terça-feira, 21 de abril de 2009

V Coloquio Internacional por la Liberación de los Cinco Héroes Prisioneros del Imperio





divulgar
theotonio


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Estimados compañeros,

Del 19 al 23 de Noviembre desarrollaremos el V Coloquio Internacional por la Liberación de los Cinco Héroes Prisioneros del Imperio.

Se adjunta convocatoria.

Saludos,

José Prieto Cintado
Director América Latina y el Caribe

Cuba é América, Cesse o Bloqueio!


Cuba es América
Cese el Bloqueo!



Desde el año de 1992 y durante 14 años, de manera continua y consecutiva, la Asamblea General de Naciones Unidas de manera prácticamente unánime, vienen condenando el bloqueo a Cuba y demandando del gobierno de los Estados Unidos su eliminación.

El bloqueo es un acto de guerra económica. Es también un acto de genocidio según la Convención de Ginebra para la Prevención y Sanción del Delito de Genocidio de 1948, pues es una amenaza cierta al derecho a la vida de todo el pueblo Cubano.

No hay actividad económica o social en Cuba que no sufra sus consecuencias. No hay un derecho humano de los cubanos que no esté agredido por el bloqueo. En estos 47 años el bloqueo ha costado a cuba más de 90.000 millones de dólares. Este cerco cruel y brutal pretende ahogar y provocar la destrucción de la revolución cubana y sus instituciones.

El Rescate del Sandinismo al inaugurarse la llamada V Cumbre de las Américas recuerda a la OEA y su insulso Secretario General así como al Presidente Obama que Cuba es América. El bloqueo y la exclusión de Cuba es una humillación para América Latina. Exigimos que el Gobierno Norteamericano cumpla con el mandato de Naciones Unidas de suspender el bloqueo y la inmediata derogación de las leyes de efecto extraterritorial como la llamada Helms-Burton.

Managua 17 de Abril 2009
Rescate del Sandinismo.

A LOS QUE QUIEREN RECLAMAR FIN DEL BLOQUEO LES INVITAMOS AL PLANTON FRENTE A ONU, (ROTONDA GUEGUENSE HACIA EL SUR) , VIERNES 17 DE Abril 9 AM.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Hobsbwam, o trabalhismo caiu no conto do neo-liberalismo

O artigo do historiador marxista Eric Hobsbawm, extraído da Carta Maior e do Guardian.

Socialismo fracassou, capitalismo quebrou: o que vem a seguir?

A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. A prioridade não é o aumento do lucro e do consumo, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Isso significa iniciativa pública não baseada na busca de lucro. Decisões públicas dirigidas a melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal. A análise é do historiador britânico Eric Hobsbawm

