscelino Kubistchek, que prometera realizar 50 anos em 5, pondo em tensão toda a capacidade e criatividade do povo brasileiro. Era uma geração curtida no fogo das mudanças sociais aceleradas e das esperanças febris.
Num artigo sobre “um ensaismo situado” no 3° e último número da revista Complemento que causou uma ampla discussão na imprensa mineira, eu chamava a atenção para a densidade deste desafio:
“se a tarefa da revisão (total dos valores e conhecimentos) não fosse tentada isto significaria o fim da nossa civilização.”.
Antonio Olinto encontrava esta tensão existencial e literária no meu livro de poemas A Construção, publicado em 1957, com uma frase muito expressiva com a qual termina sua crítica do livro :
“Dentro dos poemas de Theotonio Júnior, em que os arames abstratos de uma linguagem tentam ganhar pé, jazem os germens dessa compensação que poderão levá-lo ao equilíbrio. Um poeta que se entrega a uma tensão tão grande possui, sem dúvida, virtudes capazes de vencer o apocalipse”.
Ora senhores. Assim nos sentíamos em 1957. O crítico, poeta e romancista que terminou sua vida na Academia Brasileira de Letras atribuia ao jovem poeta de 20 anos nada mais nada menos que a tarefa de enfrentar o Apocalipse.
Ainda nesta linha de tensão existencial, quero relembrar as afirmações que fazia o então aluno da 1ª. Série de Sociologia e Política na Faculdade de Ciencias Econômicas da então Universidade de Minas Gerais . Trata-se de uma crítica ao livro do meu amigo e mestre Guerreiro Ramos, A Redução Sociológica. Preparando sua tese doutoral, Monica Bruckmann encontrou este texto, além do próprio livro de Guerreiro e chamou a atenção para o verdadeiro projeto teórico que eu assumia neste artigo publicado na Revista Brasiliense. Eu afirmava então:
“É uma inteira revolução no pensamento humano que está por traz da obra de Guerreiro Ramos e se ele não assumiu ainda esta atitude revolucionária no campo teórico é porque tarefas mais urgentes convocam o pensamento brasileiro, tarefas que só depois de realizadas permitirão uma estruturação tão ampla”. E eu continuava:
“A razão sociológica é uma idéia fecunda a ser desenvolvida e que talvez possa servir de base a uma teoria do mundo do ponto de vista brasileiro e dos países periféricos.” Na verdade foi a esta tarefa que me dediquei ao longo de toda minha vida. E este é o tema deste pronunciamento.
No período anterior ao golpe de estado de 1964, eu já seguia meus próprios caminhos ao fundar, junto com excelentes jovens intelectuais e políticos a Organização Revolucionária Marxista Política Operária que ficou conhecida como POLOP e que ganhou grande divulgação recentemente na nossa imprensa por ter sido o primeiro compromisso político da presidenta eleita, Dilma Rousseff.
Ao mesmo tempo, no plano acadêmico, depois de terminar minha graduação na FACE-UFMG (onde Dilma também estudou e aí encontrou a tradição de luta e formação intelectual da POLOP), segui a aventura de Darcy Ribeiro que nos recrutou para a Universidade de Brasília, um projeto ainda no papel.
Eis-nos pois no coração da luta política e intelectual. O sedutor Darcy conseguira juntar na UnB algumas figuras fundamentais nos vários campos do conhecimento e da criação estética. No campo da Ciência Política fui trabalhar com meu conterrâneo Victor Nunes Leal que recrutou também Ruy Mauro Marini por recomendação minha.
Foi especialmente marcante neste período o Seminário que André Gunder Frank armou para a pós graduação e os professores em geral sobre uma perspectiva crítica do estrutural funcionalismo norte-americano que ele tão bem conhecia como ex-aluno brilhante da Universidade de Chicago, A colaboração que iniciamos com Frank em 1962-64 perdurou ate o fim de sua vida.
Em 2003, dois anos antes do seu falecimento, Frank esteve na UnB onde declarou numa conferencia pública a importância de nossa colaboração nestes anos da UnB. Segundo ele, a teoria da dependência teria nascido ali com o nosso diálogo que incluía Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra e eu. Ele estava falando de 40 anos atrás e ainda repercutiam aqueles debates memoráveis nos quais se perfilava com força o conceito de um sistema econômico, social, político e cultural mundial, dentro do qual se expandiram os estados nacionais modernos e as novas pautas culturais que estruturavam o comportamento humano na direção deste sistema mundial.
Na minha dissertação de mestrado sobre “As Classes Sociais no Brasil – Primeira parte: os proprietários” eu buscava sintetizar a riqueza do debate que a intelectualidade brasileira encaminhava apaixonadamente, encharcada pela ação revolucionária das forças sociais que emergiam na história do país com uma energia desconhecida. Esta dissertação serviu de base para a elaboração do meu primeiro livro em prosa: Quem são os Inimigos do Povo, 6° volume dos Cadernos do Povo Brasileiro que Álvaro Vieira Pinto dirigia para a Editora Civilização Brasileira. Neste livro de divulgação eu afirmava os limites da nossa classe dominante e a necessidade de uma clara opção intelectual e vital pelo ponto de vista dos trabalhadores como agentes privilegiados das transformações revolucionárias que o pais necessitava.
Contudo, triunfou naquele momento o lado da contra revolução. O golpe de 1964 deteve brutalmente a ascensão daquele poderoso movimento libertário. Os sindicatos foram ocupados por interventores, as ligas camponesas brutalmente reprimidas, os intelectuais progressistas presos, a imprensa e atividades artísticas imediatamente censuradas, os políticos associados ao governo Goulart cassados ou presos. A Universidade de Brasília foi invadida e intervinda.
Tive tempo de esconder-me com minha mulher Vânia Bambirra, grávida da nossa filha, Nádia, nascida na clandestinidade depois que nos estabelecemos com segurança reforçada em São Paulo. Nestes dois anos de clandestinidade me dediquei sobretudo a reestruturar a POLOP, a apoiar a organização clandestina dos trabalhadores nos Comitês de Fábrica e a mobilização de um movimento estudantil que mantinha sua estrutura organizativa apesar da sua dissolução oficial.
Estava no centro da discussão o caminho da resistência à ditadura. Na direção da POLOP nos dedicamos a terminar um documento que teve bastante repercussão nos meios de esquerda: O Programa Socialista para o Brasil onde apontávamos a necessidade mais que nunca de reforçar a organização independente da classe trabalhadora, a formação de uma frente dos trabalhadores da cidade e do campo e afirmação do papel dos trabalhadores na condução da luta democrática.
O caminho do exílio se fez necessário quando o tribunal de exceção de Juiz de Fora me condenou a 15 anos de prisão como “mentor intelectual da penetração subversiva no campo”. Exilei-me no Chile Democrata Cristão onde encontrei um ambiente democrático extremamente avançado e uma energia social de massas ainda maior da que tinha conhecido no Brasil. Posso afirmar que nesta época estava formado o intelectual e o revolucionário de fortes convicções democráticas e socialistas.