Eric Hobsbawm - The Guardian

Seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, o deslocamento do mercado livre para a ação pública deve ser maior do que os políticos imaginam. O século XX já ficou para trás, mas ainda não aprendemos a viver no século XXI, ou ao menos pensá-lo de um modo apropriado. Não deveria ser tão difícil como parece, dado que a idéia básica que dominou a economia e a política no século passado desapareceu, claramente, pelo sumidouro da história. O que tínhamos era um modo de pensar as modernas economias industriais – em realidade todas as economias -, em termos de dois opostos mutuamente excludentes: capitalismo ou socialismo.
Conhecemos duas tentativas práticas de realizar ambos sistemas em sua forma pura: por um lado, as economias de planificação estatal, centralizadas, de tipo soviético; por outro, a economia capitalista de livre mercado isenta de qualquer restrição e controle. As primeiras vieram abaixo na década de 1980, e com elas os sistemas políticos comunistas europeus; a segunda está se decompondo diante de nossos olhos na maior crise do capitalismo global desde a década de 1930. Em alguns aspectos, é uma crise de maior envergadura do que aquela, na medida em que a globalização da economia não estava então tão desenvolvida como hoje e a economia planificada da União Soviética não foi afetada. Não conhecemos a gravidade e a duração da atual crise, mas sem dúvida ela vai marcar o final do tipo de capitalismo de livre mercado iniciado com Margareth Thatcher e Ronald Reagan.
A impotência, por conseguinte, ameaça tanto os que acreditam em um capitalismo de mercado, puro e desestatizado, uma espécie de anarquismo burguês, quanto os que crêem em um socialismo planificado e descontaminado da busca por lucros. Ambos estão quebrados. O futuro, como o presente e o passado, pertence às economias mistas nas quais o público e o privado estejam mutuamente vinculados de uma ou outra maneira. Mas como? Este é o problema que está colocado diante de nós hoje, em particular para a gente de esquerda.
Ninguém pensa seriamente em regressar aos sistemas socialistas de tipo soviético, não só por suas deficiências políticas, mas também pela crescente indolência e ineficiência de suas economias, ainda que isso não deva nos levar a subestimar seus impressionantes êxitos sociais e educacionais. Por outro lado, até a implosão do mercado livre global no ano passado, inclusive os partidos social-democratas e moderados de esquerda dos países do capitalismo do Norte e da Australásia estavam comprometidos mais e mais com o êxito do capitalismo de livre mercado.
Efetivamente, desde o momento da queda da URSS até hoje não recordo nenhum partido ou líder que denunciasse o capitalismo como algo inaceitável. E nenhum esteve tão ligado a sua sorte como o New Labour, o novo trabalhismo britânico. Em suas políticas econômicas, tanto Tony Blair como Gordon Brown (este até outubro de 2008) podiam ser qualificados sem nenhum exagero como Thatchers com calças. O mesmo se aplica ao Partido Democrata, nos Estados Unidos.
A idéia básica do novo trabalhismo, desde 1950, era que o socialismo era desnecessário e que se podia confiar no sistema capitalista para fazer florescer e gerar mais riqueza do que em qualquer outro sistema. Tudo o que os socialistas tinham que fazer era garantir uma distribuição eqüitativa. Mas, desde 1970, o acelerado crescimento da globalização dificultou e atingiu fatalmente a base tradicional do Partido Trabalhista britânico e, em realidade, as políticas de ajudas e apoios de qualquer partido social democrata. Muitas pessoas, na década de 1980, consideraram que se o barco do trabalhismo não queria ir a pique, o que era uma possibilidade real, tinha que ser objeto de uma atualização.
Mas não foi. Sob o impacto do que considerou a revitalização econômica thatcherista, o New Labour, a partir de 1997, engoliu inteira a ideologia, ou melhor, a teologia, do fundamentalismo do mercado livre global. O Reino Unido desregulamentou seus mercados, vendeu suas indústrias a quem pagou mais, deixou de fabricar produtos para a exportação (ao contrário do que fizeram Alemanha, França e Suíça) e apostou todo seu dinheiro em sua conversão a centro mundial dos serviços financeiros, tornando-se também um paraíso de bilionários lavadores de dinheiro. Assim, o impacto atual da crise mundial sobre a libra e a economia britânica será provavelmente o mais catastrófico de todas as economias ocidentais e o com a recuperação mais difícil também.
É possível afirmar que tudo isso já são águas passadas. Que somos livres para regressar à economia mista e que a velha caixa de ferramentas trabalhista está aí a nossa disposição – inclusive a nacionalização -, de modo que tudo o que precisamos fazer é utilizar de novo essas ferramentas que o New Labour nunca deixou de usar. No entanto, essa idéia sugere que sabemos o que fazer com as ferramentas. Mas não é assim.
Por um lado, não sabemos como superar a crise atual. Não há ninguém, nem os governos, nem os bancos centrais, nem as instituições financeiras mundiais que saiba o que fazer: todos estão como um cego que tenta sair do labirinto tateando as paredes com todo tipo de bastões na esperança de encontrar o caminho da saída.
Por outro lado, subestimamos o persistente grau de dependência dos governos e dos responsáveis pelas políticas às receitas do livre mercado, que tanto prazer lhes proporcionaram durante décadas. Por acaso se livraram do pressuposto básico de que a empresa privada voltada ao lucro é sempre o melhor e mais eficaz meio de fazer as coisas? Ou de que a organização e a contabilidade empresariais deveriam ser os modelos inclusive da função pública, da educação e da pesquisa? Ou de que o crescente abismo entre os bilionários e o resto da população não é tão importante, uma vez que todos os demais – exceto uma minoria de pobres – estejam um pouquinho melhor? Ou de que o que um país necessita, em qualquer caso, é um máximo de crescimento econômico e de competitividade comercial? Não creio que tenham superado tudo isso.
No entanto, uma política progressista requer algo mais que uma ruptura um pouco maior com os pressupostos econômicos e morais dos últimos 30 anos. Requer um regresso à convicção de que o crescimento econômico e a abundância que comporta são um meio, não um fim. Os fins são os efeitos que têm sobre as vidas, as possibilidades vitais e as expectativas das pessoas.
Tomemos o caso de Londres. É evidente que importa a todos nós que a economia de Londres floresça. Mas a prova de fogo da enorme riqueza gerada em algumas partes da capital não é que tenha contribuído com 20 ou 30% do PIB britânico, mas sim como afetou a vida de milhões de pessoas que ali vivem e trabalham. A que tipo de vida têm direito? Podem se permitir a viver ali? Se não podem, não é nenhuma compensação que Londres seja um paraíso dos muito ricos. Podem conseguir empregos remunerados decentemente ou qualquer tipo de emprego? Se não podem, de que serve jactar-se de ter restaurantes de três estrelas Michelin, com alguns chefs convertidos eles mesmos em estrelas. Podem levar seus filhos à escola? A falta de escolas adequadas não é compensada pelo fato de que as universidades de Londres podem montar uma equipe de futebol com seus professores ganhadores de prêmios Nobel.
A prova de uma política progressista não é privada, mas sim pública. Não importa só o aumento do lucro e do consumo dos particulares, mas sim a ampliação das oportunidades e, como diz Amartya Sen, das capacidades de todos por meio da ação coletiva. Mas isso significa – ou deveria significar – iniciativa pública não baseada na busca de lucro, sequer para redistribuir a acumulação privada. Decisões públicas dirigidas a conseguir melhorias sociais coletivas com as quais todos sairiam ganhando. Esta é a base de uma política progressista, não a maximização do crescimento econômico e da riqueza pessoal.
Em nenhum âmbito isso será mais importante do que na luta contra o maior problema com que nos enfrentamos neste século: a crise do meio ambiente. Seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, significará um deslocamento de grande alcance, do livre mercado para a ação pública, uma mudança maior do que a proposta pelo governo britânico. E, levando em conta a gravidade da crise econômica, deveria ser um deslocamento rápido. O tempo não está do nosso lado.

Artigo publicado originalmente no jornal The Guardian
Tradução do inglês para o espanhol: S. Segui, integrante dos coletivos Tlaxcala, Rebelión e Cubadebate.
Tradução do espanhol para o português: Katarina Peixoto



http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=9197

domingo, 19 de abril de 2009

Alternativa para o povo. Artigo de Mauro Santayana

divulgar o artigo do meu amigo Mauro Santayana no nosso blog e se possível incluir os artigos de Hobsbawn e Stédile.

theotonio


Jornal do Brasil
JB, 12.04.2009, Artigo

Alternativa para o povo
Mauro Santayana

Dois textos divulgados na última sexta-feira merecem reflexão no início deste outono instável. O primeiro reproduz entrevista de João Pedro Stédile à Radiobrás; o segundo é um artigo de Eric Hobsbawm publicado pelo Guardian, da Grã-Bretanha. Hobsbawm volta a uma proposta muito antiga, já discutida nos anos 30, quando a direita e a esquerda se confrontavam no mundo inteiro: a de uma terceira saída. Na Alemanha, a direita facínora estava em ascensão; na União Soviética, o stalinismo se impunha. Nos Estados Unidos, Roosevelt salvava o capitalismo com o New Deal, mas não abandonava a teologia do Destino Manifesto, esse evangelho do imperialismo norte-americano. O escritor afirma que não basta “brecar”, moral e economicamente, o neoliberalismo. O desenvolvimento deve ser um meio, e não um fim em si mesmo. Ele deve garantir a vida e a felicidade de todas as pessoas.