Os anos de estudo da filosofia e da história embebidos na leitura dos filósofos clássicos e sobretudo modernos que iniciara já na escola secundária; os anos de estudo da história nas fontes mais diversas; os anos de estudo sistemático de Marx e Engels e das várias correntes do marxismo pouco conhecidas no Brasil; o meu apaixonado estudo da realidade brasileira através dos seus principais intérpretes que devorei desde a pré-adolescência; as longas noites de discussão sobre a literatura, as artes e a criação estética com meus amigos da geração complemento; o debate sobre as Ciencias Sociais e a teoria do desenvolvimento dentro da FACE-UMG e da UnB, em cuja pós graduação tivemos um curso inteiro organizado pela CEPAL e um belo curso de Civilização Brasileira proferido por Nelson Werneck Sodré; depois de toda esta experiência intelectual e política vivida com tremenda intensidade encontramos a realidade latino americana em Santiago do Chile.
O debate retomado em Santiago do Chile, junto com uma brilhante geração de cientistas sociais e perseguidos políticos pelas ditaduras da região nos encharcou das lutas travadas pelos vários povos da América latina que conhecíamos muito vagamente no Brasil. O estudo desta realidade só fazia confirmar a necessidade de um enfoque novo sobre as questões do desenvolvimento econômico. O aprofundamento das lutas sociais e econômicas dinamizadas pela tentativa da Aliança para o Progresso de apresentar o Chile democrata cristão como um modelo de reformismo desenvolvimentista na região conduziu a uma radicalização crescente que desembocou na vitória da Unidade Popular de Salvador Allende e nos 3 anos de experiência de transformações revolucionárias protagonizadas pelo povo chileno, o mais politizado e consciente que conhecemos. O avanço desta experiência nos atraiu teórica e práticamente e produzia um terrível contraponto com as notícias de nossos companheiros brasileiros que chegavam em massa no Chile para transmitir-nos o esgotamento da energia revolucionária do Brasil, afogada no sangue, na tortura, na prisão, no exílio e pela censura.
Este entorno fazia de nosso trabalho intelectual um profundo e romântico processo existencial. A relação entre prática e teoria se afirmava antes de tudo como uma exigência da própria realidade. Este colossal esforço teórico teve como pólo o CESO (Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile) que dirigi com uma equipe de pensadores fundantes de teoria e de grande capacidade de análise.
Logo no inicio do exílio, tínhamos conseguido organizar um seminário sobre O Capital e em seguida sobre a América Latina que envolvia alguns dos melhores intelectuais exilados. Além disso, encontrávamos tempo para ajudar a organizar o exílio brasileiro no Chile numa “Caixinha” e numa Frente das 23 organizações de esquerda em que nos havíamos dividido.
Mas a atividade mais apaixonante destes anos foi a publicação de um semanário extremamente lido e respeitado - Chile Hoy - onde acompanhei semanalmente em artigos militantes mas analíticos e como membro do seu Conselho editor o processo em marcha no Chile. No presente ano pude reunir os artigos que escrevi nesta oportunidade num livro a sair publicado na Venezuela.
Estes artigos e a intervenção da ditadura brasileira na organização do golpe no Chile fez com que meu nome aparecesse junto com a direção da Unidade Popular e outras eminentes figuras na primeira lista de perseguidos difundida pela junta militar golpista no Chile.
Eis que iniciei meu segundo exílio. Não lhes vou contar os fatos da tragicomédia do meu exílio na embaixada do Panamá que terminou transferindo-se para a minha casa. Depois de 5 meses encerrado na embaixada fui liberado pelo governo chileno mas me destinei ao México e não ao generoso exílio que o General Torrijos ofereceu aos exilados chilenos. Minha casa, emprestada gratuitamente ao governo panamenho, foi devolvida alguns meses depois e imediatamente expropriada pela junta militar chilena que a converteu num dos principais Centros de tortura do Chile. Hoje ela foi convertida num Monumento Nacional, como resultado de anos de luta militante para resgatar a memória do terror fascista que se abateu sobre toda a América Latina.
O meu novo exílio no México foi um dos mais tranquilos momentos de minha vida. Se o Chile em ebulição me abria suas portas como um companheiro participante de um sonho de todo um povo, admirado por toda a humanidade, o México de 1974 vivia uma tentativa de renovar o espírito da sua Revolução democrática e nacionalista, consolidada por um Partido Revolucionário Institucional (PRI) que se encontrava em crise depois de 50 anos no poder e que buscava recuperar sua dinâmica progressista. Luis Echeverría, hoje condenado por sua participação como ministro de governo no massacre da Praça das Três Culturas, em 1968, conduzia um processo de afirmação nacional e de apoio à luta anti-fascista na América Latina. México abria assim as suas portas para os exilados de toda a região assim como o fizera para a intelectualidade espanhola perseguida por Franco.
A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) era um dos principais centros de incorporação destes intelectuais de toda a América Latina.
Nestes anos mexicanos pude concentrar-me mais na problemática teórica e pude aprofundar meus estudos sobre o imperialismo e a dependência, retomar a problemática da crise estrutural do capitalismo e dos ciclos longos de Kondratieff, reunidos em um livro que se tornou um clássico das ciencias sociais com vários capítulos divulgados em inglês, uma versão em italiano e umas versões integrais publicadas em japonês e em chinês. Não me perguntem porque no Brasil nunca foi publicado...
Nos nossos cursos de Ciência Política fizemos um balanço histórico do pensamento socialista do qual publicamos eu e Vânia Bambirra somente os dois primeiros volumes sobre a estratégia socialista em Marx, Engels e Lênin.
Criamos um seminário permanente sobre Economia Política do capitalismo contemporâneo e políticas científico-tecnológicas com o Doutor Leonel Corona que até hoje existe na UNAM, com dezenas de teses publicadas.
Com a anistia, trouxe para o Brasil os materiais que me permitiram terminar aqui meus trabalhos sobre a Revolução científico-ténica, o capitalismo contemporâneo, e a acumulação de capital, além dos vários artigos sobre a revolução científico-técnica e a economia mundial, a crise econômica e o processo de trabalho, além de uma introdução teórica sobre forças produtivas e relações de produção. Mostrava então como os avanços da revolução cientifico-tecnica em direção a uma sociedade planetária ficavam comprometidos no capitalismo contemporâneo ao impedir a apropriação racional da natureza e o pleno desenvolvimento da principal força produtiva da humanidade, que é o próprio ser humano, mantido no desemprego, no subemprego e na miséria enquanto o avanço do potencial produtivo aberto pela revolução científico técnica permitia atender a todas as necessidades dos seres humanos.
Nesta nova fase tão marcada pelos problemas globais minha participação na direção da Associação Internacional de Estudos sobre a Paz, na direção da revista Socialismo no Mundo, que publicava os resultados das Mesas Redondas internacionais sobre o mesmo tema realizadas anualmente em Cavtat, na Iugoslávia; a minha participação na Associação de Economistas do Terceiro Mundo; a organização do Curso comemorativo dos 30 anos da Conferencia de Bandung, realizado na FESP com apoio da Universidade das Nações Unidas, a presidência da Associação Latino Americana de Sociologia e a participação em vários projetos de pesquisa internacionais apontavam para um esforço teórico crescente.
Entre 1987 e 1988, iniciei uma nova fase de pesquisas com o apoio do CNPq e posteriormente da Fundação Ford, orientando-me para o tema da "RCT, a Nova Divisão Internacional do Trabalho e a Regionalização da Economia Mundial". Dentro deste esforço efetuei uma viagem de estudos à França, Bélgica, Suíça, URSS e Espanha em 1989, atendendo a convites para seminários e conferências.
O objetivo era analisar os efeitos da Nova Divisão Internacional do Trabalho, que emerge da RCT, sobre a regionalização da economia mundial, que eu antecipava como uma etapa necessária na direção de uma economia mundial integrada e de uma civilização planetária. Como a Europa se antecipava neste processo, através da formação de sua Comunidade em 1992, iniciei por ela a sistematização dessas teses.
Em seguida, entre março de 1990 e fevereiro de 1992 aproveitei os convites para professor visitante das Universidades de Ritsumeikan (Kyoto) e Paris VIII (França) para aprofundar meus estudos sobre os processos de regionalização na Europa e na Ásia, ao mesmo tempo em que dirigia os trabalhos de uma equipe de estudantes de pós-graduação e graduação do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília sobre o mesmo tema.
De volta de Kioto e de Paris ingresei na Universidade Federal Fluminense, onde formei o Grupo de Estudos sobre Economia Mundial, Integração Regional e Mercado de Trabalho (GREMIMT) que contou com o apoio da FAPERJ e do Programa PIBIC do CNPQ o qual se dedicou amplamente às analises da conjuntura mundial e patrocinou dois eventos importantes, em 1992 um encontro sobre Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente patrocinado pela Universidade Ritsumeikan, de Kioto, e a Universidade Federal Fluminense. Em 1994 realizamos um segundo Seminário sobre Globalização e Competitividade do Terceiro Mundo onde anunciávamos a formação de uma nova categoria de paises emergentes, cujos avanços permitidos pela nova divisão internacional do trabalho resultariam inclusive em sua ação conjunta na economia e política mundial. Nada indicava contudo que ese processo seria assimilado pacíficamente pelos centros do poder mundial. Em 1989, na Univesidade de Brasilia, já havia realizado o Seminário bi-anual do grupo de estudos sobre o sistema mundial que se reuniu sistemáticamente durante os anos 70 a 90 sob a coordenação de Inmanuel Wallerstein e o patrocínio do Centro Fernando Braudel de SUNY-Binghamton, da Maison des Sciences de l`Homme e do Starnberg Institute
Como culminação desta fase, logrei criar em 1997 a Cátedra e Rede sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável com o patrocínio da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas que batizamos de REGGEN. A fundação desta cátedra foi o resultado de uma difícil gestão junto a estas instituições que levou à convocatória, em 1996, de uma reunião de expertos em Helsink, Finlandia, sob a inspiração do WIDER, a qual recomendou a criação da cátedra..
Em 2003 e 2004 a minha produção chegou a um patamar muito positivo com a publicação do meu último livro: Do Terror à Esperança: Auge e Declínio do Neoliberalismo, Idéias & Letras, Aparecida, 2004. Este livro apresenta uma analise original do neoliberalismo não somente como doutrina, mas também como pratica, nos EE.UU, com Ronald Reagan, na Inglaterra com Thatcher, no FMI e no Banco Mundial, nos governos asiáticos, africanos e latino americanos e, sobretudo no caso brasileiro que é analisado mais detidamente. O livro mostra também que as contradições do neoliberalismo começavam a gerar o rechaço das populações submetidas a estas políticas e também a desmoralização do pensamento econômico que criou estes desvios teóricos perversos transformados por 2 décadas em “pensamento único”. Este livro foi publicado em espanhol pela Editora Monte Ávila, Caracas, em 2007 e encontra-se em tradução para o chinês para publicar-se pela Academia de Ciências Sociais da China.
Com esses 3 livros (Do Terror à Esperança, Teoria da Dependência e Economia Mundial) espero haver completado uma trilogia sobre o neoliberalismo e a retomada do pensamento social critico como fonte de compreensão do mundo contemporâneo. Eles se converteram num verdadeiro tratado sobre a história recente da humanidade e sobre o pensamento cientifico adequado para interpretá-la e atuar sobre ela. Seu rigor e profundidade permitem superar a prepotência dos autores comprometidos com o enfoque dominante que pensa o mundo sem incorporar a maior parte da humanidade que se encontra nas zonas periféricas. Preparo agora um livro sobre Desenvolvimento e Civilização que reflete sobre a retomada do desenvolvimento que caracteriza a queda do neoliberalismo. Preparo enfim uma revisão da economia política como ciência à luz das mudanças globais que se colocam na ordem do dia diante do fracasso do capitalismo para garantir a sobrevivência da humanidade ameaçada em suas raízes ecológicas e incapaz de promover o desenvolvimento humano mais justo e sustentável.
Volto assim a minhas propostas originais apresentadas na crítica à redução sociológica de Guerreiro Ramos. Agora repletas de pesquisas, reflexões e vivências. Nestes anos estivemos um grupo de pensadores e pesquisadores muito respeitados e influentes no olho da tormenta lutando contra toa uma estrutura de conhecimento ligada a formação de uma economia mundial fundada no domínio colonial, na escravidão e na servidão, depois na exploração do trabalho assalariado. Todos os avanços civilizatórios que provocou, entre os quais se inclui o avanço das Ciencias Sociais, estiveram ao mesmo tempo a serviço deste sistema mundial. A absurda tentativa de converter a experiência européia numa cultura universal e suas soluções históricas em fundamento moral e ético de toda a humanidade rejeitando a força histórica das grandes civilizações ainda vivas como a chinesa, o islão, os povos originários, as inúmeras mesclas que a própria expansão européia produziu pode ser condensado no que chamamos hoje em dia euro-centrismo. No momento histórico em que rompemos a barreira do cosmos e nos confrontamos com um universo em plena transformação; num momento em que rompemos a estrutura da matéria para encontrar inclusive cada vez mais revolucionariamente a própria origem da vida; no momento que as ciencias chamadas duras se submetem à flecha da história e descobrem um tempo cósmico; as Ciencias Sociais não podem submeter-se a uma tentativa de voltar aos séculos XVII e XVIII para recuperar o projeto do indivíduo possessivo como centro do universo e como a expressão da natureza humana e para assumir dogmaticamente a propriedade privada, o chamado livre mercado e a democracia como instrumentos da emancipação da humanidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CONGRATULAÇÕES PELO PROFESSOR EMÉRITO RECEBI VÁRIAS CONGRATULAÇÕES QUE MUITO ME ALEGRARAM:

Querido Theotonio,

nos congratulamos enormemente de recibir esta noticia por Gisálio de tu designación como Profesor Emérito de UFF y nos sumamos con entusiasmo para enviarte nuestra más grandes felicitaciones!

Nos enorgullece tan justo reconocimiento para la trayectoria de tan distinguido ex Presidente de ALAS, como así como comunidad intelectual de las Ciencias Sociales Latinoamericanas que se ve fortalecida con estos aciertos frente a la memoria y los grandes desafíos.

Con un fuerte y fraternal abrazo,
Alberto

Alberto L. Bialakowsky






Prezado Theotonio,

Receba meus parabéns e meu caloroso abraço pelo recebimento do título
de Professor Emérito da UFF na data de hoje.
Não há dúvidas que este é um importante título e você tem todos os
méritos para recebê-lo.

Infelizmente não vou poder comparecer à cerimônia.
Apesar da importância do título e do meu apreço por você, no mesmo
horário acontecerá a cerimônia de encerramento do primeiro ano escolar
de dois netos gêmeos.
Evidentemente, esse é um evento que tem uma prioridade infinitamente maior.
Nessa comparação você perde de goleada.

Aproveito para desejar um Feliz Natal e um Ano de Novo com muita saúde
e realizações.

Forte abraço,

Eduardo Brick.




Caríssimo Theo :

Estava até horas atrás em Belo Horizonte participando de um seminário da UGT e me vi impossibilitado, então, de me juntar na tarde de hoje a você e à Monica, à Micaela e Camila, na cerimonia na UFF de entrega do título de professor emérito.



Consagração que só merecem aqueles poucos que tem o privilégio - como você - de coroar em plena vitalidade física e intelectual uma magnífica carreira acadêmica com um título honroso como este de professor emérito, não sei porque veio-me à cabeça aquele velho professor que, no filme "Morangos Silvestres" de Bergman, faz a viagem à Lund para receber título similar na várias vezes centenária universidade do sul da Suécia. Porque a metáfora me veio à mente ? Talvez porque, da mesma maneira que o velho professor sueco fez da viagem a Lund um momento de reflexão sobre a sua vida, creio que você, Theotonio, está a nos dever um balanço das suas múltiples trajetórias de vida : o Theotonio intelectual inquieto e contestador, o Theotonio revolucionário comprometido com o seu ideal de Justiça, o Theotonio que foi pelo mundo afora sempre comprometido com a universidade e a procura do saber crítico, o Theotonio poeta na juventude e de riso farto na idade madura. Mas, sobre tudo, o Theotonio ser humano insuperável, capaz sempre de se cercar de gente - familiares, discípulos, amigos, colegas - que reconhecem em você uma figura sem par e carregada de afeto e sentimento solidário para com os outros. O Theotonio incorruptível, que nunca se deixou seduzir pelas benesses e tentações do poder, mas sempre se fez marcar pela postura digna e correta em todas as suas ações e comportamentos de vida. Este é um livro que você ainda nos deve, Thetonio !
Assim como lhe devemos também o livro com ensaios em sua homenagem que planejamos - Monica, Cadu, eu - quando dos seus setenta anos e não tivemos forças para levar adiante... Talvez porque, no planejamento do livro, eram tantos os intelectuais seus admiradores a que nos obrigamos a convidar para escrever os ensaios em sua homenagem, que o volume pensado inicialmente logo se transformou em projeto de três ou quatro e nós - vencidos pela dimensão do desafio - terminamos por postergar a tarefa e deixá-la inconclusa... Não seria a hora agora, talvez, de retomar este projeto e levá-lo a cabo, homenageando este Theotonio dos Santos professor emérito dos povos e universidades de um Terceiro Mundo que o está deixando de ser ?



Receba o abraço afetuoso do amigo e colega que muita admiração tem por você, tanto em sua dimensão intelectual quanto humana,

Mauricio.


Caro e prezado Theotonio,

Serão pobres as instituições que não sabem festejar as honras merecidas por aqueles que, como você, cumpriram trajeto marcado pela excepcionalidade. Tivemos ontem modesta, mas expressiva e calorosa, comemoração do seu título de Professor Emérito de nossa querida Universidade Federal Fluminense.
Levo, mais uma vez, meus parabéns a você, familiares e amigos, não só os que estiveram presentes, mas também os guardados em sua memória. Compartilho minha saudação no ato da entrega formal do título com todos os colegas que não puderam comparecer a solenidade. Solicito que o Editor do site do PPGCP, professor César Kiraly, e o professor Eduardo Brick, Editor do portal do INEST, que a publiquem em mais uma homenagem a você, embora, como não deixei de registrar, não tenha sido eu mesmo o mais qualificado para expressar o merecido reconhecimento de seus pares. Muito mais importante será poder ter acesso ao seu próprio discurso, a fim de que possamos guardar para sempre, em nossos arquivos, as suas palavras em momento tão marcante de sua vida entre nós.
Encaminho aos coordenadores do PPGCP, do PPGEST e da graduação em RI pedido no sentido de que divulguem os discursos em lide para o nosso corpo discente pelo que, desde já, agradeço.
Levo meus agradecimentos sinceros ao Chefe do Departamento de Ciência Política, professor Marcus Ianoni, que, de maneira firme e determinada, levou a cabo a missão de realizar a solenidade, assim como ao nosso Vice-Reitor, prof. Sidney Luiz de Matos Mello, que representou o Magnífico Reitor, ao prof. José Raymundo Martins Romêo, ("nosso Reitor de sempre") e o Diretor do ICHF, prof. Francisco Palharini pela expressividade que imprimiram ao ato.
Abraço forte do seu colega, amigo e admirador

Eurico.



Caro Theotonio:



Parabéns pelo título, mais que merecido, de Professor Emérito. Infelizmente não poderei estar presente, devido à participação em banca de defesa de várias monografias, na La Salle.



Mais um título que referenda sua importância para a Academia (não só brasileira) e a influência em diversas gerações de alunos e admiradores.



Grande abraço e mais uma vez parabéns



Wellington


Querido Theotonio,



Ontem estava em Foz do Iguaçu para o lançamento da nova edição en castelhano do Formação Econômica do Brasil, de Celso.

É portanto com pequeno atraso que me manifesto para felicitá-lo pelo título que você acaba de receber.

Um doutoramento honoris causa tem um significado muito especial, não só por ser o coroamento da vida acadêmica, mas por ser decidido por seus pares, que reconhecem assim a sua excelência.

Seu nome como membro do Conselho Consultivo honra o Centro Celso Furtado. Em nome do Centro e no meu próprio, envi-lhe as felicitações por mais esse título, que lhe é outorgado num momento em que as suas ideias se impõem a todo o continente.

Grande abraço,



Rosa Freire d’Aguiar Furtado

Diretora

Centro Celso Furtado



Estimado Theotonio,



Em primeiro lugar as minhas desculpas por não ter podido ficar até o final de uma tão expressiva solenidade. Contando que os horários seriam cumpridos, deixei compromisso fixado com meus alunos no IFCS. Era o último encontro do semestre e não havia como faltar.

Quero me associar a todas as palavras de cumprimento, louvor e de expressão do nosso reconhecimento por sua obra e, ainda mais, por tuas qualidades pessoais.