Nos anos 30 havia a crise econômica – muito semelhante à atual. Paul Krugman – também neste fim de semana – registra que, naquele tempo, a recessão não foi tão universal quanto agora, porque a URSS era independente do mercado mundial e, assim, pôde, mediante a força do Estado, manter a crise fora de suas fronteiras. Hobsbawm não fala em remendos: propõe que se estude nova e corajosa forma de colocar a economia realmente a serviço do povo. O pensador inglês, nascido em Alexandria, fala sobre o mundo – e, no mundo, também estamos – enquanto Stédile trata especificamente da situação nacional. É quase certo que as ideias do dirigente do MST serão recebidas com muxoxos pelos sábios da economia e cientistas da política. Ele não se vale de esquemas acadêmicos, mas examina os fatos e as ideias com a experiência de militante. Em sua opinião, o governo deveria promover a imediata estatização dos bancos, abandonar a obsessão pelo superávit fiscal e buscar o pleno emprego. Ele teme que o governo aja da forma tradicional, dando mais dinheiro para os ricos, que sairão ainda mais ricos do processo. Os trabalhadores, como sempre, serão sacrificados, para que os ricos se salvem.

O dirigente do MST acusa o governo de se encontrar na defensiva, dentro do casulo do poder, sem coragem para convocar a sociedade ao debate. Sendo assim, Stédile sugere que as organizações populares promovam a discussão. Ele lembra que, tendo sido concebido antes da crise atual, o PAC deveria ser reformulado, a fim de corresponder às exigências do momento. Duvida que as grandes empreiteiras se interessem pela construção de moradias populares, que deixam pouca margem de lucro. A construção das moradias populares, para ele, deveria ser tarefa dos próprios trabalhadores, mediante pequenas cooperativas habitacionais e o sistema de mutirão.

É certo que uma coisa é a visão da crise do lado de fora do governo, e, outra, do gabinete presidencial. A reação dos comentaristas econômicos à decisão presidencial de determinar ao Banco do Brasil a redução do spread nas operações de empréstimo mostra que governar não é fácil. O Banco do Brasil, desde que se inaugurou, em 1808, tem sido o instrumento natural e necessário do governo a fim de realizar sua política financeira. Como em todas as sociedades anônimas – e o banco é uma sociedade anônima – cabe ao acionista majoritário estabelecer as normas de administração à diretoria executiva. O Banco do Brasil, com o poder de seus ativos, tem sido cobiçado pelo setor privado há anos. Um dos críticos mais ácidos da decisão de Lula é exatamente o senhor Maílson da Nóbrega que, quando ministro da Fazenda, pensava em privatizar a instituição. Se não fosse a resistência dos funcionários do banco – e de seu fundo de pensão – o governo Fernando Henrique o teria privatizado com prazer, provavelmente vendendo-o a alguma instituição estrangeira.

Como Hobsbawm, Stédile propõe uma terceira via, a da “alternativa popular”. A mobilização dos movimentos populares servirá de advertência ao Congresso Nacional, de que deve levar a sério a situação, e unir-se ao Poder Executivo na aprovação de medidas mais duras contra a especulação financeira. Os bancos – é outra observação de Stédile – reforçaram suas disponibilidades com a redução do compulsório e usaram os recursos para especular com títulos do governo – e ganhar ainda mais. Para eles vale a velha observação de que qualquer crise é sempre uma nova oportunidade.

sábado, 18 de abril de 2009

América Latina e Os Desafios da Globalização: Ensaios Dedicados a Ruy Mauro Marini


Acabou de sair do forno esta nova publicação Boitempo/PUC-RJ América Latina e Os Desafios da Globalização: Ensaios Dedicados a Ruy Mauro Marini.

Seguem o índice.




Desglobalização para uma nova economia mundial. Entrevista especial com Walden Bello

mais um para o debate

theotonio


Subject: Entrevista com Wanden Bello, sobre a crise. Pagina da unisinos,. 5 de abril



Desglobalização para uma nova economia mundial. Entrevista especial com Walden Bello


"Talvez nenhuma imagem seja mais evocativa do atual estado da economia global que aquela do U-Boat alemão da Segunda Guerra no Atlântico Norte. Ele descia rápido, e a tripulação não sabia quando ele atingiria o fundo. E, quando ele atingir o fundo do oceano, a tripulação será capaz de fazer o submarino subir novamente bombeando ar comprimido nos tanques danificados, como os marinheiros no clássico de Wolfgang Petersen Das boot? Ou o U-Boat irá simplesmente ficar no fundo do oceano, com sua tripulação condenada a contemplar pior destino que a morte súbita? Os métodos keynesianos reinflarão e farão flutuar novamente a economia global? A verdade é que a atual tripulação capitalista da economia global não sabe e está apavorada", avalia o sociólogo filipino em entrevista, feita por e-mail, à IHU On-Line.