Ouvi muito, mas não ouvi nada que eu não soubesse. Por isto, para além de minha alta estima pelo amigo, o meu profundo respeito. Sei que não estou sozinho e nem sequer acompanhado só pelos meus pares da UFF. Nestes muitos anos, que começaram em Berlim, em 1970, onde convivi com Gunder Frank, Samir Amin, Elmar Altvater, onde conheci o nosso querido Ruy Mauro, e depois, quando encontrei Luis Maira, Anibal Quijano, Carlos Moneta, Jose Luis Simón, Victor Flore Olea, entre outros, não houve oportunidade em que não tivéssemos nos nutrido de tuas ideias.

Você pode estar certo de que te somos todos gratos.

A ti, Monica e tuas adoráveis meninas, o meu forte e fraterno abraço,

Franklin.





Caríssimo



Parabéns pela merecida homenagem da UFF.

Abraços

Nildo.






Caro e prezado Theotonio,



Serão pobres as instituições que não sabem festejar as honras merecidas por aqueles que, como você, cumpriram trajeto marcado pela excepcionalidade. Tivemos ontem modesta, mas expressiva e calorosa, comemoração do seu título de Professor Emérito de nossa querida Universidade Federal Fluminense.

Levo, mais uma vez, meus parabéns a você, familiares e amigos, não só os que estiveram presentes, mas também os guardados em sua memória. Compartilho minha saudação no ato da entrega formal do título com todos os colegas que não puderam comparecer a solenidade. Solicito que o Editor do site do PPGCP, professor César Kiraly, e o professor Eduardo Brick, Editor do portal do INEST, que a publiquem em mais uma homenagem a você, embora, como não deixei de registrar, não tenha sido eu mesmo o mais qualificado para expressar o merecido reconhecimento de seus pares. Muito mais importante será poder ter acesso ao seu próprio discurso, a fim de que possamos guardar para sempre, em nossos arquivos, as suas palavras em momento tão marcante de sua vida entre nós.

Encaminho aos coordenadores do PPGCP, do PPGEST e da graduação em RI pedido no sentido de que divulguem os discursos em lide para o nosso corpo discente pelo que, desde já, agradeço.

Levo meus agradecimentos sinceros ao Chefe do Departamento de Ciência Política, professor Marcus Ianoni, que, de maneira firme e determinada, levou a cabo a missão de realizar a solenidade, assim como ao nosso Vice-Reitor, prof. Sidney Luiz de Matos Mello, que representou o Magnífico Reitor, ao prof. José Raymundo Martins Romêo, ("nosso Reitor de sempre") e o Diretor do ICHF, prof. Francisco Palharini pela expressividade que imprimiram ao ato.

Abraço forte do seu colega, amigo e admirador



Eurico.





Eurico de Lima Figueiredo

Professor Titular de Relações Internacionais e Estudos Estratégicos

Coordenador do NEST / UFF.




Querido Theotonio,



Ontem estava em Foz do Iguaçu para o lançamento da nova edição en castelhano do Formação Econômica do Brasil, de Celso.

É portanto com pequeno atraso que me manifesto para felicitá-lo pelo título que você acaba de receber.

Um doutoramento honoris causa tem um significado muito especial, não só por ser o coroamento da vida acadêmica, mas por ser decidido por seus pares, que reconhecem assim a sua excelência.

Seu nome como membro do Conselho Consultivo honra o Centro Celso Furtado. Em nome do Centro e no meu próprio, envi-lhe as felicitações por mais esse título, que lhe é outorgado num momento em que as suas ideias se impõem a todo o continente.

Grande abraço,



Rosa Freire d’Aguiar Furtado

Diretora

Centro Celso Furtado.






Caríssimo Mestre,

Enfim a Academia brasileira, representada pela Universidade que vc escolheu para lecionar nos últimos e se aposentar, reconhece teu talento, dedicação e contribuição à Ciência.
Tardou o reconhecimento, mas veio.
Este também é o momento para que seus alunos, discipulos e aprendizes possam agradecer por tudo que nos ofereceu.
Obrigado pelas aulas, conversas, orientações e debates. Pelos livros, artigos e ensaios. Pela militância política e social. Pela luta pelo socialismo, justiça social e independência nacional. Pela defesa do marxismo, da verdade científica e de por a Ciência a favor da vida plena e feliz para todos.
E parabéns pelo título.

Abraços,

Almir Cezar.




Caro Theotônio,

Antes de tudo peço desculpas- não pude ir ontem, costumo dizer que ando avariada depois de ter quebrado o pulso há poucos meses. Mas estou sempre divulgando o seu trabalho, creia.

Parabéns, cumprimentos por mais este título de Prof. Emérito ! Vc já é, Theotônio, um motivo de orgulho nacional, um brasileiro ilustre à moda antiga (antes do neoliberalismo).

Meu abraço amigo e afetuoso para Vc, esposa e familia, já com os votos de Feliz Natal e Ano Novo - saúde sucesso e alegrias.

Ceci.

DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR EMÉRITO THEOTONIO DOS SANTOS PELO PROFESSOR EURI CO FIGUEIREDO:

Exmo.sr. Professor Sidney Luiz de Matos Mello, Vice-Reitor da Universidade Federal Fluminense, nessa cerimônia representando o Magnífico Reitor da UFF, Prof. Roberto Salles,

Exmo.sr. José Raymundo Martins Romêo, Secretário de Ciência e Tecnologia do Município de Niterói e ex-Magnífico Reitor da UFF,

Ilmo.sr. Diretor do ICHF, Prof. Francisco Palharini,

Ilmo.sr. Chefe do Departamento de Ciência Política, Prof. Marcus Ianoni,

Ilmo.sr. Coordenador de Pós-Graduação em Ciência Política, prof. Carlos Henrique Aguiar Serra,

Ilmo.sr. Coordenador de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos, Prof. Vágner Camilo Alves,

Ilmo.sr. Coordenador de Graduação em Relações Internacionais, prof. Adriano Freixo,

Ilmas. Autoridades e personalidades aqui presentes,

Prezados colegas do corpo docente e alunos do corpo discente,

Funcionários da UFF,

Meu prezado colega e amigo Professor Emérito, Dr. Theotonio dos Santos,

A história das instituições entrelaça-se, indissoluvelmente, com a biografia de seus integrantes. Na Universidade Federal Fluminense, o título X do seu Regimento Geral, denominado “Das Dignidades Acadêmicas”, no item I (primeiro) do artigo 123 º, está prevista a celebração da trajetória excepcional de seus docentes aposentados, conferindo-lhes a honraria denominada “Professor Emérito”. A distinção, uma vez proposta, e após percorrer os devidos trâmites acadêmicos, terá que ser aprovada pelo Conselho Universitário da Universidade, o CUV, requerendo-se, em escrutínio secreto, a aprovação de no mínimo 3/4 (três quartos) dos presentes à sessão do Conselho Universitário na qual a proposição é submetida.