Walden Bello é professor na Universidade das Filipinas, em Manila, membro do Transnational Institute de Amsterdã, presidente da Freedom from Debt Coalition e analista sênior do Focus on the Global South, com sede em Bangkok, Tailândia. Ele é doutor em Sociologia, pela Universidade de Princeton, EUA, tendo lecionado na Universidade da Califórnia e Berkeley.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a tese central defendida pelo senhor no livro Desglobalização: Ideias para uma Nova Economia Mundial?

Walden Bello – A principal ideia é que a globalização – a integração acelerada da produção e dos mercados – está levando a uma desintegração das economias nacionais, deixando as sociedades com cada vez menos controle sobre seu bem-estar econômico e sobre seu futuro. Com mercadorias e mercados de capitais mais integrados, a habilidade das economias nacionais de se isolarem dos caprichos da economia global é muito menor, de modo que quando há uma quebradeira das economias centrais, outras economias também seguem em espiral descendente, o que é, na verdade, o que está acontecendo agora.

IHU On-Line – O que o senhor entende por "desglobalização”? Chegamos ao fim ou, pelo menos, estamos vivendo uma crise da era da globalização?

Walden Bello – Desglobalização significa fazer o mercado doméstico novamente ser o centro de gravidade da vida econômica, não o mercado global. Isso não significa autarquia ou retração da economia internacional. Significa que produzir para o mercado doméstico, não para o mercado de exportação, mais uma vez se torna a linha de corte e força motriz da economia. Significa aumentar capital para a produção da economia local, por exemplo, por aumento de impostos, em vez de recorrer principalmente a empréstimos nos mercados internacionais de capital. Significa revitalizar a economia interna para que ela seja o sustentáculo da economia, criando poder de compra através da redistribuição de renda e riquezas.

IHU On-Line – Que ideias o senhor sugere para uma possível nova economia mundial? O que deveria fazer parte desta nova economia global? Um Estado com mais controle da economia, por exemplo?

Walden Bello – Ainda que deva haver acordos econômicos internacionais sobre comércio, finanças e ajuda, não devem haver instituições centralizadas de governança econômica global como o Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio e o Fundo Monetário Internacional, uma vez que essas instituições centralizadoras com incríveis poderes são inevitavelmente dominadas pelas economias mais poderosas. Comércio regional e cooperação deveriam se tornar a via principal da atividade econômica internacional, com as regiões estabelecendo seus próprios reguladores financeiros e desenvolvendo órgãos financeiros como o Banco do Sul, na América Latina. O livre comércio deveria ser suplantado pelo comércio de gestão – ou seja, comércio que é condicionado por prioridades econômicas nacionais como desenvolvimento sustentável ou industrialização sustentável.

IHU On-Line – Como podemos entender a eclosão da atual crise financeira internacional, pela primeira vez, desde a “era de ouro” da globalização? O que isso significa e quais são as consequências?

Walden Bello – A era atual é conhecida como a segunda era da globalização, e começou no início dos anos 1980 e se estende até hoje. O impulso das políticas nacionais durante essa era foi deixar o mercado tomar o papel principal na alocação do uso de recursos e na distribuição de riqueza, e minimizar a intervenção do governo e acabar com as restrições sobre o fluxo de comércio e capital. Liberalização e desregulamentação se seguiram como uma doutrina, levando ao fracasso massivo de mercados que estamos experimentando hoje. É importante notar que enquanto a falta de regulação na esfera financeira é a causa imediata da crise, é a superprodução no nível da economia real a derradeira causa. Quero dizer que as políticas de desregulamentação financeira, a re-estruturação neoliberal e a globalização foram esforços para a superação da crise de super-acumulação, superprodução e o excesso de capacidade que importunou o capitalismo global desde o início dos anos 70, quando a “era de ouro” do capitalismo keynesiano e interventor do estado chegou ao fim.

IHU On-Line – Quais as consequências mais graves da crise financeira internacional? Algo pior ainda está por vir ou o pior já passou?