Tive a honra e a alegria de ter sido o proponente da prerrogativa em tela ao Departamento de Ciência Política e a sua Pós-Graduação exatamente no mesmo dia em que o homenageado de hoje completou a data limite para sua aposentadoria, pela via compulsória, em 11 de janeiro de 2007. Aceita pela unanimidade dos colegas, a recomendação seguiu para o colegiado superior desta unidade, onde igualmente tive a oportunidade de apresentar e propor a concessão da láurea, igualmente aprovada por unanimidade pelos meus pares. Concedido o título de Professor Emérito dois anos atrás, devido a uma série de circunstâncias, somente agora se pôde encontrar o momento oportuno para celebrar a concessão da titulação que, de fato, não poderia passar sem a necessária e devida comemoração. Generosamente meus colegas resolveram que deveria também caber a mim o privilégio de, em nome de todos, proferir a saudação ao festejado na solenidade de hoje, o que faço com renovado contentamento.

Serei, tanto quanto possível, breve o que, desde logo adianto, não é fácil, tendo em vista a grandeza, a riqueza e as dimensões que assumem a vida e a obra de Theotonio dos Santos. Dividirei minha apresentação, em vôo de pássaro, em quatro seções, visando realçar aspectos relevantes da formação acadêmica, da carreira docente, da produção científica, sem deixar de atentar, na parte final, para traços marcantes que sobressaem a meu ver na figura humana de Theotonio dos Santos. Minha fala será de caráter indicativo, não podendo e não devendo, nessa oportunidade, tecer análise crítica de sua obra que, além de extensa, é variada e complexa. Parto de necessário preliminar: a figura central nesta ocasião é o próprio homenageado. Cabe-me apenas o papel de mero coadjuvante e, por certo ainda, não o mais qualificado.

A formação acadêmica do homenageado de hoje é marcada pelas vicissitudes políticas que incidiram sobre nosso país e, de resto, grande parte da América do Sul nos anos 60 e 70 do século passado. Formou-se Bacharel em Sociologia, Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minhs Gerais em 1961 e obteve o título de Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília em 1964. Em 1985 obteve o Doutorado em Economia por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais e, em 1993, o Doutorado em Economia, também por Notório Saber, desta vez pela nossa querida Universidade Federal Fluminense.

É impressionante a carreira docente do Doutor Theotonio dos Santos. Muito jovem, foi bolsista e monitor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais em 1958. Já graduado, passou a ser instrutor em tempo integral do Departamento de Ciência Política na ainda tão recentemente fundada Universidade de Brasília, onde permaneceu de 1962 a 1964. A partir daí, com a eclosão do Movimento de 31 de Março no Brasil, viu-se forçado a iniciar longa jornada no exterior. Entre 1966 e 1973 integrou a Faculdade de Economia da Universidade do Chile, onde exerceu também o cargo de Diretor do Centro de Estudios Socio Económicos. Em 1969 recebeu convite para Professor Visitante no Departamento de Sociologia da Northern Illinois University, Estados Unidos. Entre 1974 e 1980 incorporou-se à Divisão de Pós-Graduação de Ciência Política e à Faculdade de Economia e Filosofia na Universidad Nacional Autónoma de México, a UNAM. Em 1979 retornou aos Estados Unidos como Professor Visitante, desta vez no Departamento de Sociologia da State University of New York at Binghamton. Entre 1990 e 1992 foi Professor Associado na Faculty of International Relations - Ritsumeikan University, Kioto, Japão. Em 1991 foi Professor Associado ao Departement d'Économie Politique, Université de Paris VIII. Entre 1989 e 95 exerceu o cargo de Diretor de Estudos da École des Hautes Études des Sciences Sociales, Maison des Sciences de l'Homme, na Universidade de Paris I (Sorbonne). Em 1997 foi designado para o cargo de Coordenador da Cátedra UNESCO e da Rede UNESCO, Universidade das Nações Unidas, sobre “Economia Global e Desenvolvimento Sustentável” (REGGEN), função que ocupa até hoje. Candidatou-se a quatro concursos como Professor Titular. O primeiro se realizou, em 1967, para Professor Titular da Faculdade de Economia no Chile, país que o acolheu após ter sido obrigado a sair do Brasil, por perseguição política, em 1966. O golpe de Estado contra o governo da Unidade Popular de Salvador Allende, em setembro de 1973, forçou-o a um segundo exílio, desta vez no México, onde se apresentou para seu segundo concurso para Titular, desta vez para a Universidad Nacional Autônoma, a UNAM, em 1975. Com anistia no Brasil em 1979, retornou a sua terra e, cerca de seis anos depois, prestou seu terceiro concurso para Titular, em 1985, para a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá permaneceu por pouco tempo, já que, em 1988, foi reintegrado pela Lei da Anistia como Titular no Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, onde se aposentou em 1992. Finalmente, em 1994, prestou seu quarto e último concurso para Titular do Departamento de Economia da nossa querida Universidade Federal Fluminense, onde se aposentou em 11 de janeiro de 2007, após quase meio século no exercício da docência, no Brasil e mundo afora.

A produção científica e intelectual do Professor Titular Theotonio dos Santos provoca impacto naquele que a analisa, tanto pela sua quantidade, como pela sua qualidade, tendo sido publicada em 16 línguas, em vários países e diferentes continentes. O que confere orginalidade e escopo à sua vasta obra não é apenas a largueza de visão e a erudição compreensiva, mas, principalmente, a habilidade de integrar na sua visão do sistema-mundo, vastos conhecimentos retirados da Antropologia, da Ciência Política, da Economia, da Filosofia, da Sociologia e, principalmente, da História.

É autor de cerca de 40 livros, co-autor ou colaborador em outros 80, com mais de 150 artigos publicados em revistas científicas, além de vasta colaboração na imprensa periódica, nacional e internacional. Grandes nomes das Ciências Sociais, neste e no último século, tais como Andre Gunder Frank, Giovanni Arrighi, Immanuel Wallerstein, James Petras, entre outros, com ele produziram trabalhos em conjunto conhecidos mundialmente. Por ocasião de seus 60 anos, em 1997, sua obra mereceu significativa homenagem por parte da UNESCO. Sob sua égide, foi publicado, em 1998, o livro Los Retos de la Globalización, Ensayos en Homenaje a Theotonio dos Santos (“Os Desafios da Globalização, Ensaios em Homenagem a Theotonio dos Santos), em dois volumes que totalizaram 891 páginas. No ano seguinte, em segunda edição, o livro foi publicado sob o patrocínio do Instituto de Relaciones Sociales, sediado no Peru. Nele está firmado o reconhecimento de ilustres scholars da Alemanha, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, França, Japão, México, Peru, Senegal, entre outros. Escreveu o prólogo da edição peruana o ex-Reitor da UFF, Professor José Raymundo Martins Romeo e, entre os autores brasileiros, lá estão nomes como o do atual Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim; os economistas Rui Mauro Marini, Reinaldo Gonçalves e Vânia Bambirrra e intelectuais como Silviano Santiago, Contribuíram também dois eminentes colegas que pertenceram ao Departamento de Ciência Política da UFF, os queridos e saudosos José Nilo Tavares e René Dreifuss, o primeiro Professor Titular e o segundo, juntamente com o autor desta apresentação, criador e Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF, o NEST/UFF, durante a gestão, sempre tão louvada entre nós, do então Reitor, professor Raymundo Romeo. Colaborou ainda no livro em homenagem a Theotonio dos Santos outro cientista político credenciado na Pós-Graduação em Ciência Política da UFF, atualmente Chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor Carlos Eduardo Martins. Carlos Eduardo que, no início de seu carreira, trabalhou com Theotonio dos Santos, escreveu circunstanciada introdução sobre a vida e a obra do homenageado que, inclusive, muito me auxiliou na elaboração desta apresentação. Em reconhecimento ao seu trabalho, Theotonio dos Santos recebeu, entre outras honrarias e prêmios, os títulos de Doutor honoris causa pela Universidad Ricardo Palma (Lima, Peru), pela Universidad Nacional Mayor de San Marcos (Lima, Peru) e pela Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina). Foi consagrado Professor Emérito pela Universidad Ricardo Palma (Lima, Peru) e recebeu a Medalha Bernardo O'Higgins ofertada pelo Governo do Chile, a Medalha Haya de la Torre do Peru e a Medalha do Rio Branco, conferida pelo governo brasileiro, na ordem de Comendador.