Walden Bello – Bem, a crise financeira já se espalhou para a economia real muito, muito rapidamente, e a economia internacional está se contraindo muito rápido, e os motivos vão da recusa dos bancos de emprestar dinheiro para manter as indústrias funcionando à perda de poder aquisitivo, devido à falência do consumidor norte-americano, cujos gastos sustentaram a economia internacional ao longo dos últimos anos. O pior está por vir. Espero uma depressão, com altos níveis de desemprego no Norte, possivelmente atingindo 15% da força de trabalho. No Sul, as condições de subdesenvolvimento, incluindo altos níveis de desemprego, devem ser exacerbadas. No entanto, sob alguns aspectos, a crise no Sul deve ser menos severa que no Norte. Por exemplo, trabalhadores demitidos podem voltar à zona rural e às fazendas – uma opção não possível no Norte, onde a agricultura se tornou altamente monopolizada e de capital intensivo.

IHU On-Line – Quais são os riscos da queda mundial do Produto Interno Bruto (PIB)?
Walden Bello – Bem, o FMI já estima que o PIB internacional cairá este ano em 2,5%, a primeira vez no pós-Segunda Guerra que o PIB global se contrai. Penso que, como em várias outras coisas, o FMI está subestimando o colapso do PIB global nos próximos anos.

IHU On-Line – Em que medida a atual crise tem afetado a integração dos mercados internacionais?

Walden Bello – Bem, eu antecipei que o processo de globalização ou integração da produção e dos mercados se inverterá como colapso de mercados e as autoridades irão se voltar mais e mais para o foco na produção nacional para o mercado local. As cadeias de fornecimento global, que se tornaram marca das operações das corporações transnacionais, serão desmanteladas.

IHU On-Line – Qual deveria ser o papel do G20, no sentido de realizar uma coordenação global diante da crise?

Walden Bello – O G20 é um organismo informal dos países poderosos com pouca legitimidade. Sem legitimidade, suas prescrições ecoarão no vazio. O único órgão com legitimidade dada pelos 192 países do mundo é a ONU, e as agências da ONU devem tomar o papel principal na formulação de uma resposta à crise. A Comissão da Reforma Monetária e Financeira indicada pelo presidente da assembléia geral e encabeçada pelo ganhador do Nobel Joseph Stiglitz já escreveu seu relatório preliminar. Esse relatório pode ser a base de uma Sessão Especial da ONU que irá unir todos os países frente à crise. Inclusão é o necessário neste estágio, mas ainda assim o G20 tenta muito ser um clube exclusivo.

IHU On-Line – Quais são os países mais afetados pela crise com relação à exportação? Como o senhor imagina que o Brasil e a América Latina podem se beneficiar agora, considerando seus recursos naturais?

Walden Bello – A Ásia oriental, por ter levado mais a sério a estratégia de crescimento liderado pela exportação, irá sofrer muito, mais do que possam sofrer outras regiões. O Brasil e outros países na América Latina têm enormes mercados internos, mas esse mercado interno deve mudar de potencial para real via redistribuição de propriedade e renda para colocar poder aquisitivo nas mãos da população.

IHU On-Line – Como o senhor avalia as decisões de política econômica que os governos do mundo todo têm tomado? É o momento de retrair?

Walden Bello – As grandes potências econômicas, ou G20, estão fazendo um grande show dessas reuniões para se familiarizarem com a crise econômica global. E é isso que aocntece com a reunião em Londres no dia 2 de abril (1). É tudo show, e o que o show mascara é uma profunda preocupação e medo entre as elites globais de que elas realmente não saibam para onde vai a economia mundial e o que será necessário para estabilizá-la. Com as últimas estatísticas excedendo as avaliações mais pessimistas, com os principais analistas começando a mencionar a temida palavra com “D” (depressão), com a disseminação do sentimento de que trilhões de dólares alocados para o estímulo ao gasto sejam simplesmente varridos por uma tempestade que está recém criando velocidade, o G20 está simplesmente indo com a maré.