Não posso deixar de registrar, finalmente, meu depoimento pessoal sobre a personalidade do homenageado. Sabe-se que o homem e a sua obra mantém complexas relações. A obra pujante e generosa pode, por exemplo, esconder o homem frio e distante de seus semelhantes. O reconhecimento da obra pode levar à arrogância e à soberba. Os títulos e méritos conquistados servem tantas vez ao encolhimento do homem com ser humano, apequenando-o, ao invés de engrandece-lo. Não é nenhum desses o caso do homenageado na tarde de hoje.

Tomei contato com o trabalho de Theotonio em 1965, quando ainda estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao ler seu trabalho intitulado “A Ideologia Fascista no Brasil”, publicado no número três da Revista Civilização Brasileira, em 1965. A revista, naquela época, era considerada um must para os que se opunham a ordem autoritária vigente em nosso país. Causou-me forte impressão a clareza da argumentação e a largueza do escopo interpretativo, situando a circunstância nacional-brasileira no processo de desenvolvimento das relações capitalistas em termos mundiais. Nesse estudo já se encontravam as bases que mais tarde ele desenvolveu no quadro de sua teoria da dependência, tornando-o internacionalmente conhecido. Seria somente em 1981, contudo, que eu teria a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, quando meu colega na UFF, Jésus de Alvarenga Bastos, convidou-me para participar de um grupo de cientistas sociais que se reuniam no Instituto Metodista Bennett, no Rio de Janeiro. Durante o ano de 1982, com as eleições no contexto da chamada “resistência democrática”, acabei por ficar em campo partidário contrário ao de Theotonio, já que ele, ligado ao governador Leonel Brizola, aceitou, em mais um sacrifício, ser candidato ao governo de Minas Gerais pelo PDT, enquanto eu mesmo acabei por assumir a coordenação da campanha do deputado Miro Teixeira ao governo do Rio de Janeiro, pelo PMDB. Passadas as eleições, voltamos a nos reencontrar no referido Instituto, onde passei a coordenar projeto de pós-graduação que, além de sua então mulher, a economista Vânia Bambirra, passou a contar com outro estreito colaborador de Theotonio, o economista Rui Mauro Marini, igualmente de renome internacional. A esses, juntavam-se os de Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder, além de outros, tais como Antônio Celso Alves Pereira, Gisálio Cerqueira Filho, Moniz Bandeira e o já mencionado colega e amigo José Nilo Tavares. Infelizmente, por uma série de circunstâncias, não tivemos a oportunidade de implantar na instituição em lide programa de pesquisa e pós-graduação que, se bem sucedido, teria, sem dúvida, se tornado em importante capítulo na história das Ciências Sociais em nosso país. A partir daí passamos a nos ver intermitentemente, mas sempre com manifesta e mútua cordialidade e afeto. Em 2004, convidei-o para integrar o Conselho Acadêmico do Núcleo de Estudos Estratégicos que, com apoio do então Pró-Reitor da PROPP, professor Sidney Luiz de Matos Mello, e decisão do Reitor na época, professor Cícero Mauro Rodrigues Fialho, havia sido reativado em novembro do ano anterior. Em 2005, assumindo a Coordenação da Pós-Graduação do então nascente Pós-Graduação em Ciência Política na UFF, convidei-o também para integrar a recém criada área de Estudos Estratégicos do novo Programa.

Nesses últimos anos tenho tido a oportunidade de conviver mais de perto com Theotonio, conhecendo-o melhor, assim como sua querida mulher, a professora Mônica Bruckman, doutoranda em Ciência Política na UFF, e, não com a freqüência que gostaria, suas adoráveis filhas, as lindas Micaela e Camila. Nesse período foi se imprimindo em minha memória os traços da personalidade de Theotonio, a afabilidade, a gentileza, a simplicidade do modo de ser e sentir, em harmonia com a sua obra, caracterizada pela defesa firme e forte de seus pontos de vista. Mais ainda. Fui observando que a difícil vida por ele enfrentada - exílios, perseguições políticas, dificuldades materiais de toda sorte - não havia em nada alterada a sua personalidade, que se mostrava invariavelmente magnânima, generosa, dadivosa. Não há nela qualquer traço de afetação. Predomina a modéstia. Como dizia Sócrates, faz da humildade o fundamento de sua grandeza. Parece-me que, nas suas relações pessoais, não obstante tenha vivido tanto tempo fora do Brasil, e distante de suas origens mineiras, situadas na boa terra de Carangola, em Minas Gerais, jamais deixou de valorizar a boa conversa, o entendimento, o dialogo com as circunstâncias, matriz primeira da sabedoria, como nos propõe Ortega y Gasset.

Em sua juventude, Theotonio dos Santos vislumbrou também os caminhos da poesia. Busquei um de seus versos:



“A construção existe e sou seu membro”.

Nada mais sei, nada mais encontro.”



O jovem Theotonio se enganou na sua humildade. Construiu, ao longo de sua vida, obra reconhecida mundialmente. Devotou todos os seus esforços e talentos para melhor entender as estruturas de um sistema mundial injusto. Foi sabendo cada vez mais sobre os mecanismos que levam à concentração da riqueza global nas mãos de alguns poucos países ricos, em detrimento da grande maioria, que se vê privada do acesso à educação e à saúde, à cultura e à tecnologia, à habitação e à alimentação,- e tudo mais. Nesse périplo foi se encontrando consigo mesmo, um cidadão do globo terrestre, um incansável e infatigável trabalhador intelectual que se identifica com a busca da dignidade do Homem. Antes de tudo, entretanto, um brasileiro identificado com as causa da emancipação de sua gente e de sua terra.

Foi para mim fonte de orgulho, prazer e honra ter sido encarregado de levar aos presentes esta saudação. O Título de Professor Emérito engrandece ainda mais a biografia de Theotonio. Mas engrandece também a história de nossa querida Universidade Federal Fluminense que tanto amamos. A gratidão e o reconhecimento são pilares da grandeza e da generosidade das instituições que estão destinadas a perdurar ao longo dos tempos.