Talvez nenhuma imagem seja mais evocativa do atual estado da economia global que aquela do U-Boat alemão da Segunda Guerra no Atlântico Norte . Ele descia rápido, e a tripulação não sabia quando ele atingiria o fundo. E quando ele atingir o fundo do oceano, a tripulação será capaz de fazer o submarino subir novamente bombeando ar comprimido nos tanques danificados, como os marinheiros no clássico de Wolfgang Petersen Das boot? (2) Ou o U-Boat irá simplesmente ficar no fundo do oceano, com sua tripulação condenada a contemplar pior destino que a morte súbita? Os métodos keynesianos reinflarão e farão flutuar novamente a economia global? A verdade é que a atual tripulação capitalista da economia global não sabe e está apavorada.
A reunião do G20 tem sido exibida como uma nova “Bretton Woods”, se referindo à conferência de julho de 1944 que designou a ordem multilateral do pós-guerra dos estados capitalistas estatizados. Mas, como diz Marx, a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa.

IHU On-Line – Considerando a crise nos fluxos de investimento, quais os rumos que a globalização vai tomar? O senhor acredita que os próximos anos serão "anos de desglobalização"?

Walden Bello – Sim, os próximos anos verão um reverso da globalização enquanto os países se dão conta de que retomar a integridade das economias nacionais é a melhor maneira de assegurar o bem-estar nacional.

Nota:
1.- A entrevista foi feita antes da reunião do G20, em Londres, no dia 02-04-2009.
2.- O barco – Inferno no mar, filme de 1981

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Assinatura de convênio entre a REGGEN e universidade mexicana

Como parte do giro pelo globo de Theotonio dos Santos nos meses de fevereiro e março, na passagem pelo México houve a assinatura de convênio entre a REGGEN e a universidade mexicana de BUAP.

A REGGEN (rede e cátedra da UNU e UNESCO em Economia Global e Desenvolvimento Sustentável) cuja presidência é do professor Theotonio dos Santos firmou convênio com a universidade mexicana BUAP (Benemérita Universidade Autônoma de Puebla).

Além de desenvolvimento de atividades de pesquisa e ensino em conjunto, também haverá a constituição de uma sede mexicana da REGGEN.

O convênio foi assinado entre o professor Dos Santos e o reitor da BUAP.


veja o documento de convênio clicando aqui

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Em defesa da humanidade: Nova conspiração contra o processo boliviano

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theotonio


---------- Mensagem encaminhada ----------
From: En Defensa de la Humanidad
To: undisclosed-recipients:;
Date: Tue, 14 Apr 2009 13:43:05 +0000 (UTC)
Subject: Pronunciamiento de la Red de Redes En Defensa de la Humanidad, por el proceso boliviano.

Nueva conspiracion contra proceso boliviano


La huelga de hambre del presidente boliviano Evo Morales y dirigentes de los movimientos sociales es una respuesta a una nueva accion de la derecha boliviana por bloquear el proceso de cambio que ha emprendido Bolivia desde hace cerca de 9 anos, cuando las clases subalternas decidieron tomar en sus manos su propio destino, y desde enero de 2006, cuando luego de una historica victoria electoral, con mas el 54 por ciento de votacion, un indigena se coloca al mando del Estado.

Los objetivos de (la oposicion) son entorpecer la aprobacion de esta normativa electoral son claros: impedir elecciones generales en las que la derecha esta condenada a una nueva derrota, y detener la aplicacion de la nueva Constitucion Politica del Estado, particularmente en lo referido al regimen autonomico que tanto la derecha decia reivindicar, con lo que se pone obstaculos para la edificacion del nuevo Estado Plurinacional.

La Red de Intelectuales y Artistas En Defensa de la Humanidad, comprometida con los procesos democraticos de nuestra America, expresa su total y pleno respaldo a la lucha del pueblo y el gobierno bolivianos por hacer cumplir la Constitucion. Ante la inedita medida a la que se ha visto obligado el presidente Evo Morales, ante su insistencia por no hacer uso de la fuerza publica sino de la fuerza moral del pueblo, saludamos su lucha.

Llamamos al Congreso a asumir su responsabilidad y a actuar a la altura que le demanda la historia aprobando el Codigo Electoral Transitorio en lo inmediato, sin regatear el derecho de las circunscripciones indigenas.

Para leer este pronunciamiento entre al sitio http://www.defensahumanidad.cult.cu/ para suscribirse envie un correo,con su NOMBRE, PROFESION Y PAIS, a la siguiente direccion electronica: defrenteconbolivia@gmail.com

Red de Intelectuales en Defensa de la Humanidad

Entrevista ao jornal La Jornada de Oriente

Entrevista que Theotonio dos Santos concedeu ao um jornal da cidade de Puebla, México, La Jornada de Oriente, à jornalista Tania Damián Jiménez, publicada no dia 17de março de 2009.