Muito obrigado.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AQUI ESTÃO OS TERMOS DA SOLENIDADE DE ENTREGA DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO A THEOTONIO DOS SANTOS. NÃO DEIXE DE COMPARECER. VEJA A ACADEMIA ORGULHOSA DE SI MESMA E O HOMENAGEADO ORGULHOSO DA HOMENAGEM QUE RECEBE TÃO SOLENEMENTE.

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE


NÚCLEO DE COMUNICAÇAO SOCIAL


SETOR DE RELAÇÕES PÚBLICAS E CERIMONIAL


EVENTO: Outorga do título de Professor Emérito a Theotonio dos Santos


DATA: 15/12/2010


HORÁRIO: 15h
LOCAL: ICHF


Senhoras e Senhores,


Boa tarde!


Solicitamos aos portadores de telefone celular, que por gentileza mantenham seus aparelhos desligados durante a realização desta cerimônia. Obrigada.


O Cerimonial da Universidade Federal Fluminense, em nome do Magnífico Reitor, Prof. Roberto de Souza Salles, tem a honra de recebê-los para darmos inicio a cerimônia de Outorga do título de Professor Emérito ao Professor Theotonio dos Santos.




Irão compor a mesa que presidirá esta cerimônia as seguintes autoridades:




Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.




RESERVAR CADEIRA À DIREITA DO REITOR


Prof. Jose Raimundo Martins Romeo, Secretário Municipal de Ciência e Tecnologia, ex-reitor da Universidade Federal Fluminense, representando o Prefeito Jorge Roberto da Silveira




Prof. Sidney Luiz de Mattos Melo, vice-reitor da Universidade Federal Fluminense.


Prof. Francisco de Assis Palharini, diretor do Instituto de Ciências Humanas e Filsofia


Prof. Eurico de Lima Figueiredo, professor notório saber da UFF


Prof. Marcus Ianoni, chefe do departamento de Ciência Política.


Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra, sub-chefe do departamento de Ciência Política


Prof. Vagner Camilo Alves, coordenador do Programa de Pós-graduação em Estudos Estratégicos.


Prof. Adriano de Freixo, coordenador de curso de Relações Internacionais.


Para a abertura oficial desta cerimônia, assume a palavra o Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor da Universidade Federal Fluminense.




HINO NACIONAL


Agradecimento de presenças


Registramos e agradecemos a presença de demais autoridades, professores, funcionários e alunos que vieram prestigiar esta solenidade e que muito nos honram com sua presença.

Com a palavra o Prof. Adriano de Freixo

Passa a falar o Prof. Vagner Camilo Alves,

Ouviremos agora o Prof. Carlos Henrique Aguiar Serra.

Com a palavra o Prof. Marcus Ianoni.

Ouviremos agora o Prof. Francisco de Assis Palharini.

Com a  palavra o Prof. Jose Raimundo Martins Romeo.

Passa a falar o Prof. Eurico de Lima Figueiredo, que fará uma homenagem ao Prof. Theotonio dos Santos.

-  Entrega do Diploma da Placa =

Prof. Theotonio dos Santos


Prof. Sidney Mello


Para o pronunciamento final, assume a palavra o Prof. Roberto de Souza Salles, Magnífico Reitor desta Universidade.

A ESTRATÉGIA DA INFORMAÇÃO INTERNACIONAL.

VEJA COMO SE COZINHAM AS INFORMAÇÕES QUE FAZEM A CABEÇA DAS PESSOAS. DÁ DESGOSTO VER A OPINIÃO QUE AS PESSOAS MANEJAM SOBRE UM GRANDE ESTADISTA COMO MEU AMIGO HUGO CHÁVEZ COM O QUAL PODE-SE CONCORDAR OU DISCORDAR MAS NUNCA DESQUAQLIFICAR. CONHEÇO MUITOS DIRIGENTES MAS POUCOS DA ESTATURA DESTE ENÉRGICO E INTELIGENTE VENEZUELANO. VEJA O ARTIGO DESTA EXCELENTE JORNALISTA ESTADUNIDENSE-VENEZUELANA, EVA GOLINGER, SEMPRE APOIADA EM APMPLA INFORMAÇÃO POUCO CORRENTE PELO BRASIL:

http://centrodealerta.org/noticias/wikileaks_fuentes_usadas_co.html

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SETE DIAS SEM MORTOS PELA CÓLERA

APESAR DAS DIFICULDADES ECONÔMICAS QUE ENFRENTA CUBA, SUA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL CONTINUA ATIVA E GENEROSA. VEJAM COMO FIDEL CASTRO OS CONTA O RESULTADO DA INTERVENÇÃO DA MISSÃO MÉDICA CUBANA NO HAITI.

Reflexões do companheiro Fidel:HAITI:SETE DIAS SEM MORTOS PELA CÓLERA

Ontem expliquei que no Haiti já morreram 1 523 pessoas como conseqüência da cólera e ao mesmo tempo as medidas adotadas pelo Partido e o Governo de Cuba.



Não pensava escrever hoje uma palavra sobre o problema. Desisto no entanto dessa idéia, para elaborar uma breve Reflexão sobre o tema.



A Doutora Lea Guido, representante da OPS-OMS em Cuba — neste momento representante de ambas as organizações nos dois países e pessoa de grande experiência —, declarou hoje à tarde que devido às atuais condições do Haiti se esperava que a epidemia afetasse 400 mil pessoas.



Por outro lado, o Vice-ministro de Saúde de Cuba e Chefe da Missão Médica Cubana, o embaixador de nosso país no Haiti e outros colegas da Missão, estiveram reunidos durante todo o dia com o presidente René Preval, a Doutora Lea Guido, o Ministro de Saúde haitiano e outros funcionários de Cuba e do Haiti, elaborando as medidas que serão aplicadas com urgência.



A missão médica cubana atende a 37 centros que enfrentam a epidemia, onde até hoje tem oferecido atendimento a 26 040 pessoas afetadas pela cólera, aos quais se somarão logo, com a Brigada “Henry Reeve”, mais 12 centros (para totalizar 49) com 1 100 novos leitos, em barracas de campanha desenhadas e elaboradas para esses fins na Noruega e outros países, já adquiridas com os fundos para enfrentar o terremoto, entregadas a Cuba por Venezuela para a reconstrução do sistema de saúde no Haiti.



Ao anoitecer de hoje chegou uma noticia alentadora do Doutor Somarriba: durante os últimos sete dias não houve nenhum falecimento pela cólera nos centros atendidos pela missão médica cubana. Seria impossível manter esse índice, visto que outros fatores podem incidir nesse resultado, mas oferece uma idéia muito reconfortante a experiência adquirida, os métodos adequados e o grau de consagração atingidos.



Satisfaz-nos igualmente que o presidente René Preval, cujo mandato finaliza no próximo dia 16 de janeiro, tenha decidido converter a luta contra a epidemia na atividade mais importante de sua vida, a qual legará ao povo do Haiti e ao Governo que o suceda.





Fidel Castro Ruz

27 de Novembro de 2010

9h56

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