***

Martes, 17 de marzo de 2009 La Jornada de Oriente - Puebla - Ecología

El libre mercado solamente aumenta la desigualdad social, explicó Dos Santos

TANIA DAMIÁN JIMÉNEZ

El libre mercado sólo aumenta la desigualdad social debido a que las pequeñas empresas no pueden competir con los monopolios, explicó el investigador brasileño Theotonio Dos Santos, quien formuló la teoría de la dependencia en América Latina.

Sin embargo, la mayoría de los países aplica el modelo económico que se basa en el libre mercado –que implica que las empresas se autorregulan solas–, pese a que “ya se demostró que existen más daños sociales que beneficios”, dijo.

Agregó que el neoliberalismo beneficia a un sector financiero parasitario que se basa en una economía virtual y no tiene sustento productivo. En este sentido, criticó que los gobiernos estadounidense, europeos y japonés transfieran millones de dólares a los bancos, pese a que fueron estas instituciones las que por su “ineficiencia y avaricia” provocaron la crisis económica.

Dijo que lo anterior demuestra que las empresas privadas también son ineficientes, y “no como dicen los tecnócratas, que la compañía privada es igual a eficiencia y la empresa pública significa ineficiencia”.

Indicó que “los neoliberales hablan de metafísica, de un mercado perfecto que no existe en la realidad; dicen que mágicamente ajustará los desequilibrios de la sociedad”.

“Ya superamos la metafísica en el siglo XIX, pero el neoliberalismo la retoma, por lo que es un retraso teórico al volver al pasado”, dijo.

El también coordinador de la Cátedra y Red Unesco sobre Economía Global y Desarrollo Sostenible expuso que cuando se sobrevalora al capital económico se beneficia a los actores que más cuentan con éste y se margina a quienes carecen de él.

Insistió en que la aplicación del neoliberalismo es un retroceso porque “se le olvida reconocer que la humanidad requiere de instituciones y reglas que regulen la buena convivencia; de lo contrario la ley del más fuerte se impone, como sucede ahora”.


La empresa pública no es ineficiente

Theotonio Dos Santos aseguró que es una falacia decir que las empresas paraestatales implican pérdidas, “esa es ideología; no existen estudios serios que lo demuestren; es cierto que ha existido burocracia, pero también hay burocracia en el sector privado”.

“El valor que más debemos promover, como seres humanos, es la solidaridad; hay empresas públicas muy exitosas que no porque no tengan un dueño fracasan, sino crecen”.

En cambio, el problema de las empresas privadas es que son monopolios familiares y, al contrario de lo que dicen los neoliberales, también son burocráticas y además implican la concentración de la riqueza; “por lo menos en las instituciones públicas se critica el nepotismo; a las empresas privadas no se les puede decir nada”.

El investigador brasileño insistió en que los diferentes gobiernos no deberían rescatar a las instituciones financieras privadas, ya que si las mismas provocaron sus quiebras deben asumir las consecuencias y no ser solventadas por la ciudadanía.

“El neoliberalismo está sustentado en el Estado; es éste el que sostiene a las grandes empresas privadas, el que las rescata cuando están en quiebra por su mala dirección y ambición, las sanea y las regresa a los empresarios”, explicó.

Indicó “el capital siempre busca lo que le puede sacar al Estado, mientras el Estado los respalda, mantiene a los ladrones, a los irresponsables, a los mismos que hicieron los fraudes y provocaron la crisis económica”. El economista concluyó que los gobiernos están al servicio de las corporaciones privadas; sin embargo, el cambio debe venir a través de los movimientos sociales.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Três livros sobre o Marxismo

parece interessante. deve-se divulgar.
theotonio


Três livros do interesse de todos.

O primeiro é de apenas 132 páginas e dá para ler de uma sentada. O segundo é sobre a visão dos japoneses sobre Marx. O terceiro é uma análise das Grundrisses.

Peter Worsley - Marx and Marxism - Routledge.pdf

0415305306 - Hiroshi Uchida - Marx for the 21st Century - Routledge.pdf

0415437490.pdf

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